Revolução estrutural é peça-chave na estratégia de negócio da Movida

Mudanças intensas na mobilidade urbana são vistas como uma oportunidade de ouro pela empresa “mais jovem” do universo de locação de veículos no Brasil  

SÃO PAULO – A locadora de veículos Movida vive agora o momento que aguardou por muito tempo. Depois de apresentar lucro recorde no último trimestre de 2018, finalmente começa a mostrar aos investidores que seu modelo de negócio pode ser sustentável em meio à pesada concorrência do setor.

Em 5 anos, a empresa multiplicou em 38 vezes o seu tamanho, e, pouco mais de dois anos após o IPO (que foi em 8 de fevereiro de 2017), a alta acumulada da ação (MOVI3 +0,5%) é de 43%. Agora, o desafio é aproveitar melhor que a concorrência as oportunidades de um setor que parece estar em um grande momento.

Revolução estrutural

“O carro como serviço começa a se tornar uma realidade”, disse o CFO da Movida, Edmar Prado Lopes Neto, em entrevista ao InfoMoney. Para ele, está em curso uma “mudança estrutural” na mobilidade como um todo, e quem chegar primeiro com as estratégias certas terá muito a ganhar.

Essa mudança começa com o Uber e outros aplicativos de mobilidade particular. Hoje, estima-se que cerca de 10% da frota alugada das empresas de locação de veículos estejam nas mãos de motoristas de aplicativos. Pelos cálculos de Lopes Neto, aproximadamente 60 mil carros utilizados por esses profissionais pertencem a essas empresas. “O potencial é enorme, visto que são pelo menos 500 mil motoristas cadastrados em apps no Brasil”, diz.

Em outra frente, a população mais jovem demonstra cada vez menos interesse em ter um carro próprio. Isso aumenta o interesse na busca pelo veículo em situações pontuais, como finais de semana e viagens, explica o CFO.

“O jovem acaba se tornando nosso cliente aos fins de semana, nas férias”, lista. “Lembrando que, dentre as empresas do setor, a Movida consegue trazer a base de clientes mais jovens. A gente captura um pedaço importante dessa demanda diferente que vem dessa mudança de hábito”, comemora. Nos últimos três anos, a empresa foi a que mais cresceu no setor entre a população de 25 a 35 anos.

Questionado sobre a estratégia de marketing visando a captura da parcela mais almejada da população, Lopes Neto disse não estar fazendo “nada de diferente” da concorrência, mas revela o cerne da questão. “O que fazemos é entender quem é o nosso cliente e alugar quando as outras não alugam”, diz. As outras empresas não alugam para jovens entre 19 e 21 anos.

Super App e futuro incerto

A tecnologia também desempenha papel relevante na atração de um público nativo digital. Assim como o varejo (vide Magazine Luiza), as locadoras também têm um mercado a explorar dentro dos aplicativos de serviços no celular.

Neste mês, por exemplo, ocorre o lançamento de um serviço de locação de bicicletas elétricas para empresas, que soma à estratégia multimodal. Está em desenvolvimento pela Enel um aplicativo de mapeamento de rotas que sugere ao usuário o melhor meio de transporte para chegar de um ponto a outro. A Movida fará parte dessa iniciativa também.

Para um futuro mais distante, existe uma corrida em direção ao imprevisível. Carros autônomos, elétricos e até voadores estão em desenvolvimento, e não há como prever da onde virá a demanda pelos clientes das locadoras no médio prazo. Ganhará aquela que estiver melhor posicionada, isso é claro, mas não se sabe como nem quando.

“Haverá uma frota de carros, seja ela compartilhada ou não”, diz o CFO. “Quem tem a expertise de tomar conta de frota são as empresas de aluguel, então essa é uma oportunidade muito grande para nós, as empresas que operam, que limpam, fazem a manutenção”. Para ele, há dois segredos para capturar esse novo mercado: chegar primeiro, claro, e manter um bom relacionamento.

Concorrência

A Movida gosta de usar a métrica receita sobre frota total para comparar seu negócio aos das maiores concorrentes, Localiza e Unidas. No último trimestre, o resultado dessa matemática foi de 1.475 para a empresa, contra 1389 e 1.349 das outras duas gigantes, respectivamente. Isso mostraria que a companhia poderia fazer mais com o mesmo tamanho de ativo.

Em termos absolutos, há um longo caminho a ser percorrido. Segundo uma pesquisa da ABLA, a Localiza ainda tem 28% do mercado de locação de veículos no país; a Unidas tem 16% e a Movida, 11%.

Fonte: InfoMoney

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