Toyota vive dilema entre C-HR e novo SUV

No Brasil, C-HR tem mais chance de vir importado como híbrido

O C-HR mostrado pela Toyota em janeiro no Salão de Detroit: ainda longe do Brasil
Quando se fala de um SUV compacto para a Toyota participar do único segmento que cresce no Brasil, a aposta certa parece ser o C-HR, sigla para Coupé High Ride (ou cupê de condução alta), que desde o ano passado é fabricado na Turquia e vendido na Europa; e este ano também no Japão e Estados Unidos. Mas não é tão óbvio assim. “Claro que olhamos com interesse para esse segmento, mas queremos estar nesse mercado com um produto de volume, com localização [da fabricação]. Hoje não é possível fazer o C-HR aqui, precisaríamos fazer investimentos [nas fábricas brasileiras] para isso. E para trazer importado fica muito caro, não é competitivo”, resume Miguel Fonseca, vice-presidente executivo da Toyota responsável pelas ações comerciais e estratégia de produto da marca no País.

O problema é que o C-HR é produzido sobre a nova plataforma global da fabricante, a Toyota New Global Architecture (TNGA), a mesma do híbrido Prius e que também será mais à frente usada pela futura geração do sedã médio Corolla. Isso quer dizer que ainda demora no mínimo um par de anos para chegar ao Brasil. Por isso talvez seja mais rápido, barato e rentável fazer o que outros fabricantes já fazem no País: entrar nessa fatia de mercado por meio de uma plataforma já nacionalizada e de baixo custo, como a do Etios, por exemplo, para montar sobre ela uma carroceria de utilitário esportivo. Portanto, a estreia da Toyota no segmento de SUVs compactos por aqui talvez não seja, necessariamente, com o C-HR.

Na falta do que mostrar de concreto para esse disputado segmento no Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro passado, a Toyota expôs em seu estande a versão protótipo do C-HR, (leia aqui), que havia sido apresentada um ano antes no Salão de Frankfurt, apenas para demonstrar um exercício de design ao público brasileiro. Esse movimento acabou aguçando as expectativas de quem esperava pelo lançamento de um C-HR importado ou nacional em 2017 ou 2018.

Mas Fonseca reforça que não há planos para o lançamento do modelo no Brasil: “O segmento de SUVs representa cerca de 16% do mercado e no momento queremos focar nos outros 84%, temos outras prioridades na estratégia de produto”, sentencia. “Vamos concentrar nossas vendas nos produtos finais que já temos aqui e depois, numa segunda fase, devemos pensar nisso.” O executivo lembra que, mesmo sem ter um SUV compacto à venda aqui, a Toyota foi a única montadora a registar crescimento no País em 2016, ainda que de tímidos 2,61%, mas o suficiente para subir à quinta posição entre as marcas mais vendidas, com 180,4 mil veículos emplacados e recorde de produção de 176 mil unidades em suas duas fábricas brasileiras.

C-HR HÍBRIDO

O semblante do executivo muda quando é lembrado que a versão híbrida do C-HR, já disponível na Europa com o mesmo powertrain gasolina-elétrico do Prius, pagaria imposto de importação de 4%, bem menor do que a alíquota de 35% aplicada a carros com motor a combustão. “Claro que fica bem mais competitivo”, sorri. “É uma possibilidade, mas de fato ainda não temos projeto de importação do modelo”, garante.

O lançamento do C-HR híbrido no Brasil traria ao cliente local a feliz combinação de um tipo de veículo (SUV) desejado com a oferta de um eficiente pacote tecnológico que traz economia de combustível, o que poderia fazer decolar o mercado de híbridos no País. A nova geração do Prius lançada aqui no ano passado pela Toyota, que segurou o preço do modelo na casa dos R$ 100 mil, mesmo sem ter a carroceria mais desejada, começou a vender melhor para os padrões brasileiros, ao ritmo de 100 a 150 unidades/mês. “Recentemente vendemos em um dia 28 Prius, que é o equivalente ao que vendíamos por mês antes, com a geração anterior”, conta Fonseca. Segundo ele, 40% dos Prius vendidos são para clientes do Corolla, que foram convencidos de que o valor pedido a mais pelo híbrido é compensado pela economia de combustível ao longo do uso do carro.

A Toyota sustenta a estratégia de que, até 2050, todos os seus modelos à venda no mundo sejam híbridos ou elétricos. “Claro que isso acontecerá também no Brasil”, destaca Fonseca, que também recebeu a missão de desenvolver esse novo mercado por aqui.

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