Aplicativo de transporte é alternativa para quem enfrenta desemprego

A utilização de transportes por meio de aplicativos já não é novidade. Além do conforto e da praticidade, os valores acessíveis fazem com que os usuários troquem o transporte coletivo por um transporte particular. Com essa mudança, cada vez mais as plataformas digitais chegam ao mercado oferecendo um transporte alternativo aos consumidores. A presença desses aplicativos na capital alagoana gera diferentes reações entre taxistas, mototaxistas e empresas de transporte público, que precisam se adaptar ao novo modelo de mercado para conquistar cada vez mais sua clientela.

O que para alguns significa a queda na procura por parte dos usuários de transporte, para outros significa uma alternativa perante o desemprego e a falta de opção no mercado. Para Henrique Tenório Lima, de 28 anos, que decidiu ser motorista por aplicativo pela falta de oportunidade de emprego no Estado, a procura pelo Uber já foi maior, pois, as grandes concorrentes algumas vezes possuem preços melhores. Sendo assim, acabamos perdendo vários passageiros, mas ‘isso não acontece só com os motoristas de aplicativos, como também para as empresas de transportes públicos’.

“Sou muito comunicativo, gosto muito de trabalhar como Uber, acabo sempre conhecendo pessoas novas. Juntei o útil ao agradável, já que não possuo outra fonte de renda a não ser essa”, disse Henrique.

Segundo o motorista, os usuários solicitam o uso do aplicativo para ter um conforto melhor, além de ter mais segurança – que é uma coisa que não possuímos quando utilizamos o transporte coletivo – além de ter um custo valor acessível para todos.

De acordo com Pedro Henrique Maia, que também é motorista, a procura pelos aplicativos de mobilidade tem aumentado consideravelmente. Além disso, ele relata que os passageiros preferem por muitas vezes pagar um valor um pouco mais alto que a tarifa dos ônibus do que ter que passar horas esperando por um transporte público, que não tem segurança e conforto.

“Com isso, o número de passageiros de ônibus na capital diminui e muito. Meus clientes sempre dizem que o serviço do transporte coletivo é ruim e que vale a pena pagar pelos aplicativos”, contou.

Pedro conta ainda que estava desempregado e a única saída que encontrou foi a de ser motorista, onde está trabalhando há um ano

Prejuízos

De acordo com a assessoria de Comunicação do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano De Passageiros (Sinturb), dos últimos cinco anos, o mês de janeiro de 2019 foi considerado o pior, para as quatro empresas de transportes coletivos, em relação a queda de usuários pagantes, em Maceió.

Houve uma redução de 24%, o que resulta em um prejuízo mensal de cerca de 6 milhões e 72 milhões durante o ano. Visto que em 2015, a média de passageiros era de 6.749.510.

Ainda em conformidade com a assessoria, as empresas associam a grande perda de passageiros a organização do transporte clandestino, além das novas modalidades de transporte por aplicativo.

“De 2014 a 2018, perdemos 1 milhão de passageiros, estima-se que esses passageiros estão sendo transportados por transportes clandestinos na cidade segundo dados do levantamento”, informou a assessoria.

Insatisfação

Segundo Lara Sofia, de 23 anos, que é universitária, a qualidade do transporte público é precária e não atende a demanda da sociedade. Além disso, ela relata que a espera para fazer a utilização dos ônibus é imensa.

“Preciso pegar às 7h no trabalho, mas pra chegar no horário tenho que sair às 5h de casa para ao menos não me atrasar. Já passei mais de duas horas esperando para pegar o ônibus – que passou lotado e não parou no ponto. É exaustivo e extremamente estressante ter que passar por essas situações diariamente”, disse a universitária.

Ainda de acordo com a estudante, ela prefere por muitas vezes pegar os transportes clandestinos, pois consegue chegar no horário e paga praticamente o mesmo valor que pagaria em uma passagem de ônibus.

“A gente paga R$3,65 para andar em ônibus que não possui nenhum tipo de segurança e conforto, isso é um tremendo absurdo. Sem contar que quando chove praticamente morremos de calor, porque os ônibus estão sempre cheios e com as janelas fechadas. Parece mais que estou dentro de uma sardinha enlatada”, finalizou Lara.

Fiscalização

De segunda a sexta-feira, a frota de 564 ônibus que circulam em Maceió realiza mais de quatro mil viagens percorrendo todos os bairros da cidade. Com o objetivo de aprimorar cada vez mais a qualidade dos serviços prestados, a central da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) monitora e fiscaliza o sistema 24h por dia.

Conforme a assessoria de Comunicação da instituição, a SMTT está atenta às questões levantadas pela população quanto ao conforto, qualidade e segurança nos coletivos. O sistema de transporte público é fiscalizado com auxílio da tecnologia, por meio do GPS ou com a verificação presencial dos fiscais dentro dos ônibus e nos terminais.

Outra ferramenta importante no auxílio das fiscalizações é o Disque SMTT. Ligando para o número 118, qualquer cidadão pode denunciar irregularidades no transporte público.

Um processo administrativo é aberto e apurado através dos meios eletrônicos do órgão. Caso se confirme a denúncia, a empresa é notificada e precisa comparecer à SMTT com o motorista e um representante legal, onde são tomadas as medidas cabíveis. As denúncias também podem ser feitas via aplicativo Cittamobi do celular.

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