Locadoras trazem muitas oportunidades para montadoras

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Recente medidas do governo federal para incentivar a indústria automotiva são insuficientes para reverter o desempenho do setor nos próximos meses, segundo disseram presidentes de montadoras para a agência de notícias Reuters. “Temos que atuar nos problemas estruturais para não ter que usar formulas de estimulo ao consumo momentâneo”, disse o presidente da PSA Pegeout Citroen, Carlos Gomes, em evento no Rio de Janeiro.
O presidente da Anfavea, Luiz Moan, disse que as medidas de ampliação do crédito para o financiamento de veículos ainda não apareceram, mas espera uma reação do mercado até outubro. Segundo Moan, a perspectiva é que o estoque do setor encerre o ano perto de 30 dias, contra os atuais 42 dias. “O choque de liquidez só começou a ser operacionalizado na última semana de agosto. Em setembro e outubro veremos acontecer”.
Paulo Nemer, presidente do Conselho Nacional da ABLA, aponta mais um caminho para amenizar os estoques: o desenvolvimento e a ampliação de parcerias das montadoras com o setor de locação de veículos. “O setor de aluguel de veículos traz muitas oportunidades para as montadoras, novas ou antigas, e o aproveitamento dessas oportunidades por parte das montadoras reflete diretamente em aumento de participação de mercado de cada uma delas, não apenas dentro do nosso setor, mas no mercado como um todo”, diz Nemer.
Desde junho, o governo adiou a alta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na compra de carros novos, flexibilizou regras de depósitos compulsórios de bancos e anunciou mudanças que darão maior garantia a credores em empréstimos, que podem ajudar o setor responsável por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Na semana passada, a Anfavea, associação das montadoras, anunciou que a produção de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus de janeiro a agosto caiu 18 por cento ante igual mês de 2013. As vendas diminuíram 9,7 por cento em igual base, refletindo a economia fraca a menor oferta de financiamentos. “Claro que a política de IPI não é suficiente. É para um momento de mercado. Temos que pensar em questões fundamentais e estruturais”, afirmou o presidente da Nissan, François Dossa.
A elevada carga tributária e complexidade do sistema de impostos no país foram apontados a como temas centrais que precisam ser combatidos para alavancar o setor e tornar o país mais competitivo internacionalmente. “Temos muito vilões que nos impedem de vender mais no Brasil. O primeiro é a carga tributária”, disse Gomes. Esses problemas deixam o Brasil em desvantagem ante mercados como Turquia e México, que estão atraindo grandes multinacionais, disse Dossa, da Nissan.
fonte: ABLA e Reuters

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