Locadoras de veículos preveem estagnação

Associação do setor aponta que o encolhimento do segmento aconteceu em 2015. Agora, a expectativa das empresas desse mercado é acumular poucas perdas
 
 
Ano passado segmento enfrentou uma onda de cancelamento de contratos e redução de trabalhadores

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Ano passado segmento enfrentou uma onda de cancelamento de contratos e redução de trabalhadores (Foto: Dreamstime)

São Paulo – Apesar da redução de gastos por parte das empresas e dos consumidores, quem atua no segmento de locação de automóveis segue otimista, com a expectativa de que 2016 seja um ano de estabilidade, mesmo com cenário desfavorável.
Segundo o presidente do Conselho Nacional da Associação Brasileira de Locação de Automóveis (Abla), Paulo Nemer, o encolhimento que o setor tinha de enfrentar aconteceu em 2015 e agora a expectativa das locadoras é que se acumule poucas perdas neste ano.
Ano passado, o segmento enfrentou uma onda de cancelamento de contratos com empresas que alugavam frotas, além do enxugamento do contingente de trabalhadores. Em 2015 houve uma redução 21% na quantidade de vagas em comparação proporcionalmente a 2014; mas no total, o setor gerou 472.113 empregos diretos e indiretos no ano anterior.
A escassez de crédito também provocou aumento da idade média das frotas para 19,5 meses. Em 2014, a idade média era 18 meses. Conforme a instituição, o ideal para as locadoras, montadoras, e concessionárias seria o caminho inverso, pois a diminuição da idade média da frota implica na quantidade de veículos novos comprados pelo setor.
Mesmo assim, em 2015, das 2.480.529 unidades licenciadas (dados da Anfavea), 338.840 foram paralocadoras de veículos o que representa 13,66% sobre os veículos produzidos, fazendo do setor um dos maiores compradores de carros da indústria automotiva. Em 2014, o setor havia sido responsável por absorver 415.007 unidades, equivalentes a 12,45% do total de 3.333.397 automóveis e comerciais leves licenciados naquele ano.
Terceirização
Hoje, a terceirização de frota representa 56% do total das locações da empresa. “A maior parte do faturamento vem desses contratos. Era para ter sido um resultado pior, mas na mesma medida em que muitas empresas cancelaram os contratos de aluguel conosco, muitas venderam suas próprias frotas para levantar capital e economizar com a terceirização”, afirmou Nemer.
O turismo de lazer cresceu 23% contra 18% no ano passado. Já o turismo de negócio caiu para 21% ante 25% em 2014. “Esses números são reflexos do que vivemos na economia. A disparada do dólar ajudou a compensar as locações diárias do turismo de lazer, já que temos mais pessoas viajando dentro do Brasil do que fora. Por outro lado, para cortar custos, as empresas reduziram as viagens a trabalho, feiras e eventos; com isso, tivemos uma queda na locação de turismo de negócio”, explicou.
Ana Paula Kuba Ide, diretora de marketing da locadora Hertz, concorda e diz que a companhia tem procurado no momento investir no segmento de lazer, já que o mercado está favorecido por conta valorização cambial do dólar e no segmento corporativo, tem atuado para manter vantagens e preços competitivos.
A locadora tem procurado investir em ações promocionais, como programa de fidelidade que permite ao cliente economizar ao acumular pontos, ao ampliar a rede de empresas parceiras para oferecer vantagens e descontos no aluguel de carro.
“Notamos aumento expressivo na busca por vantagens e promoções, pois percebemos que o cliente está mais atento e pesquisando as tarifas e condições. Neste contexto, o faturamento da Hertz, considerando apenas o segmento de promoções, triplicou no ano passado”.
Questionado se as Olímpiadas de 2016 poderiam impulsionar o mercado, Nemer foi claro ao falar que o evento pode favorecer algumas empresas, mas será algo pontual e sentido no Rio de Janeiro. “Provavelmente não terá relevância no balanço de 2016”.
Mercado
O setor fechou 2015 com faturamento R$ 16,2 bilhões, ante R$ 14 bilhões em 2014. A frota representa 853.217 mil veículos no País inteiro, administrados por 7455 locadoras e 8626 pontos de vendas.
Elaine Coutrin
Fonte: DCI

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