Festa do Corpus Christi encanta turistas em Ouro Preto

Em vez de bandeiras brasileiras, Ouro Preto amanheceu com panos vermelhos nas janelas das casas centenárias. Não se trata de uma invasão de torcedores chilenos empolgados pela vitória contra a Espanha, mas sim da celebração católica de Corpus Christi.
Pelas ladeiras da cidade histórica, as pinturas de bandeiras brasileiras deram lugar aos tradicionais tapetes de serragem, que iam sendo pisoteados à medida que a procissão de fiéis e turistas seguia o seu caminho.
Cerca de 300 pessoas acompanharam o cortejo que cortou praças e paróquias por mais de duas horas. Em cada praça, uma pausa para a celebração que recebeu o olhar admirado dos turistas que deram uma pausa na Copa do Mundo para conhecer o patrimônio histórico ouro-pretano.
“Achei espetacular. Do que vi no Brasil até agora é uma das coisas mais belas. Valeu muito a pena ter vindo até aqui”, disse, entusiasmada, a australiana Zoe Wainscott, 27, que fez questão de acompanhar toda a procissão.
Da janela de casa, Eliza Ferreira da Silva, 80, olhava orgulhosa a procissão. Há 70 anos ela acorda às 2h30 em todo feriado de Corpus Christi para montar os tapetes de serragem. Mesmo já com a idade avançada, ela garante que vale a pena cada esforço para manter a tradição.
“Enquanto eu tiver saúde eu vou fazer. E a gente vai passando para filho e neto – daquele jeito, né, um fala pro outro, que fala pra aquele outro, e os tapetes vão continuando. O braço dói porque a gente fica navegando ele pro lado e pro outro, mas o santo fica feliz e santo é coisa muito boa que a gente não vive sem ele”, disse.
Se o trabalho de Eliza é montar o tapete, o de Maria Simoa, 60, é desfazer. Funcionária do setor de limpeza prefeitura, ela encarava o trabalho até com mais leveza hoje. “Trabalhar assim, fica até mais prazeroso”.
No fim da procissão, foguetes celebravam o corpo de Cristo em vez de gols, mas o Hino Nacional tocado pela banda deu luz à mistura entre religião e futebol, mostrando que o grito de Brasil ainda carrega muito da Terra de Santa Cruz.
Por Bernardo Miranda, do O Tempo;
Foto: Pedro Gontijo.

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