Sudeste concentra 45% das viagens de avião feitas pelos brasileiros

Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (22) pela Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República (SAC) revela que o Sudeste concentra 45% das viagens de avião feitas pelos brasileiros. O fluxo na região é seguido por Nordeste (21,5%), Sul (14,4%), Centro-Oeste (12%) e Norte (7,1%).
O estudo, intitulado “O Brasil que voa – Perfil dos passageiros, aeroportos e rotas do Brasil”, foi feito em parceria com a Empresa de Planejamento e Logística (EPL). Ao longo de 2014, mais de 150 mil passageiros foram ouvidos nos 65 aeroportos responsáveis por 98% da movimentação aérea do país.
De acordo com a secretaria, trata-se do mais completo levantamento sobre transporte aéreo de passageiros já realizado no país. O detalhamento também servirá como subsídio para investimentos no setor e a implantação de novas rotas.
Perfil
A pesquisa mostra que a maioria dos passageiros de voos domésticos tem entre 31 e 45 anos, compra passagem com menos de 1 mês de antecedência e viaja para trabalhar ou estudar. A maior parte vai de táxi para o aeroporto, levando até uma hora no deslocamento, e gasta até R$ 50 enquanto espera pelo voo.
O estudo revela ainda que 45% dos passageiros ganham entre 2 e 10 salários mínimos, 6,1% ganham até 2 salários, 17,2% recebem entre 2 e 5 salários mínimos e 21,7% ganham entre 5 e 10 salários.
Para o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, os números mostram que o transporte aéreo está “democratizado” no Brasil, atingindo todas as faixas de renda. Um dos motivos, afirmou, foi a queda de 48% no valor das passagens nos últimos dez anos.
Rotas
São Paulo é o município de origem e destino da maior parte dos viajantes, sendo que a maioria utiliza o aeroporto de Guarulhos. A principal rota de voo dos brasileiros é São Paulo-Rio de Janeiro.
Já entre as cidades que ainda não têm voos diretos, as rotas mais desejadas são Rio de Janeiro (RJ)-Vila Velha (ES), Blumenau (SC)-São Paulo (SP) e Campo Grande (MT)-Rio de Janeiro (RJ).
O levantamento também indica que 252 municípios operariam novas rotas com 50% de ocupação das aeronaves, 172 cidades implantariam novos trechos com cerca de 70% dos assentos ocupados e 144 municípios receberiam novas rotas com 85% de lotação nos aviões.
Crescimento da demanda
Entre 2004 e 2014, o número de passageiros cresceu 170% no país, chegando a 117 milhões de pessoas no ano passado. Questionado se a crise econômica poderá frear os números no período do final do ano e de férias, o ministro da Aviação Civil respondeu que “crise é sinônimo de oportunidade”.
Segundo Padilha, a alta do dólar deverá fazer com que mais pessoas busquem destinos nacionais. Além disso, o cenário atual tende a atrair um número maior de turistas estrangeiros.
“Nós temos tido uma parceria excepcional com as operadoras aeroportuárias, com as companhias de aviação e temos criado condições para que o brasileiro continue viajando, tanto quanto viajava antes ou mais, porque os preços das passagens caíram, os destinos estão se multiplicando, as alternativas estão se multiplicando”, acrescentou.
Aviação regional
Durante a apresentação do estudo, o ministro voltou a defender a implantação do Programa de Aviação Regional, lançado em 2012 e que ainda não saiu do papel. A promessa era investir na reforma, expansão ou criação de 270 aeroportos de pequeno e médio porte, com prioridade para a região da Amazônia Legal.
Conforme Padilha, atualmente a secretaria trabalha na fase final de 100 projetos. Até o início de 2016, devem ser lançados os primeiros editais. Segundo ele, há “sensibilidade” do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para a liberação dos recursos necessários. No mês passado, o ministro da Aviação havia afirmado que, para iniciar os trabalhos, era preciso conseguir a liberação de R$ 50 milhões.
Uma das justificativas para o atraso na implantação do programa é que os projetos esbarraram na demora para obtenção do licenciamento ambiental. Como forma de resolver o problema, no mês de agosto, o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) reduziu de 2 anos para 6 meses o prazo máximo para a emissão de licenças ambientais dos aeroportos regionais no país.
Por Débora Cruz, do G1, em Brasília.

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