Lazer e venda de seminovos sustentam setor de locadoras

A venda de seminovos e o aluguel para o turista doméstico de lazer ajudaram as locadoras de veículos na travessia do recessivo 2015, com aumento de receita, mas desaceleração de lucro. Para 2016, as maiores companhias do setor avaliam que essa tendência permanece.
“O ano não vai ser melhor que 2015. A diferença é que estamos mais preparados”, disse o presidente da Unidas, Pedro de Almeida. A terceira maior companhia do setor de locação de veículos teve crescimento de 13,5% na receita líquida, que atingiu R$ 1,125 bilhão – um avanço determinado pela venda de seminovos, que subiu 24,3%, a R$ 521,5 milhões.
Os juros elevados levaram mais brasileiros a comprar carros usados em vez de veículos novos. A venda de usados mostraram estabilidade em 2015 em relação a 2014, com 13,4 milhões de unidades vendidas. A comercialização de novos caiu 26,5%.
Na locação, a Unidas ampliou receita líquida em apenas 5,5% ao longo de 2015, somando R$ 603,5 milhões e o lucro líquido caiu 7% para R$ 44,6 milhões. “Quando investimos na frota, no começo de 2015, pensamos que a crise não seria tão profunda. Só no último trimestre, quando nossa frota estava mais ajustada, conseguimos uma melhor taxa de utilização”, afirmou Almeida, citando que entre outubro e dezembro a utilização média da frota subiu 2,3 pontos percentuais, a 75,1%.
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Almeida, presidente da Unidas, fala de 2016: “Estamos mais preparados” (Foto: )

A empresa quer agora usar essa oferta mais equilibrada com a demanda para ganhar clientes no segmento de lazer. “Vamos aumentar nossa rede pelo menos no mesmo ritmo de 2015”, disse Almeida, sobre a rede de atendimento, que ganhou 38 novas lojas, passando a somar 94 pontos.

A Localiza também vê espaço para aproveitar a rede de lojas para ganhar clientes. Especialmente porque a líder no país prevê quebra de concorrente menores. “Quase metade do mercado é de pequenas locadoras. Muitas delas não vão chegar ao fim do ano”, disse o diretor de finanças e de relações com investidores da marca, Roberto Mendes.
No 2015 consolidado, a Localiza teve queda de 2,6% na receita com aluguel de carros, que foi de R$ 1,317 bilhão. Mas no último trimestre do ano houve crescimento de 0,4% na comparação com o período entre outubro e dezembro de 2015. É que o real mais barato em relação ao dólar tem levado cada vez mais brasileiros a trocarem férias no exterior por viagens no Brasil.
As viagens em território nacional podem receber impulso extra neste ano. Além do câmbio, “ainda temos Jogos Olímpicos”, diz Almeida, da Unidas, que em parceria com a Nissan será a fornecedora oficial de veículos da Frota Olímpica, responsável pela locomoção dos atletas, delegações, comitês, árbitros e material esportivo.
Segundo dados mais recentes do Banco Central, em janeiro desse ano, os estrangeiros gastaram aqui no país US$ 650 milhões, ou 15% mais que no mesmo mês de 2015. Já as despesas de brasileiros no exterior caíram 62%, para US$ 840 milhões.
A Movida, segunda maior locadora do país, também está de olho nesse movimento e quer ganhar fatia no segmento de locação para lazer. “No fim de ano chegamos a registrar 45 mil novos clientes por mês”, disse o diretor geral da companhia controlada pela JSL, Renato Franklin.
A Movida teve em 2015 receita bruta de R$ 717,9 milhões, aumento de 78%. Mas o crescimento mais forte foi com a venda de seminovos, com expansão de 328,5%, chegando a R$ 582,7 milhões.
A companhia comprou 8.893 carros e vendeu 6.517. “Há cidades que temos interesse em entrar, com lojas de seminovos também”, disse Franklin, que ano passado, abriu 74 lojas para locação e dez unidades de seminovos, somando 156 e 23 pontos, respectivamente.
Na Ouro Verde, empresa com sede no Paraná de locação de veículos, máquinas e equipamentos, a venda de ativos usados também cresceu mais rapidamente que o ritmo da locação.
Enquanto os serviços de locação aumentaram 16,7%, para R$ 796,2 milhões, as vendas de ativos subiram 31,5%, a R$ 185,7 milhões. “Os juros para veículos e principalmente bens de capital novos aumentaram muito em 2015”, disse o presidente da Ouro Verde, Karlis Kruklis, apontando um fator que levou à maior demanda por usados no país.
Os juros elevados afetaram em 2015 o resultado líquido da Ouro Verde, que teve queda de 50,3% no lucro líquido, a R$ 8,9 milhões. “A queda do lucro foi basicamente despesa financeira, com a alta da Selic, que agora tende a se estabilizar ou subir marginalmente”, disse Kruklis.
Segundo o presidente da Ouro Verde, em 2016 vai crescer o número de empresas que optam por trocar veículos próprios por contratos de locação. “É uma forma de gerar caixa e liberar balanço para crédito, por exemplo. Nesse sentido, a crise é positiva para nós”.
A Locamerica, quarta maior do setor, conseguiu ampliar a receita em 2015, mas reportou retração de lucro por causa do aumento das despesas financeiras, da maior depreciação dos veículos e de provisão para devedores duvidosos. A empresa teve receita líquida de R$ 708,2 milhões, 12,6% mais que 2014, mas o lucro de R$ 18,6 milhões foi 25,1% menor que o do ano anterior.
Em 2016, a prioridade é diminuir a relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ante o crescimento de participação de mercado. A meta da empresa é diminuir a alavancagem, que encerrou em 2,85 vezes em 2015, para uma relação na casa de 2,5 vezes, disse o diretor financeiro e de relações com investidores, Carlos Wollenweber.
Fonte: Valor Econômico

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