Motoristas de aplicativo movimentam aluguel de carros em MS

Cerca de 70% dos veículos utilizados por motoristas de aplicativos em Campo Grande são locados, e não veículos próprios, conforme levantamento realizado pela Aplic (Associação dos Parceiros de Aplicativos de Transporte de Passageiros e Motoristas Autônomos de Mato Grosso do Sul).

A associação também estima que de 9 a 10 mil motoristas trabalhem, atualmente, nas plataformas de caronas remuneradas somente na Capital – um número que flutua bastante, já que são ao menos 10 plataformas, atualmente, e todos os dias entram e saem novos usuários. Com isso, o número de veículos alugados pode variar entre 6.300 a 7 mil.

“Ser motorista de aplicativo é uma solução rápida para obter renda. Mas, apesar de permitir um lucro maior, o gasto com veículo próprio é muito grande. Os motoristas têm colocado na ponta do lápis e têm achado mais vantajoso a locação”, aponta Paulo Cesar Teodoro Pinheiro, presidente da entidade desde 2017.

Na Uber, a mais famosa das plataformas de caronas remuneradas, há convênio com três empresas de locação de veículos, com o aluguel semanal custando a partir de R$ 350,00. A segunda mais popular em Campo Grande, a 99, também têm convênio de locação com mensais a partir de R$ 1.399,00.

O aluguel de veículos permitiria lucro livre – sem a locação e combustível – de R$ 400 a R$ 500 por semana para cada motorista, a depender da jornada trabalhada. “Mas nossa estimativa é que o ganho seja maior, já que muitos motoristas fazem jornadas de cerca de 12 horas diariamente”, considera Pinheiro.

As vantagens de carros locados começam com o IPVA, licenciamento e seguro – os motoristas não precisam arcar com os custos desses impostos, assim como a manutenção, que é realizada pela empresa que disponibiliza o veículo. Na ponta do lápis, o aluguel parece compensar, principalmente se na planilha for acrescentado o valor da parcela do financiamento de um veículo.

“Prefiro o aluguel justamente por isso, sai mais barato no cálculo anual. Eu não tenho carro, mas se tivesse, também não colocaria para rodar, porque aumentaria muito a quilometragem, desvaloriza o veículo na revenda e precisaria de mais manutenção, pneus novos, etc. Além disso, posso trocar o veículo com frequência, que no meu caso é a cada três meses”, comenta Roberto Garcez, 28, que atua há 7 meses como motorista de aplicativo.

Informalidade

Todavia, assim como a inserção dos motoristas de aplicativo na economia da cidade vai pela informalidade, há fortes indícios de que os veículos locados não façam parte de locadoras – ao menos não as “tradicionais”. Primeiramente, porque a matemática não fecha: segundo a Aplica, pelo menos 6.500 veículos das plataformas são locados, enquanto a frota atual, segundo a Abla (Associação Brasileira de Locadoras de Automóveis), não chega a 2 mil carros.

Segundo, porque os preços de veículos locados informalmente costumam sair mais em conta que os R$ 350 semanais garantidos pela Uber, por exemplo.

“O preço das locadoras oficiais é mais caro, apesar de ter desconto pra quem é motorista de aplicativo. A gente nota um mercado informal. Uma pessoa que tem dois ou três carros separa um deles para alugar a motorista de aplicativo e assim conseguir uma renda também. É o meu caso, pago R$ 800 por mês”, comenta Wesley Pedroso, 37, que há um ano atua como motorista de aplicativo. “Primeiro eu rodava com meu carro. Depois precisei vender e não consegui emprego, então voltei pra plataforma alugando carro. O lucro, no fim das contas, vai ser semelhante”, acrescenta.

Apesar na divergência de números, para o presidente do Conselho Nacional da Abla, Paulo Miguel Junior, as empresas de locação estão diretamente relacionadas com novas soluções de mobilidade urbana.

“Os interessados em trabalhar com aplicativos têm nas locadoras a melhor opção para resolver essa questão, pois [quem aluga] não precisa se preocupar com IPVA nem com manutenção do carro, além de que dá pra trocar de veículo sempre que renovar o contrato”, conclui.

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