Por que vendi meu carro e fiquei mais perto da independência financeira?

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Por que vendi meu carro e fiquei mais próximo da independência financeira?

Sabemos que ter um automóvel hoje no Brasil pode causar um impacto absurdo no nosso orçamento.
Geralmente, quando ainda adolescentes, um de nossos maiores sonhos é a compra do carro próprio por diversos motivos:
– Sensação de liberdade e autonomia
– Símbolo de status
– Ter maior aceitação pelo grupo
– Poder viajar com os amigos e ir para festas
O automóvel foi fabricado para ser um bem de consumo durável. Ou seja, você compra, faz todas as revisões e, cuidando dele, poderá usufruir por décadas.
Infelizmente, a mídia nos persuade de forma a pensarmos que o carro deve ser trocado todo ano. E aqui entra o ponto mais crítico, que é o custo invisível do carro: a desvalorização.
Como sabemos, os automóveis são depreciados segundo a tabela FIPE e sofrem as maiores depreciações nos 2 primeiros anos. Ele se desvaloriza a uma taxa menor ao longo dos 4 anos seguintes até chegar em um valor “X” que tende a poucas variações.
Portanto, podemos muito bem já economizar aqui. Ou seja, tentar adquirir um veículo seminovo, bem conservado e pouco rodado, com cerca de 2 a 4 anos de uso, e a economia será enorme.

A minha decisão em relação ao automóvel

Para se ter uma ideia, comprei em 2014 um modelo 2009 bem conservado e pouco rodado, com todas as revisões feitas, por 34 mil reais. Se o carro fosse 0 km, teria de desembolsar mais de 54 mil reais.
É claro que o carro 0 km tem suas vantagens de garantia de fábrica e primeiras revisões gratuitas, mas, via de regra, comprar um veículo seminovo de boa qualidade normalmente vale mais a pena do que comprar um novo.
Entretanto, após 9 meses com o carro, decidi vendê-lo.
Antes disso, realizei algumas contas e simulações para saber se valeria a pena e comparei com um aluguel de automóvel.
É importante ressaltar aqui que todos esses exemplos são com relação aos meus gastos e condições pessoais. Cabe a cada um listar os próprios gastos para um comparativo mais preciso.
Desconsiderando os gastos com pedágio, estacionamento e gasolina, que eu teria em ambos os casos, coloquei no papel tudo que eu havia gasto no período com o meu automóvel para ter uma ideia de quanto ele me custava por mês. A conta surpreenderá vocês. Veja a lista de gastos:
1- Manutenção
2- IPVA
3- Seguro
4- Peças
5- Revisão
6- Depreciação
7- Multas
Além dos gastos, também devemos considerar:
8- Custo de oportunidade investindo em RF
9- Custo de oportunidade investindo em RV

Aluguel do automóvel

Na tarifa promocional de um carro comum com ar-condicionado, por quilometragem ilimitada e com desconto pela empresa, consegui um carro por 110 reais ao dia.
Como uso o carro apenas nos finais de semana, considerei que, na pior das hipóteses, saindo nos meus finais de semana de folga (que são 21 dias / 3 semanas) incluindo sexta-feira, eu teria 9 dias no total do mês (3 sextas-feiras, 3 sábados e 3 domingos). Portanto, teríamos 9 x 110 = 990 reais por mês.
Além disso, a cada 3 diárias que pago, recebo uma gratuitamente. Portanto, no mês, eu pagaria por 7 diárias e teria 2 gratuitas. Os gastos já cairiam para R$ 770,00.
Agora, listarei os meus gastos com o acompanhamento desde a compra do meu veículo até a data da venda:
Pedágio / estacionamento = R$ 719,00
Seguro parcelado em 4 meses = R$ 3.944,00
Combustível = R$ 2.231,00
IPVA = R$ 1.185,00
Multa = R$ 310,00
Lavagens = R$ 67,00
Mecânico / manutenção = R$ 2.158,00
Peças = R$ 1.142,00
Depreciação com a venda = R$ 2.000,00
Total = R$ 13.756,00 em 9 meses
GRAFICO
Agora, vamos comparar o gasto mensal de um automóvel e um carro alugado, sem considerar despesas com gasolina, pedágio, estacionamento e lavagem, pois acontecem em ambos, ok?
Lembrando que, na data da venda, o mercado estava disposto a pagar apenas 32 mil reais, e não mais os 34 mil reais que o carro valia na época. Mesmo que eu não vendesse, a depreciação já diminuiu o valor de mercado do meu automóvel.
Temos um total de R$ 13.756,00 que, subtraindo os gastos com combustível (R$ 2.231,00), pedágio/estacionamento (R$ 719,00) e lavagem do carro (R$ 67,00), daria um gasto de R$ 10.739,00 no período de 9 meses, ou R$ 1.193,22 mensais.
Portanto, ao comprar o carro, meus gastos foram de R$ 1.193,22 ao mês, enquanto, ao alugar meus gastos seriam de R$ 770,00. Ou seja, sobrariam R$ 423,22 todo mês que poderiam ser aplicados em excelentes investimentos para acumulação de patrimônio.

