Sistema de carro comunitário e sustentável pode chegar a BH

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A exemplo do Bike BH, sistema de compartilhamento de bicicletas lançado em Belo Horizonte em junho do ano passado, o uso comunitário de carros pode ser implementado a partir do próximo ano. A start-up mineira Compact Moby, por meio do processo conhecido como Manifestação de Interesse da Iniciativa Privada (MIP), foi autorizada pela Prefeitura de Belo Horizonte a desenvolver, até o dia 8 de dezembro, estudos de viabilidade desse sistema.
Pela proposta da start-up, de 30 a 50 veículos elétricos, de pequeno porte e totalmente recicláveis, serão disponibilizados para motoristas habilitados em locais estratégicos da cidade – a serem definidos a partir da avaliação da prefeitura caso o projeto seja licitado. Essas estações serão devidamente equipadas com pontos de abastecimento dos carros.
Para dirigir um desses veículos, de 2,5 m de comprimento – quatro vezes menor que a média dos automóveis convencionais –, o usuário deverá estar cadastrado no serviço por meio da internet ou aplicativo. “A ideia é começar a implantação de forma gradativa, e, conforme a demanda avançar, aumentaremos a oferta”, diz Danilo Prado, gestor do projeto do Compact Moby.
Segundo ele, o investimento por parte dos interessados em explorar o negócio giraria em torno de R$ 8 milhões. Prado informou que, por questões estratégicas, ainda não é possível dizer quais os modelos poderão ser usados na cidade, mas ressalta que veículos elétricos de montadoras francesas e chinesas já existem nesses moldes e são uma opção. “Também estamos estudando a viabilidade de um modelo nacional”, disse.
Benefício. Conforme Cardoso, uma das vantagens do “car sharing” (“carro compartilhado”) é o fato de não exigir grandes obras e ainda ser uma solução complementar ao atual sistema de transporte.
“O compartilhamento de carros já é uma realidade em Recife e em outras cidades do mundo. Porém, informações que demonstram como esse sistema poderia ser implementado em Belo Horizonte dependem da avaliação da PBH Ativos depois que os estudos forem entregues”, informou a assessoria da prefeitura em nota. Caso o município opte pela implantação do sistema, um edital de licitação será aberto para todas as empresas participarem, ainda conforme a nota.
Benefício
Meio ambiente. Outra vantagem dos carros comunitários é o fato de serem de matriz energética limpa. Não despejam gás carbônico na atmosfera.
Sobre o Bike BH
Inspiração para o “car sharing”:
Bike BH. Foi implantado em 2014 como solução de meio de transporte para deslocamentos curtos.
Uso. Por meio de aplicativo, o usuário localiza a estação onde vai retirar a bicicleta. Pelo telefone acessa a tarifa correspondente ao uso pretendido – valores variam de R$ 3 a R$ 60, conforme passe diário e anual, respectivamente. Pagamento por cartão de crédito. Após o uso, a magrela deve ser deixada em uma das quatro estações.
Tarifa tem que ser acessível
Sistemas de transporte compartilhado são viáveis e desejáveis, na avaliação de Dimas Alberto Gazolla, professor da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Vão ao encontro da tendência de reduzir o espaço viário ocupado por carros de grande porte”, disse.
Segundo ele, cada automóvel transporta atualmente, em média, 1,4 pessoa no Brasil. No entanto, o professor ressalta implicações, a começar pelo risco de implementar um serviço elitizado. “Se a tarifa for alta, se destinará a determinada camada da população, ficando o transporte púbico, de má qualidade, para a massa”.
Em Curitiba (PR), dez carros elétricos já funcionam em caráter experimental como terceira etapa de implantação de sistema de compartilhamento.
“Pretendemos começar com 60 veículos (Renault) com autonomia para percorrer de 250 km a 350 km, em velocidade que pode chegar a 130 km/h. E também cem estações de abastecimento”, disse a vice-prefeita Mirian Gonçalves. Segundo ela, a partir de julho o sistema deve começar a funcionar.
Três veículos já circulam em Recife
Em Recife (PE), o sistema de carros elétricos compartilhados está implantado desde setembro deste ano, após período de teste restrito a 50 pessoas.
Lá, recebeu o nome de Carro Leve, tem três veículos à disposição e cinco estações de origem/destino/abastecimento, que podem ser utilizadas por toda a população habilitada.
Os interessados precisam fazer um cadastro prévio, na sede do Porto Digital (operadora do sistema), para ter acesso ao aplicativo de inscrição no programa. Além da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em dia, os novos usuários precisam apresentar um comprovante de residência válido.
Conforme a Porto Digital, uma vez inserido no sistema, o usuário poderá baixar o aplicativo para celular. A assinatura mensal do Carro Leve é R$ 30, e cada viagem individual custa R$ 20 por trajeto de meia hora.
Por Raquel Ayres, do O Tempo.

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