É um carro ou um computador? A nova tecnologia que nos conecta na estrada

Os desenvolvedores de software estão transformando os carros em computadores pessoais sobre rodas.
É claro que muita atenção ainda é dada à potência do motor, ao design e a oferecer ao motorista atrás do volante o maior conforto da era moderna: a capacidade de relaxar e deixar o carro assumir o controle. Mas, mesmo com a indústria automobilística acelerando em direção a um futuro de veículos autônomos, é a tela sensível ao toque no painel de controle e os aplicativos de smartphones que cada vez mais influenciam as decisões dos compradores.
Muitos modelos de veículos agora oferecem versões do iPhone ou a interface Android na tela sensível ao toque do carro, dando aos usuários a mesma sensação de familiaridade de seus celulares. Ao mesmo tempo, os desenvolvedores de aplicativos estão tirando vantagem das melhoras feitas na conexão entre o carro e o telefone e nos sistemas de reconhecimento de voz para oferecer recursos extras como “streaming” de música e a capacidade de enviar e receber mensagens de texto sem tirar as mãos do volante ou os olhos da estrada.
Mas o avanço tecnológico em direção aos carros conectados enfrenta possíveis obstáculos. Reguladores estão tentando evitar que todos esses dispositivos se transformem em uma distração perigosa. Nos Estados Unidos, recursos semiautônomos como dirigir e trocar de faixas na rodovia sem o uso das mãos estão sob análise depois do acidente fatal em maio com um modelo Tesla que usava o sistema Autopilot da empresa.
A segurança é outro fator. No início do ano, dois ladrões de carros em Houston foram filmados usando um laptop para invadir o sistema de ignição de um Jeep Wrangler 2010 e roubá-lo. No ano passado, a Fiat Chrysler Automobiles NV teve que fazer um recall de 1,4 milhão de carros depois que dois hackers mostraram que podiam controlar o motor e outros sistemas de um Jeep Cherokee através de uma brecha no software.
De fato, a tecnologia ultramoderna dos carros traz riscos para as montadoras. Nos últimos anos, pesquisas da J.D. Power & Associates, firma que monitora a indústria automobilística, mostraram um salto nas queixas dos consumidores sobre sistemas de reconhecimento de voz defeituosos e sistemas de entretenimento que não são intuitivos e fáceis de usar. Esse tipo de queixa costuma derrubar a classificação de uma marca de carros nas pesquisas de consumidores.
Apesar desses problemas, as montadoras não pararam de encher seus veículos com tecnologias digitais que os consumidores estão pedindo. Aqui, algumas inovações já disponíveis em alguns veículos ou que estarão em um futuro próximo:
Telefone que vira chave: A Continental AG recentemente divulgou um sistema que permite que seu smartphone se transforme em uma chave virtual, destravando portas e ligando o carro, através de uma tecnologia chamada Bluetooth de baixa energia. O recurso não deve chegar ao mercado antes de 18 meses. A Ford Motor Co. e a General Motors Co. já possuem apps com recursos semelhantes.
Checkup virtual: os motoristas podem ser alertados sobre problemas como pressão baixa de óleo através de um app da AutoNet Mobile Inc., que automaticamente contata a concessionária e ajuda a marcar revisões no veículo. A GM também oferece um recurso similar em alguns modelos que, segundo ela, reduz reparos desnecessários e ajuda a evitar problemas maiores na estrada.
Telas sensíveis ao toque que não precisam ser tocadas: Depois de trocar botões de rádio por telas sensíveis ao toque, algumas montadoras estão usando a tecnologia de controle de gestos, que permite que o motorista controle o rádio e outros comandos com sinais de mão. Através do sistema de controle de gestos da Delphi Automotive PLC, o motorista pode aumentar o volume do rádio rodando o dedo no sentido horário. O sistema já pode ser encontrado em modelos de luxo, como a série de sedãs 7, da BMW.
Espelhos tecnológicos: Um novo espelho retrovisor da Gentex Corp. permite uma visão traseira bem mais ampla através da transmissão para o espelho de uma imagem de alta definição registrada por uma câmera colocada na parte de trás do veículo, quase dobrando a visão do motorista. Ela também elimina as obstruções à visão causadas por partes do próprio carro e encostos de cabeça dos assentos.
Manobristas pelo celular: A Robert Bosch GmbH informou em junho que estava desenvolvendo um sistema que permite ao motorista estacionar o carro através do smartphone mesmo estando a alguns metros de distância do veículo. O carro precisa primeiro “aprender” como chegar a uma vaga específica, então o motorista precisa estacionar nela pelo menos uma vez para programá-lo.
Tecnologia para evitar cochilo na direção: A Ford, Nissan, Subaru e outras marcas já oferecem sistemas que emitem um sinal de alerta visual ou auditivo quando sensores captam movimentos inesperados na direção ou acelerador indicando que o motorista pode ter cochilado. Os sistemas mais novos usam câmeras para monitorar o rosto do motorista para identificar sinais de cansaço. As montadoras devem fazer uso mais amplo desses sistemas à medida que avançam no lançamento de carros autônomos, já que eles exigem que os motoristas estejam alertas e prontos para assumir a direção em determinadas situações. A GM vai incluir um sistema de monitoramento de olhos em sua tecnologia semiautônoma Super Cruise, que deve ser lançada no modelo Cadillac em 2017.
Atualizações OTA: Os consumidores estão acostumados a atualizar seus apps de smartphones e sistemas operacionais rapidamente. Mas, no sistema de entretenimento do veículo, a atualização não é assim tão fácil. A maioria dos carros ainda não consegue atualizar um app na interface de tela sensível ao toque – ou o proprietário fica com aquele sistema para sempre ou deve levar o veículo a uma concessionária para uma atualização do software. Mas cada vez mais as montadoras estão oferecendo a capacidade de atualizar alguns recursos de entretenimento pelo sistema OTA (Over-The-Air), sem uma visita à concessionária. A fabricante de carros elétricos Tesla Motors Inc. aplica essas atualizações de forma mais ampla, usando a tecnologia para atualizar o software que controla o sistema Autopilot e fazer mudanças na dinâmica de direção do carro.
Fonte: Valor Econômico – Impresso

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