Governo não deverá prorrogar benefício do IPI

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Apesar do desejo da maioria das montadoras de prolongar a redução do IPI em 2015, o presidente da Anfavea, Luiz Moan, afirmou nesta quinta-feira, 06, que a decisão do governo é de que o decreto que prevê o fim do benefício em 31 de dezembro deste ano será cumprido. Ele afirmou que já teve “algumas reuniões” com o governo após as eleições e que “o posicionamento do Executivo é claro: a partir de janeiro, terá aumento do IPI”. Moan informou, contudo, que vai lutar sempre pela redução da carga tributária para o setor.
Paulo Gaba Jr., conselheiro da ABLA e presidente da FENALOC, coloca outras questões interessantes a respeito do tema. “De quê adianta reduzir o IPI para incentivar vendas, sem que haja financiamento”, pergunta ele. De quê adiantam feirões de fábrica para vender carros novos se os revendedores de usados têm mais de 80% dos financiamentos negados?
Segundo Paulo Gaba, a retração é clara e “temos um círculo que só será virtuoso se começar a girar”, afirma. “Para isso, precisamos de atenção no início da cadeia de consumo”. Para ele, mais importante que reduzir imposto (e imediatamente perder arrecadação) é garantir financiamento. “Tão importante quanto a venda de veículos novos são as de usados com mais de 5 anos, pois são estas que fazem a roda girar”, diz o conselheiro da ABLA, acrescentando que o reflexo da falta de financiamento de usados já foi sentido no setor de locação.
“O potencial de compra do setor de locação é tão grande que uma simples renovação de frota, em tempo menor, geraria uma arrecadação gigantesca. Isso não ocorrerá, no entanto, sem que a roda dos usados gire”, explica Paulo Gaba Jr. “Não somos revendedores de veículos, mas também não os colecionamos em nossas frotas. Sem conseguirmos vender nossos ativos, o consumo fica estancado”, acrescenta ele, lembrando que as locadoras são as maiores compradores de veículos novos do Brasil (e do mundo).
Mesmo com as quedas na produção (-16%), vendas (-8,9%) e exportação (-29,9%) de veículos no acumulado do ano até outubro, a Anfavea mantém as previsões para o fechamento do ano, mas com viés de baixa, afirmou Moan. Para a produção, a queda em relação ao ano passado continua de 10%, para os licenciamentos, em -5,4%, e para as vendas externas, em -29,1%.
fonte: DCI e ABLA

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