Redução de investimentos no País faz setor de serviços crescer menos

O setor de serviços iniciou 2015 com crescimento de 1,6%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o menor valor da série, iniciada em janeiro de 2012. Em dezembro, o avanço havia sido de 4% e em novembro, de 3,7%. No ano, os serviços acumulam alta de 1,6% e, em 12 meses, de 5,4%.
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Ao DCI, o diretor da K&G Sistemas e professor de vendas e marketing da Business School São Paulo, Enio Klein, afirmou que a área de serviços é a primeira a ser atingida por crises e suas perspectivas, principalmente quando o governo diminui ou suspende seus investimentos.
“Quem mais sofre são as pequenas empresas já que passam de parceiros a concorrentes das empresas maiores”, declarou ele.
A respeito do levantamento mensal do IBGE, Klein informou que a pesquisa parece refletir o que a população sente no mercado, onde apesar de existirem oportunidades, elas estão em número bem menor do que em anos anteriores. “Pelo menos onde atuamos com maior intensidade, nas áreas de serviços de informática, telecomunicações e serviços técnico-profissionais”, finalizou.
Ele lembra que no levantamento do IBGE, em janeiro houve uma retração significativa também nos serviços de informação e comunicação. E tudo indica que empresas e governos de todas as esferas reduziram gastos em contratações, principalmente em serviço de informática.
Período inglório
Na opinião do professor de marketing digital da Faculdade Arnaldo, de Belo Horizonte (MG), Eduardo Braga Junior, se há retração na indústria, isso impacta no comércio e a ponta da corrente, que é o marketing, consequentemente fica travado. Segundo Braga Jr, os primeiros meses do ano são inglórios para o consumidor, que sofre com uma elevada carga tributária.
“Somado a isso, a ressaca monetária remanescente dos excessos no final de ano ainda deixam contas a serem pagas. Ainda assim vimos que o turismo teve um crescimento, mesmo que tímido devido ao período de férias escolares, mas até em regiões paradisíacas como estados do Nordeste deixaram de ganhar devido à distância do eixo de concentração de renda, que é a Região Sudeste”, afirmou o especialista.
Para o professor, ao colocar os dados da pesquisa do IBGE em uma estrutura macroeconômica fica fácil entender o baixíssimo crescimento do mercado. “Taxas de juros elevadas são multiplicadoras de dívidas. O resultado é a completa desaceleração da economia. E o setor de serviços sempre paga a conta”, finaliza ele.
Apesar da desaceleração em vários ramos da economia no setor, a pesquisa mensal apontou que houve picos de crescimento no balanço da área de serviços, com ênfase, aliás, naqueles prestados às famílias. O percentual dessa área avançou 8,6%, contudo a de serviços voltados para informação e comunicação caiu 2,5%.
Os serviços profissionais, administrativos e complementares tiveram alta de 5,3% e transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio, subiram 2,2%. Em serviços prestados às famílias, os de alojamento e alimentação viram crescimento de 8,6%.
Para analistas do IBGE, o preço foi o principal responsável pelo resultado positivo do item, por ser um mês de férias e devido ao fato de o setor estar crescendo em função de preços, mas não precisamente da demanda. “Os preços de ‘alimentação fora de casa’ ainda estão bem acima da média do IPCA [inflação oficial do País]”, afirmou o IBGE.
São Paulo
O crescimento nominal do setor aconteceu em 18 das 27 unidades da Federação em janeiro, ante igual mês de 2014. No entanto, em São Paulo, que responde por quase um terço da pesquisa, a alta foi de apenas 0,4%. O estado foi atingido pelo corte de gastos de empresas privadas.
Já os destaques de alta foram Rio Grande do Norte (9,2%), Ceará (7,2%) e Pará (6,6%), mas o IBGE ressalta que essas regiões foram impulsionadas pelo setor de turismo no mês de janeiro. O crescimento foi bem mais modesto nos locais com peso maior na pesquisa, como Rio de Janeiro (2,5%), Minas Gerais (2,0%) e Distrito Federal (2,8%).
Os Estados com retração nos serviços em janeiro foram Alagoas (-7,4%), Amapá (-4,7%), Roraima (-4,1%), Piauí (-3,2%), Sergipe (-3,1%), Acre (-1,6%) Maranhão (-0,8%) e Paraíba (-0,3%). O Amazonas não apresentou variação em janeiro de 2015 ante janeiro de 2014.
 
Fonte: DCI – Impresso

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