Modelos de luxo ganham espaço nas locadoras de veículos do país

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As locadoras líderes do país aumentaram a oferta de carros de luxo para atender uma nova e crescente demanda. As vendas de diárias nesse segmento ainda são marginais para redes como Localiza, Movida e Unidas, mas ganharam fôlego ao longo de 2015 e devem manter a tendência neste ano, apontam executivos dessas companhias.
Mesmo com uma diária custando até seis vezes mais que a locação de modelos básicos, que giram ao redor de R$ 100, o aluguel de veículos de luxo tem demanda de executivos de grandes companhias, funcionários de multinacionais em temporada de trabalho no Brasil e mesmo de brasileiros com maior poder aquisitivo que trocaram viagens ao exterior pelo turismo doméstico ou simplesmente querem experimentar um modelo. Esses perfis estão alimentando esse segmento a uma expansão de três dígitos nas locações.
“A demanda por carros de luxo está crescendo, até refletindo uma mudança no perfil de consumo do brasileiro”, diz o diretor-presidente da Localiza, Eugênio Pacelli Mattar, da maior locadora do país, que em novembro de 2015 lançou o serviço Localiza Prime, com modelos Volvo S60 Kinetic e BMW 320i GT.
Além da criação do novo grupo de carros, a Localiza reforçou a oferta do segmento Executivo Luxo, com a compra de modelos Ford Fusion. Contando os veículos novos dos dois grupos, a rede adquiriu 800 carros de luxo para locação. Ainda pouco, levando em conta que entre janeiro e setembro – últimos dados disponíveis – a empresa comprou 49 mil carros. No total, a companhia soma frota de 117 mil veículos, numa rede de 490 lojas.
“A Localiza usa esses segmentos para ampliar o leque de opções a experiência dos passageiros”, disse Mattar, apontando que a oferta maior de carros de luxo faz parte do amadurecimento do mercado de locação de veículos no país.”
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A demanda por carros de luxo reflete uma mudança no perfil de consumo do brasileiro”, diz Mattar, da Localiza (Foto: Silvia Costanti/Valor)
Parte dessa construção de mercado passa pela Movida, empresa controlada pela JSL, que passou a operar de forma independente apenas em 2014 e rapidamente assumiu a vice-liderança na locação de automóveis no Brasil. “Estamos crescendo sobre uma base nova de clientes”, diz o presidente da Movida, Renato Franklin. “E o segmento de luxo atrai um público que não costumava alugar carro porque esse mercado estava associado a modelos básicos e comerciais”.
Com uma frota de 55 mil veículos, a Movida usa perto de 500 modelos de luxo, entre Audi A3, Audi A4 e Mercedes C, para atrair atenção de clientes nos principais endereços da rede, de 156 lojas. “Estamos atendendo uma demanda que pede carros que tenham status”, diz Franklin.
A concorrente Unidas, terceira maior do país, afirma que do lado das montadoras o interesse também aumentou. “As montadoras estão mais interessadas em vender por esse canal”, diz o diretor comercial da Unidas, Paulo Chequetti, citando a Audi como “a montadora que mais tem apetite para esse segmento”.
Em julho de 2014, a Unidas lançou o grupo “Super Luxo”, com modelos Audi A4 2.0. O plano em 2016 é ampliar o leque de opções, com modelos A5 e concorrentes semelhantes. “Estamos estudando mais opções dessa mesma montadora ou de outras”, disse Chequetti, que opera uma rede de 221 lojas. A empresa comprou 18 mil veículos nos nove primeiros meses de 2015.
O executivo disse que a categoria luxo no mercado brasileiro chegou para ficar porque faz parte de um processo de amadurecimento do mercado brasileiro. “Há uma década, tínhamos quatro grupos de carros. Hoje temos 17 alternativas”, disse Chequetti. A frota da companhia soma 42 mil unidades.
Entre os clientes que mais alugam carros de luxo, o diretor da empresa cita clientes globais, como IBM e Siemens, que trazem estrangeiros ao Brasil a trabalho, além do turista brasileiro acostumado a ir ao exterior, mas que passou a viajar internamente por conta do câmbio, “que está acostumado a um patamar superior ao que a frota nacional oferece”.
 
Fonte: Valor Econômico

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