Toyota busca formas de ampliar produção no país

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De Valor Econômico

“Eu gostaria de trabalhar em mais sábados”. A declaração, vinda da boca do presidente da Toyota na América Latina, Steve St. Angelo, pode soar estranho num momento em que as montadoras fazem de tudo para adequar a produção a um mercado menor e com estoques nas alturas.
Mas, no caso da marca japonesa, a empresa realmente tem conseguido resistir à crise que atingiu o setor neste ano. Entre janeiro e abril, quando as vendas de carros no país caíram 4,5%, os volumes da Toyota subiram 3,3%, como resultado, em grande parte, da investida do grupo no mercado de carros compactos a partir da produção do Etios em Sorocaba, no interior paulista.
St. Angelo, que assumiu os negócios da Toyota na região há cerca de um ano, ainda comemora listas de espera que chegam a dois meses pelo Etios na Argentina. Com alguns ajustes para otimizar os processos industriais, mais jornadas extras de trabalho – incluindo sábados -, ele diz que a empresa conseguiu ampliar de 70 mil para 80 mil carros a capacidade de produção anual de cada uma de suas fábricas. A outra linha está instalada em Indaiatuba, também no interior de São Paulo, onde é montado o sedã Corolla.
Há espaço para expandir essa capacidade para mais de 100 mil carros por ano, mas o executivo americano diz que essa possibilidade esbarra em uma de suas principais preocupações: o alto custo de produção no Brasil. “Para fazer isso, eu preciso diminuir o meu custo”, afirma.
Ontem, St. Angelo recebeu jornalistas num pouco comum “bate-papo” da fabricante com a imprensa em um restaurante na zona sul da capital paulista. Também estiveram presentes a diretora de comunicação da empresa na América do Norte, Julie Hamp – terceira mulher mais influente da indústria automobilística dos Estados Unidos, segundo a Fortune – e Mark Hogan, diretor da Toyota Motor Corporation, que chegou a comandar a General Motors (GM) do Brasil nos anos 90.
Tanto St. Angelo como Hogan chegaram à montadora após a histórica decisão tomada pelo grupo, há um ano, de escalar não japoneses em postos de comando. Sob a batuta de St. Angelo estão 44 mercados explorados pela Toyota na América Latina e na região do Caribe. O Brasil, contudo, exporta carros para apenas um desses destinos: o combalido mercado argentino.
Segundo o executivo, atender aos demais países a partir de uma fábrica no Mississippi, nos Estados Unidos, fica cerca de US$ 5 mil mais barato do que pelo Brasil – por mais que a fábrica brasileira tenha condições de atender aos padrões de qualidade dos mercados mais exigentes.
Assim como avaliam seus colegas na indústria, St. Angelo acredita que o Brasil perde a competição no alto custo de produção e deficiências na infraestrutura. Com os investimentos em curso, a capacidade da indústria automobilística nacional vai passar de 6 milhões de veículos nos próximos três anos, cerca de um milhão de unidades a mais do que o consumo doméstico. Ter condições de exportar será, portanto, vital para a sobrevivência das empresas. “Teremos que aprender a exportar ou teremos que fechar fábricas”, diz o executivo, que ainda diz “sonhar” em produzir no país carros híbridos como o modelo Prius.
Fonte: ABLA

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