Desconto para viagem depois da Copa chega a 40%

Exceção à regra, quem está de férias e deixou para comprar pacote de viagem na última hora poderá ter uma grata surpresa. Em razão da antecipação do recesso escolar, medida adotada pelo poder público por causa da Copa do Mundo (12 de junho a 13 de julho), os preços dos pacotes para a segunda quinzena deste mês estão bem mais baratos do que os praticados em igual período do ano passado. Dependendo do destino, a economia chega a 40%. O percentual vale até mesmo para praias do Nordeste, um dos lugares preferidos dos mineiros.
“São destinos como Fortaleza, Natal, Recife…”, informou Antônio Felizardo da Matta, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens de Minas Gerais (Abav-MG). Este ano, considerado atípico pelo segmento, não favoreceu quem comprou pacotes com antecedência. “É tudo de acordo com a demanda. Como as férias escolares foram antecipadas para julho aqueles que anteciparam suas compras realmente pagaram mais caro”, completou Matta.
O gerente de marketing da operadora CVC Minas Gerais, Renato Lomas, confirma que a Copa e a antecipação das férias escolares causaram um efeito colateral nos preços das viagens com embarque em julho. Segundo ele, muitos preços despencaram, apresentando reduções entre 30% e 40% se comparados ao mesmo período de 2013. Um pacote completo de oito dias em Natal, no Rio Grande do Norte, que estava sendo vendido a partir R$ 1.178 por pessoa neste mês, em 2013 era vendido a R$ 1.868, uma redução de 37% em relação ao mesmo período do ano passado. Já um pacote de oito dias para Maceió, incluindo aéreo, hospedagem com café da manhã e traslado entre aeroporto de hotel, era vendido em julho do ano passado a R$ 2.178. Com uma queda de 24%, hoje ele pode ser encontrado por R$ 1.658.
“Muita gente esperou a Copa terminar no Nordeste para começar a procurar os pacotes. Nossa demanda agora é maior do que há 15 dias. Mas não há diferença de preço antes e depois da Copa, há uma redução do ano passado para este ano”, afirma. Na Master Turismo, há pacotes com tarifa de baixa temporada. “Temos para destinos específicos, como praias do Nordeste, cujos preços estão em torno de 30% a 40% menores do que os valores praticados em julho de 2013”, disse Alexandra Peconick, gerente de vendas no segmento de lazer da empresa, acrescentando que a empresa está com boas promoções para quem desejar efetuar a compra em julho e viajar de agosto a novembro. Um dos exemplos é o preço da passagem para Miami (EUA): os bilhetes de ida e volta saem por US$ 640, metade do valor antes da redução.
A antecipação das férias favoreceu as vendas e o consumo de algumas empresas em junho. Na Master, por exemplo, o aumento foi de 25%. Por outro lado, nem todas as empresas faturaram o mesmo percentual que previam registrar. “Tradicionalmente, em julho, o setor apura (em nível nacional) aumento de 20%. Em junho, imaginávamos um acréscimo nesse patamar, mas o que houve foi uma alta de 10% a 12%. Os preços estavam altos e muita gente deixou de viajar para assistir à Copa em casa”, comparou Matta.
Antecedência
A advogada Ana Luisa Ferreira Stehling não queria abrir mão de assistir à Copa do Mundo no Brasil, por isso, optou por viajar no fim deste mês, pagando ainda um preço melhor do que ela pagaria em meados de junho e início de julho. Depois de pesquisar vários roteiros, ela optou pela Europa. Para percorrer da Espanha à Croácia ela vai desembolsar cerca de R$ 10 mil. “Se fosse em outra época, acho que gastaria, pelo menos, 50% além desse valor. Fechei o pacote dias antes da Copa”, conta. Para ela, planejar uma viagem com antecedência continua sendo a melhor forma de economizar, mesmo com o boom de promoções agora. “As passagens aéreas na véspera sempre ficam mais caras, e, planejando com antedência, você consegue pagar a maior parte do passeio e viajar tranquila”, afirma.
Proprietário da agência Pier Turismo, em Belo Horizonte, Pedro Paulo Victer conta que teve um queda no movimento de pelo menos 50% no último mês. A ideia, segundo ele, é ter uma demanda aquecida no segundo semestre, com preços mais em conta para movimentar o mercado. A queda, diz ele, foi puxada pela Copa, que causou uma retração na economia “Muitos setores não venderam tanto quanto gostariam, o dinheiro não circulou e a primeira coisa que as pessoas cortam na hora de reduzir as depesas é o lazer. Por isso não vendemos tanto no último mês”, afirma Pedro. Para ele, quem deixou para comprar os pacotes agora vai economizar com os descontos nesse segundo semestre.
Queda maior em agosto
Apesar de os preços estarem acessíveis, quem puder viajar na primeira quinzena de agosto consegue preço ainda melhores, o que se explica com a maior distância em relação à data de viagem. O trecho de Belo Horizonte para Porto Alegre, por exemplo, que neste mês custa a partir de R$ 258, cai para R$ 123 no mês que vem pela Gol. “A demanda para julho deste ano está compatível com o mesmo período do ano passado. O modelo de precificação da companhia é dinâmico, quanto mais próxima a data da viagem e quanto maior a taxa de ocupação do voo, maior será o valor do trecho”, diz, em nota, a Gol. O mesmo que diz a TAM: “Os valores variam de acordo com fatores como demanda, horário de voos, antecipação da compra e tempo de permanência no destino”.
Assim, até o dia 30, é preciso garimpar para achar bons preços, principalmente quando se fala nas praias nordestinas. A Azul está com tarifas promocionais até as 14h de hoje. Saindo da capital mineira, só é válida para São Paulo e Campinas. O trecho sai por R$ 79 ou 5 mil pontos do programa de milhagem, com saída para este fim de semana. A companhia diz que os voos do período pós-Copa estão com 80% de taxa de ocupação, ou seja, nível próximo à média dos primeiros meses do ano. Mas novas promoções não são descartadas.
A Azul tem pacote promocional tanto para Porto Seguro quanto para Natal, com saída para agosto. Rumo ao Sul da Bahia, a promoção com sete noites de hospedagem sai por R$ 590, enquanto para a capital potiguar o preço é de R$ 830 para quatro noites.
Por Paulo Henrique Lobato, Francelle Marzano e Pedro Franco, do Jornal Estado de Minas.

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