Setor de locação enfrenta desafios para renovar frota

A atual escassez e a alta de aproximadamente 30% nos preços dos carros novos somadas à média de quatro meses de espera para receber os veículos adquiridos seguem provocando impactos no segmento de locação.

E a tendência é que o efeito se estenda até 2022

 

É que a reposição de peças e, consequentemente, de automóveis no mercado, ainda levará tempo para se normalizar. A avaliação é da regional mineira da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla).

As locadoras se beneficiam da alta demanda mas, ao mesmo tempo, precisam lidar com as dificuldades impostas ao setor. Segundo o presidente do Conselho Nacional da Abla, Paulo Miguel Junior, faltam produtos também para locação. “A crise imposta pela pandemia causou forte impacto na indústria automotiva, a partir da falta de componentes. E as locadoras também estão vivendo momento atípico. Apesar do aumento na procura por locação de veículos, os atrasos nas entregas por parte das montadoras também trouxe impacto para o setor, que se vê com pátios vazios e idade da frota elevada“, explica.

Sem a renovação da frota, a receita de vendas de seminovos tende a cair nos próximos meses. Além disso, os custos com manutenção têm aumentado. Uma estratégia aplicada pelas empresas para preservar caixa é a aplicação de reajustes nos contratos.

“Temos filas de carros para locação por assinatura e frotas, mas não há produtos. Além das pessoas que não estão conseguindo comprar o carro próprio, parte dos usuários está fugindo de aglomeração no transporte público e optando pela locação. O preço da passagem aérea também subiu e muitos estão optando por viajar de carro”, explica.

Assim, a taxa de ocupação das locadoras que trabalham com locação diária que antes era de 75% a 80% há alguns meses já figura acima de 90%.

“O número de usuários vem em um crescimento contínuo”, diz. A aposta de Paulo Miguel Junior é que essa crescente se mantenha pelos próximos cinco anos. “Muitas pessoas estão percebendo que alugar é mais rentável do que ter o próprio carro”, justifica.

Em termos de crescimento da frota, no ano passado, o setor registrou avanço de apenas 1% sobre o exercício anterior. A expectativa para 2021 é de um incremento maior. “Se as entregas pela indústria automotiva já estiverem regularizadas poderá haver crescimento acima de dois dígitos”, aposta.

Minas Gerais se beneficia do cenário promissor, uma vez que tem aproximadamente 70% do emplacamento de carros de locadoras do Brasil. E abriga o maior polo do setor nacional. O que também deverá perdurar pelos próximos exercícios, devido às políticas tributárias dos estados. Menores impostos e revisões mais baratas justificam a escolha.

O dirigente também cita o atendimento e a agilidade do Departamento Estadual de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG). Uma portaria do departamento permite uma maior facilidade e menos burocracia para o emplacamento de carros zero quilômetro para locadoras de veículos, chamado Registro Automático de Veículos (SRAV), inclusive pela internet.

Conforme dados do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), no final do ano passado 1.439 locadoras estavam ativas em Minas Gerais, com uma frota de 701.170 veículos licenciados no Estado.

 

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