Empresas expandem parcerias com setor público

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De bancos a montadoras, passando por pequenos lojistas e startups de serviços: todas essas empresas têm em comum o fato de investir na bicicleta como tendência de mobilidade urbana. Seja por meio de parcerias com o poder público, seja apostando no ramo como fonte de lucro, companhias de todos os portes enxergam a bicicleta como um dos protagonistas no futuro das cidades.
“Apesar da crise e da falta de incentivo tributário, esse é um segmento que tem uma demanda crescente”, afirma Marcelo Maciel, presidente da Aliança Bike, associação de empresas do ramo ciclístico. O impacto da expansão das ciclovias e ciclofaixas, segundo ele, foi o ponto de virada. O movimento das lojas especializadas aumentou aproximadamente 20% no último ano. O segmento de serviços relacionados também se beneficiou. “Há todo um mercado nascente de empresas de assessoria esportiva, escolas de mecânica e de entrega por bicicleta, por exemplo”, afirma. De acordo com Maciel, são vendidas 4,5 milhões de bicicletas anualmente no país.
Dentre as grandes empresas que investem no setor, a GM é um exemplo: em março, a montadora lançou uma linha de bicicletas, que é vendida nas concessionárias da marca Chevrolet. O diretor de marketing Samuel Russell afirma que esse é um nicho que vem crescendo gradativamente. “Há um aumento significativo nas pessoas que usam a bicicleta para locomover-se durante a semana, além das que tradicionalmente já as usavam nos momentos de lazer”, diz.
A bicicleta como alternativa de transporte vem sendo adotada principalmente pelas novas gerações, ressalta Marcelo Maciel. “O incentivo de outras formas de transporte e o declínio do automóvel leva muitos jovens nascidos na virada do século a não ter mais o desejo de ter carro”, afirma. Por isso, as empresas precisam conectar suas marcas ao novo estilo de vida simbolizado pela bike, sustentável, saudável e limpo.
Desde 2011, o Itaú Unibanco investe em projetos de mobilidade urbana em grandes cidades. O projeto, que começou com o Bike Rio, em parceria com a prefeitura, se expandiu para 7 regiões metropolitanas e hoje tem como vitrine o sistema de compartilhamento de bicicletas. A superintendente de relações governamentais e institucionais Luciana Nicola explica que o investimento na mobilidade foi uma plataforma de mudança de políticas públicas, sem necessariamente buscar retorno financeiro. “O projeto surgiu de uma pesquisa sobre cidades sustentáveis, e de como investir na bicicleta como modal de transporte poderia trazer benefícios para toda a sociedade.”
Além de ser concessionário de prefeituras nos projetos de compartilhamento de bicicletas, o Itaú Unibanco investe em infraestrutura – construindo ou administrando bicicletários e paraciclos -, em projetos de capacitação de motoristas de ônibus e táxi em diferentes cidades para promover a educação no trânsito, e em consultoria para administrações públicas. “Com o compartilhamento de bicicletas, conseguimos reunir uma quantidade de dados muito relevante para fornecer às prefeituras e auxiliar o plano cicloviário”, diz.
O Bradesco Seguros também investe em projetos de educação e de estímulo ao uso da bicicleta. O “Movimento Conviva” promove, além de empréstimo de bicicletas na cidade de São Paulo com o projeto CicloSampa, patrocínio da ciclofaixa de lazer São Paulo, em parceria com a CET e Secretaria Municipal de Transportes. O programa inclui sinalização da ciclofaixa, incentivo à segurança no trânsito das bicicletas – com mais de mil fiscais-voluntários de semáforo – e o serviço SOS Bike de reparos gratuitos.
Fonte: Valor Econômico – Impresso

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