Os piores erros dos empreendedores na hora de delegar

São Paulo – Quando uma pequena empresa começa a crescer é hora do empreendedor aprender a delegar, dividir tarefas com a equipe e até contratar novos funcionários. É neste momento que muitos empresários erram e impedem que o negócio se desenvolva.
Principalmente quando começam sozinhos, os empreendedores tendem a centralizar todas as tarefas da empresa e têm grande dificuldade em confiar as atividades a outras pessoas da equipe. Para Sonia Helena dos Santos, professora do MBA Executivo da FAAP, planejar a estrutura do negócio desde o começo é importante. “A maioria das pequenas e médias empresas não organiza sua estrutura a partir de um modelo de gestão que já esteja validado. Essa é a razão principal de muitos não conseguirem resultados através das pessoas”, opina.
Outro problema comum está relacionado ao perfil do empresário. Para Alexandre Rangel, sócio-fundador da Alliance Coaching, quando o empreendedor é muito técnico ele tende a ignorar a importância de conhecer gestão. “A primeira causa da dificuldade de delegar é ele não compreender muito bem o papel gerencial, ele sabe executar muito bem, mas não compreende quando tem que trabalhar com uma equipe”, diz.
O primeiro passo na hora de “largar o osso”, como diz Rangel, é saber o que pode ser delegado e para quem. Mais uma vez, quando a estrutura está bem definida é mais fácil fazer isso. “A delegação sempre é um desafio. Conforme a empresa vai crescendo, ele tem que tomar as decisões do que ele tem que parar de fazer e passar a outros a responsabilidade de realizar”, afirma Guy Cliquet, coordenador dos programas Certificates do Insper. Veja quais são os piores erros que os empreendedores cometem quando começam a delegar tarefas.
1. Contratar mal
O problema da delegação começa na contratação de novos funcionários. É neste momento que deve ficar muito claro quais serão as tarefas, responsabilidades e missão do novo integrante da empresa. “A contratação é crítica, é a primeira etapa do ciclo de desenvolvimento”, diz Cliquet.
Para Rangel, surge aí um erro grave que é delegar para quem não está pronto. “Muitas vezes o empresário assume que o funcionário deveria saber de algo, mas ele não está preparado nem foi treinado para aquilo”, diz.
2. Falta de clareza
Um erro grave na hora de delegar é não ser suficientemente claro. Isso cria atritos na comunicação e aumenta a chance de algo sair errado. “O problema é não definir claramente o que se pretende delegar. A pessoa vai delegando aos poucos, em partes, e não explica a totalidade daquela tarefa nem os resultados esperados”, diz Rangel.
Isso costuma acontecer também quando o empresário quer participar de todas as tarefas do processo. Ele delega metade e fica responsável pelo restante. “Isso começa a ficar difícil quando uma empresa atinge um porte já um pouco maior. O tempo do empreendedor começa a valer muito e ele precisa usar o tempo para atividades que tragam mais resultados. A vontade de participar de tudo que aparece começa a ser um empecilho”, indica Cliquet.
Outro erro que decorre da falta de clareza é não dar feedback. Dar um retorno ao funcionário é essencial para que ele permaneça engajado. “É uma das coisas mais difíceis para o brasileiro, que tem origem muito emocional. Nós somos passionais, e tudo vai para o pessoal”, diz Sônia.
3. A falsa delegação
É comum que os empreendedores usem a “falsa delegação”, ou seja, deleguem atividades que sempre precisam de sua aprovação ou supervisão. Nestes casos, o funcionário não tem autonomia nem responsabilidade. “Ao invés de se preocupar com o desempenho do colaborador, ele se envolve fazendo verificações ou direcionamentos o tempo todo”, diz Cliquet. Além de ser frustrante, o empreendedor e sua equipe perdem tempo desta forma.
Não dar autonomia para a pessoa realizar o trabalho acontece também por medo de perder o controle. “O empreendedor acha que vai ficar vulnerável e não vai ter o controle da qualidade“, diz Rangel. Isso ainda demonstra falta de confiança na equipe. “Essa falta de confiança está muito associada ao perfeccionismo”, afirma Rangel.
Por Priscila Zuini, de Exame.com.

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