Movida bate metas e tem apenas Localiza na frente

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Renato Franklin, da movida, aposta em serviços e frota de maior valor agregado (Foto: Divulgação)
O grupo JSL precisou de menos de dois anos para transformar a Movida, comprada em 2013, na vice-líder em locação de veículos no Brasil, passando Unidas, Locamérica, Hertz e Avis Budget. Com a abertura de capital e a líder Localiza no radar, a empresa quer manter o ritmo que a levou a R$ 1 bilhão em receita anual.
“A gente está criando um mercado de veículos, atraindo consumidores que não alugavam carros”, disse o diretor-geral da Movida, Renato Franklin, citando o incremento de demanda gerada por usuários de fim de semana, turistas domésticos e internacionais. “Não precisamos necessariamente tirar clientes da concorrência para crescer”.
A receita da Movida é espalhar lojas pelo país, investir em tecnologia para reduzir a menos de dez minutos o tempo de entrega ou devolução de carros no balcão e apostar em frota sofisticada de carros, com modelos como o HB20, da Hyundai, em vez de Gol e Palio, de Volkswagen, Fiat.
Quando a JSL comprou a Movida, ela tinha 29 lojas e 2,4 mil carros; hoje são 146 lojas e 51 mil veículos, mais 13 vendedoras de seminovos. Ficaram para trás Unidas (41,6 mil carros e 221 lojas) e Locamérica (30 mil carros e 30 lojas). A Localiza segue bem adiante, somando 117,5 mil carros, mais rede de atendimento que reúne no Brasil 314 lojas próprias, 176 franqueadas, mais 67 unidades no exterior e outros 78 pontos de venda de seminovos.
Uma distância que a Movida quer encolher. “Estamos abrindo duas lojas por semana”, disse Franklin, que vai agregar o sistema de franquias aos pontos de venda próprios. Apenas duas unidades são de franqueados. “Nas cidades com menos de 200 mil habitantes podemos usar mais a franquia”.
A meta da JSL para a Movida este ano era atingir receita líquida de serviços entre R$ 650 milhões e R$ 700 milhões. Mas já entre janeiro e setembro, a locadora bateu R$ 618,3 milhões. Mantida a taxa de expansão, de 90,6% na comparação anual, a empresa fecha 2015 com mais de R$ 800 milhões em receita líquida de serviços.
Se somado o faturamento da venda de seminovos (foram 5,8 mil carros comercializados entre julho e setembro), a receita bruta atingiu nos doze meses encerrados em setembro R$ 1,1 bilhão, ou mais 154% que um ano antes.
O ritmo de expansão da Movida levanta dúvidas entre analistas de mercado sobre a rentabilidade da operação. O diretor da companhia diz que os investimentos na plataforma tecnológica, em serviços e frota de maiores valores agregados permite praticar preços acima da média de mercado. A empresa fechou o terceiro trimestre com margem ante lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida) de 40,2% em locação. No mesmo período, a Localiza teve margem Ebtida de 42,3%.
As diárias médias cobradas por Localiza e Movida se aproximaram no terceiro trimestre deste ano, sinalizando um enfrentamento maior entre a líder e a novata. Há um ano, a Movida tinha diária média de R$ 91,50, ante R$ 88,23. Entre julho e setembro de 2015, esses preços caíram para 86,30 e 85,93, respectivamente.
A Localiza diz que está buscando estimular a demanda com tarifas promocionais por causa do atual cenário macroeconômico e também maior competição.
A Movida ainda vê espaço para ampliar a rentabilidade. “Nossa margens ainda são muita impactadas pelo fator crescimento”, diz Franklin. Segundo ele, por ser novata, a marca precisa de uma frota menos enxuta do que a operação pode permitir. “Não podemos correr o risco de não ter o modelo de carro que o cliente quer”, diz o executivo.
Por isso, a taxa de ocupação da Movida, de 60,7% no terceiro trimestre deste ano, segue abaixo da taxa de utilização da líder Localiza, que ficou em 70,7% entre julho e setembro.
A líder Localiza também está mais agressiva no varejo. O diretor de finanças e de relações com investidores da empresa, Roberto Mendes, projeta para este quarto trimestre explorar mais a demanda de aluguel de carroscomo alternativa para atenuar o impacto da recessão sobre a demanda por frota de empresas.
Segundo ele, o segmento de varejo tem uma resposta mais direta e maior a preços e promoções que a demanda empresarial, que aluga frotas, por exemplo.
A Movida, que já é comandada de um escritório na Zona Sul da capital paulista, longe da sede da JSL, em Mogi das Cruzes (SP), descarta uma abertura de capital no curto prazo. “Por enquanto, nosso foco é no crescimento”, disse Franklin, quando perguntado sobre o momento do IPO.
Fonte: Valor Econômico – Impresso

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