Wall Street está começando a tratar as montadoras como empresas de tech

Os investidores estão começando a tratar gigantes industriais como startups ágeis, isso porque têm feito pesados investimentos em carros elétricos e de direção autônoma, o que pode pagar enormes dividendos.

 

As maiores montadoras do mundo não têm muito em comum com as empresas de tecnologia. Volkswagen e General Motors empregam centenas de milhares de trabalhadores e operam enormes fábricas em vários continentes. Contam ainda com cadeias de suprimentos complicadas para obter peças e vendem seus produtos por meio de redes de concessionárias físicas.

Mas os investidores estão começando a tratar esses gigantes industriais desajeitados mais como startups ágeis. Isso porque têm feito pesados investimentos em carros elétricos e de direção autônoma, o que pode pagar enormes dividendos.

As ações da General Motors, que promete gastar US$ 35 bilhões em veículos elétricos até 2025, dispararam no ano passado, subindo quase 140%. As ações da Ford também aumentaram 140% no mesmo período.

As ações da Volkswagen subiram 50% no ano passado.

A maior montadora da Europa está investindo € 35 bilhões (US$ 42 bilhões) em veículos elétricos ao longo de cinco anos. Ela planeja abrir seis “gigafábricas” de fabricação de baterias na Europa até 2030.

Os investidores há muito vêem a Tesla, pioneira em carros elétricos, como uma empresa de tecnologia. E o preço de suas ações tem sido sustentado pela superioridade contínua em custos de bateria, software e lucratividade de seus carros elétricos.

Mas as grandes fabricantes de automóveis, incluindo a General Motors, estão começando a ser vistos sob uma luz semelhante ao se comprometerem a construir fábricas de baterias.

Dan Ives, analista da Wedbush Securities, disse na quinta-feira (8) que as ações da General Motors deveriam valer US$ 85 cada. Um aumento de 52% em relação aos níveis atuais.

Por quê?

Porque a CEO Mary Barra aposta tudo em carros elétricos.

“Embora a primeira parte de seu mandato tenha tido algumas baixas e grandes reduções de velocidade, o foco em veículos elétricos deu nova energia e tino estratégico à GM”, escreveu Ives em nota de pesquisa.

Ele disse que o preço das ações da empresa deve continuar a subir, pois “Wall Street trata a montadora de Detroit não mais como uma empresa automobilística tradicional que negocia com base no valor contábil, mas como uma companhia de tecnologia disruptiva mais ampla que pode começar a ser negociada em múltiplos semelhantes aos da Tesla”.

Se você é o CEO de uma montadora, a coisa a fazer agora é anunciar um grande investimento em veículos elétricos e ver o preço de suas ações subir.

A Stellantis, gigante automobilística formada pela fusão da Fiat Chrysler com a francesa PSA, disse na quinta-feira que planeja investir € 30 bilhões (US$ 35,5 bilhões) até o final de 2025 para expandir seu portfólio de veículos eletrificados.

A empresa está planejando que 70% de suas vendas na Europa e 40% das vendas nos EUA sejam de veículos totalmente elétricos ou híbridos plug-in. Mas com a grande maioria desses veículos sendo totalmente elétricos dentro de quatro anos, disse o CEO Carlos Tavares.

“[O plano] está entre os compromissos de veículos elétricos mais agressivos que a indústria já viu”, disse Karl Brauer, analista da indústria do ISeeCars.com.

Os investidores, por sua vez, precisam descobrir quais desses sonhos elétricos se transformarão em realidade. Um fator a considerar é que as maiores montadoras (a General Motors e a Volkswagen pertencem a este grupo) poderão usar os lucros de seus enormes negócios existentes para investir em veículos elétricos.

Seus rivais elétricos menores podem não conseguir acompanhar o ritmo.

Fonte: CNN Business

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