RJ: Folião samba com impostos de até 80%

A brincadeira de Carnaval é muito mais cara do que o folião consegue imaginar. Levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) confirmou que os impostos nacionais podem elevar em até 80% os preços dos produtos típicos dos dias de folia que alegram a festa de Momo.
Este ano, mais uma vez, o isoporzinho promete ser o principal apetrecho de quem vai brincar o Carnaval já que, segundo o estudo, o chope e cerveja são 62,2% e 55,6% mais caros, devido aos impostos cobrados. Também os sacolés alcoólicos devem voltar com força nos blocos de rua, tendo em vista que a caipirinha é a campeã em impostos, com o índice de 76,66%.
“A elevada tributação nos produtos típicos do Carnaval se deve ao fato de serem produtos considerados supérfluos pelo governo”, diz João Eloi Olenike, presidente-executivo do instituto. O empresário Cláudio Azevedo, 44 anos, considera que a taxação prejudica tanto o comerciante, que vende menos, quanto o cliente que paga mais caro pelo produto. No entanto, mesmo já com as taxas elevadas, ele diz que bares e restaurantes exageram nos preços.
“Uma cerveja especial que custa cerca de R$ 11 no supermercado, sai por R$40 no bar. O chope não fica atrás. Mesmo aqueles de marca nacional não saem por menos de R$ 8”, afirma, apontando que neste Carnaval o que vai imperar é a bolsa térmica. “Vale muito a pena, sai bem mais barato”, afirma.
Conforme o estudo, roupas e acessórios também têm elevada carga tributária. No caso da máscara de plástico, chega a 43,93% do preço. O modelo de lantejoulas sofre taxação de 42,71%. A tributação sobre fantasias chega a 36,41%.
Ainda segundo o levantamento do IBPT, os impostos sobre um pacote que inclui hotel, transporte e ingressos para acompanhar os desfiles das escolas de samba são de 36,28% do preço. Já os tributos sobre a passagem aérea chegam a 22,32%.
Só em 35 dias, R$ 212 bi foram pagos
Só nos primeiros 35 dias de 2015, o brasileiro já pagou R$ 212,7 bilhões em impostos. No ano passado, essa quantia foi de R$ 1,8 trilhão, segundo o presidente-executivo do IBPT, João Eloi Olenike.
“A nossa carga tributária só aumenta, devido aos desmandos do governo. O retorno à sociedade do que é arrecadado é pífio”, contesta Olenike.
Auxiliar de contabilidade, Helenice Tavares, 49 anos, também reclama dos tributos elevados. “Acho um absurdo a gente pagar tanto imposto na cerveja. E no Carnaval, o preço vai nas alturas. Também sou contra os bares cobrarem tão caro. Uma cerveja que custa R$ 4 no supermercado sai por R$ 12 na rua”, compara Helenice.
Por Aurélio Gimenez, do O Dia.

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