Vantagens do carro próprio

1- Possuir um bem desejado (por fatores emocionais e psicológicos)
2- Praticidade e liberdade para poder usar no dia a dia e em caso de emergências
3- Maior conforto em relação ao transporte público
4- Poder comprar o automóvel de acordo com seu perfil: esportivo, mais potente, com maior tecnologia, diferentes funcionalidades, etc.

Desvantagens do carro próprio

1- Alta depreciação
2- Alto custo de manutenção
3- Perda de custo de oportunidade em investir o dinheiro (valor alto imobilizado em um bem)
4- Preços exorbitantes no mercado, principalmente com impostos tão altos no Brasil
5- Se o carro for utilizado todos os dias, a depreciação e os gastos com manutenção são ainda mais frequentes e, portanto, maiores também.

Vantagens do aluguel

1- Cheiro de carro novo sempre
2- Poder dirigir vários modelos diferentes, alguns dos quais não seria possível adquirir por meio de compra
3- Não sofre impacto da depreciação do veículo
4- Custo de oportunidade de investir (ter o valor do veículo disponível para investimentos)
5- Com o clube de fidelidade, a cada 3 diárias, tenho direito a uma grátis (no seu caso, analise as opções de ofertas que a locadora de automóveis oferece)
6- Sem custo de manutenção
7- Não é necessário pagar o IPVA
7- Seguro já incluso no valor da diária
8- Carro sempre revisado por mecânicos da companhia
9- Se você usar o carro todos os dias da semana, existem pacotes promocionais e, assim, acumula mais bônus de fidelidade, conseguindo mais diárias gratuitas.

Desvantagens do aluguel

1- Necessidade de se locomover até a concessionária para buscar e devolver o carro
2- Necessidade de se programar com antecedência para quando for usar
Caso você lembre de alguma outra vantagem ou desvantagem para compra ou aluguel do veículo, comente ao final do artigo para discutirmos.

O impacto da compra do automóvel no orçamento

Para efeitos de cálculo de impacto da compra de um veículo no orçamento, levarei em conta todos os gastos que tive até a data da venda:
R$ 13.756,00 / 9 meses = R$ 1.528,00 mensais.
A princípio você pode achar o valor bem alto. A questão é que, como ele é diluído em pequenas parcelas, você acaba não percebendo. É o que chamamos de custo invisível.
Veja os campeões de gastos:
1- Seguro (28,67%) = 3944 / 13756
2- Combustível (16,21%) = 2231 / 13756
3- Mecânico/manutenção (15,68%) = 2158 / 13756
4- Depreciação (14,53%) = 2000 / 13756

Custo de oportunidade

Vejamos agora o custo de oportunidade de investir o dinheiro em uma aplicação.
Meu automóvel foi pago à vista, no valor de 34 mil reais. Porém, ao vender, recebi apenas 32 mil reais.
Se eu tivesse aplicado no fundo mais conservador de renda fixa que é o Tesouro Selic, estaria, hoje, rendendo 14,25% ao ano. Para efeitos de cálculo e com o IR na maior alíquota, teríamos
14,25 x 0,775 = 11,04% ao ano, ou 0,92% ao mês.
Também poderíamos alocar esse dinheiro em fundos imobiliários. Em uma carteira mesclada entre setores, inquilinos e contratos, é possível conseguir em média 0,85% a.m. Ou seja, uma renda mensal de R$ 272,00 (0,85% de 32.000) livre de imposto de renda. Claro que haveria alguma oscilação do patrimônio para cima ou para baixo, mais os R$ 423,22 que me sobraram por mês alugando o carro em vez de ficar com o automóvel. Ou seja, tenho R$ 695,22 a mais todo mês que podem ser reinvestidos.
Eu já investia antes de comprar o carro. Porém, ao vender automóvel e alugar quando necessário, eu tive a oportunidade de não apenas ter mais dinheiro todo mês, já que gasto menos com aluguel, mas também pude investir o valor do carro em fundos imobiliários (FIIs) para me gerar mais renda e, assim, ficar mais próximo de minha independência financeira.
Hoje, com o rendimento da renda fixa e dos FIIs, sou cada vez menos dependente do meu salário e trabalho. Após a venda do automóvel, minha renda passiva cresceu 400%.
Atualmente, minha renda recebida dos investimentos já é capaz de pagar por 10% do meu padrão de vida. E, conforme acumulamos cada vez mais patrimônio, chegamos mais próximos de nossa independência financeira. Chegará um momento em que a renda passiva se tornará suficiente para pagar 100% do meu custo de vida. E é isso que desejo a todos vocês.
Um grande abraço e bons investimentos!
Anderson Chaves
 
Fonte: Jornal do Dinheiro

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