‘Cultura da propriedade’ perde valor

Atender ao novo consumidor, o chamado “millennial”, será um desafio para as empresas tradicionais, segundo o cofundador e presidente do Airbnb, Brian Chesky. A cultura da propriedade, o chamado “sonho americano”, está em transformação. O conceito em que o sucesso é medido pelo tamanho da casa, do carro e do barco de uma família estaria, em sua visão, dando lugar à busca por experiências. “O consumidor de hoje, de até 25 anos, não quer ser reconhecido pelo que tem, mas pelas experiências que acumulou.”
De olho nessa tendência, o Airbnb poderá estender seus serviços no segmento do turismo. “Nossa missão é criar um senso de comunidade global, conectar as pessoas. É por isso que o caminho do Airbnb será sempre cada vez mais oferecer a experiência completa para o usuário (que visita um determinado lugar)”, disse Chesky. Em conferência no Cannes Lions – Festival Internacional de Criatividade, evento que tem o Estadão como representante oficial no Brasil, o executivo disse que algumas dessas novidades serão anunciadas até novembro.
Plataforma. O executivo aproveitou para lançar uma plataforma para parcerias envolvendo veículos de comunicação, agências de publicidade e anunciantes: a partir de um site chamado A Night At (Uma Noite Em…) será possível usar a plataforma de locação por temporada para criar experiências envolvendo outras marcas. A ideia surgiu a partir de uma parceria com o Art Institute of Chicago, que recriou um quarto imortalizado por uma quadro de Vincent van Gogh, que ficou disponível no Airbnb. A iniciativa está concorrendo a Leões no festival.
O Airbnb surgiu a partir da experiência de Chesky e de seu sócio, que alugaram o próprio apartamento em São Francisco (EUA), durante uma conferência de design na cidade. O site foi lançado em 2008.
Avaliado hoje em US$ 25 bilhões, o Airbnb não foi um sucesso imediato. Pelo contrário: foi relançado quatro vezes. “Uma coisa que eu aprendi é: se você lançou e ninguém se deu conta, lance novamente.” Após um dos lançamentos, Brian contou que, na semana seguinte, o serviço registrou duas reservas. Hoje, o Airbnb tem acomodações em 191 países e acumula cerca de 1,3 milhão de usuários por dia. Só em Cannes, durante o festival, foram 5 mil reservas.
Segurança. Uma das barreiras que o Airbnb teve de vencer foi a da desconfiança das pessoas de cederem suas casas a estranhos. A partir de um sistema de recomendações e da criação de perfis detalhados de hóspedes e anfitriões, o site conseguiu superar a questão. Uma das primeiras campanhas publicitárias do Airbnb, aliás, se dedicava justamente a convidar que as pessoas abrissem a porta de suas casas para o mundo.
Embora hoje o sistema de recomendações amplie a confiabilidade, Chesky admitiu que o Airbnb não está isento de problemas. Um deles é o fato de que anfitriões negros costumam ter mais dificuldade em arranjar hóspedes do que brancos. “Embora não tenhamos o poder de resolver o problema (do racismo), podemos melhorar o design (do site), já que os critérios para a construção de confiança são subjetivos.”
Por Fernando Scheller, do Estadão.

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