Medo aquece mercado de carros blindados no Rio; veículos estão em falta

O mercado de veículos blindados está tão aquecido no Rio de Janeiro durante os Jogos Olímpicos que as locadoras da cidade estão “importando” carros de outros estados para suprir a demanda. Os modelos mais procurados não são as luxuosas caminhonetes Land Rover, nem os sedans da Mercedes e BMW. O best-seller são minivans de sete lugares.

Proprietário da Prime, Anderson Cristiano conta que a frota de 38 carros se esgotou e no último final de semana recebeu outros 16 veículos de São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. Todos estão alugados. A escassez é tanta que ele diz ter sido procurado pela Localiza porque a gigante do setor queria sublocar a frota de sua empresa.

Também não adiantaria tentar alugar veículos na Turismo Classe A. Roberto Loureiro, diretor comercial, explica que alugou os 30 automóveis que tinha a disposição e outros 10 que ainda chegarão de São Paulo antes da abertura da Olimpíada. E ainda há 15 negociações em andamento.

O executivo afirma que a procura por veículos blindados para o período do evento começou ano passado e em dezembro havia poucas unidades disponíveis. Agora, os preços subiram, e não foi pouco.

Os empresários do setor explicam que nos melhores meses metade da frota é alugada. O número de veículos blindados no Rio na comparação com São Paulo ajuda a entender como a demanda está aquecida. Na cidade-sede dos Jogos Olímpicos há 8,1 mil carros conforme o Exército. Na maior capital do país, há 51 mil.

A lei da oferta e procura se refletiu nos preços. Um sedan para o dia de abertura das Olimpíadas está custando R$ 5 mil. O preço normal é de R$ 1,5 mil – aumento de 233%. Loureiro justifica que precisa cobrir os gastos para o veículo chegar ao Rio, remunerar o proprietário na cidade de origem e ter sua margem de lucro

A violência é o motor da corrida por carros blindados explica Anderson Cristiano, dono da Prime. Ele declara que ao pegar os clientes no aeroporto é questionado sobre a segurança no Rio de Janeiro. Notícias como a Força Nacional de Segurança ser enquadrada por milícias são citadas por interessados em veículos a prova de balas.

As locadoras tomam seus cuidados e fornecem motorista bilíngue para evitar que as pessoas acessem áreas críticas do Rio. Desta maneira, garantem que a direção estará com alguém que conhece a cidade e impedem que atalhos sugeridos pelo Waze, Google Maps e outros aplicativos levem os turistas para locais de risco.

Os veículos locados vão transportar familiares de atletas, cartolas, membros de missões diplomáticas, equipes de jornalismo e executivos – estes últimos, o público tradicional de carros blindados. A maioria das empresas é procurada para fechar pacotes de duas semanas, que começam na véspera da abertura das Olimpíadas.

Gerente comercial da Elve, Ednaldo Gonçalves diz que muitos turistas relatam ter cortado luxos durante a estadia no Rio para conseguir bancar um carro blindado. Os veículos contam com blindagem até o nível A3, que oferece proteção contra tiros de armas de mão – pistola e revólver.

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