Locadoras se capitalizam e expandem negócios

Por Gustavo Brigatto

Quando as novas ações emitidas pela Localiza começarem a circular hoje, a companhia terá concluído a maior captação de recursos de seus quase 15 anos como empresa de capital aberto: R$ 1,82 bilhão. O montante levantado pela maior empresa de aluguel de veículos do país é um sinal do bom momento da bolsa brasileira e também uma amostra do que está por vir em termos de competição no setor.

Assim como a Localiza, suas principais concorrentes reforçaram seus “baús de guerra” nos últimos meses, com objetivo de acelerar a expansão das frotas e da presença pelo país. Em dezembro, a Unidas Locamérica captou R$ 1,37 bilhão também com a emissão de ações. A Movida acessou o mercado emitindo uma debênture de R$ 600 milhões.

Fora da bolsa, o grupo baiano LM, que tem uma frota de 23 mil carros e mil caminhões, lançou em dezembro uma debênture de R$ 300 milhões. O Valor apurou que o objetivo inicial da companhia era levantar R$ 200 milhões, mas a oferta foi ampliada em mais R$ 100 milhões por conta do grande interesse do mercado.

“O setor se provou durante a crise, mantendo um ritmo de crescimento constante, e agora, com a retomada da economia a expectativa é que essa expansão se mantenha”, diz Edmar Lopes, diretor financeiro e de relação com investidores da Movida.

De acordo com o executivo, mesmo com a retração do PIB o setor avançou com um crescimento anual na faixa de 10% e 15% no número de locações. “O preço médio da locação caiu de R$ 150 para R$ 80 em três anos, mas a taxa de utilização da frota passou de 60% para 75%”, diz.

Segundo ele, apesar de ter havido queda demanda em setores que tradicionalmente eram os grandes clientes das locadoras (como governo e empresas de construção e óleo e gás) a mudança de hábitos dos consumidores – que estão mais acostumados ao conceito de compartilhamento e menos interessados em ter um carro – e a competição criaram novas oportunidades.

Um mercado que surgiu foi, por exemplo, o de motoristas de aplicativos como Uber e 99.
Também tem crescido entre as companhias o modelo de locação de longo prazo, ou de “assinatura” de um veículo pelos consumidores. Assim como ocorre com as empresas, em vez de comprar o veículo e arcar com custos de impostos e seguro, o cliente paga uma mensalidade que já inclui tudo isso.

Na Movida, o conceito de multimodal ganha força. A ideia é oferecer não só carros, mas também outros meio de transporte, como bicicletas elétricas. Por meio de um investimento na E-Moving anunciado em agosto, a companhia começou a oferecer as “magrelas” em São Paulo.

 

Fonte: Valor

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