Na recessão, Localiza vai em busca de turistas

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Mattar, presidente da Localiza: “Capturar uma parte do mercado de lazer” (Foto: Regis Filho/Valor)

A Localiza, maior empresa de aluguel de carros do país, quer depender menos de clientes empresariais e aumentar sua participação no nicho do turismo.
Hoje, 75% da receita da companhia vem de contratos com clientes que alugam carros para trabalho. O restante vem de contratos de aluguel feito por turistas brasileiros e estrangeiros.
A preocupação de Eugênio Mattar, presidente da Localiza, é com os efeitos de mais um ano de retração sobre a disposição das empresas de continuarem gastando com aluguel de carros para seus funcionários. “A Localiza está tomando uma série de ações para poder enfrentar o desafio de 2016”, disse.
A avaliação é que enquanto o cliente corporativo pode se retrair, o aluguel de carros para lazer tem espaço para avançar, uma vez que muitas famílias reveem seus planos de viajar para o exterior e optam por roteiros domésticos.
“Estamos investindo para capturar uma parte do mercado de lazer para compensar a queda do mercado corporativo”, disse Mattar. A empresa vê que a locação de lazer tem mais espaço para crescer nas capitais da região Nordeste, no Rio, Florianópolis e Porto Alegre.
Para tentar conquistar mais essa faixa de consumidores, a empresa está colocando na rua uma série de mudanças, que vão desde uma reformulação no site e na plataforma para celulares à criação de mais benefícios.
São medidas que a empresa acredita que devem facilitar também a vida da faixa majoritária de clientes, que são os corporativos.
“Com o mercado difícil, a gente quer cuidar melhor do nosso cliente. Para isso olhamos o que se faz fora do Brasil e ouvimos os nossos clientes”, disse Mattar.
Segundo ele, a empresa investiu R$ 10 milhões nas mudanças. “A Localiza também está tomado várias iniciativas para que nossos preços fiquem mais próximos do mercado a da demanda do consumidor. Em outras palavras, significa baixar tarifas em muitos casos”, disse o empresário. No fim de semana, por exemplo, as tarifas podem cair; assim como pedidos de aluguel feitos com mais antecedência. As tarifas podem variar, em alguns períodos e regiões, até 35%.
Para se preparar para um mercado afetado pela retração, a Localiza, segundo Mattar, já vinha também preparando suas finanças. No ano passado, concluiu negociações para alongar sua dívida, atualmente em R$ 1,42 bilhão. Entre este ano e 2018, os vencimentos somam R$ 1 bilhão. A empresa tem em caixa R$ 1,28 bilhão.
No terceiro trimestre, a Localiza registrou lucro de R$ 102,9 milhões, um aumento de 1% em relação ao mesmo período de 2014.
Fonte: Valor Econômico

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