Concessão da 381 ainda é uma incógnita para especialistas

Os editais para estudo de viabilidade técnica das concessões das BRs 262 (de João Monlevade até a divisa com o Espírito Santo) e da 381 (de Belo Horizonte até João Monlevade) foram publicados ontem. O trecho da 262 está claro, vai de João Monlevade até Martins Soares, na divisa com o Espírito Santo. Já o da 381 está envolvido em polêmica. Especialistas desconfiam que ele inclui apenas a parte do Anel Rodoviário até Caeté, que já foi rejeitada em duas tentativas de licitações. Segundo consultores, não faz sentido chamar uma concessão antes de concluir os investimentos necessários e já programados, como é o caso dos lotes de obras já licitados e que vão de Caeté até João Monlevade, para atrair investidores.
De oito lotes licitados para duplicação e melhorias a serem bancadas pela União, o oitavo (8A e 8B, entre BH e Caeté) não despertou interesse de nenhuma empresa, devido à complexidade das desapropriações e do alto custo, estimado em mais de R$ 17 milhões por km.
“Na época das licitações desses lotes, ninguém se interessou porque o custo tornaria o pedágio muito caro e não valeria a pena. A princípio, quero crer que é um engano do governo, pois não vai atrair ninguém se o investimento continuar alto”, avalia o consultor Cláudio Veras, do movimento Nova 381.
O Ministério dos Transportes não esclareceu se o trecho é mesmo do lote 8. Mas disse que a publicação do edital para estudos não interfere nos processos referentes a obras públicas em andamento, que poderão ter prosseguimento normal. O diretor de Transportes do Sindicato Nacional da Arquitetura e Engenharia (Sinaenco), Elzo Jorge Nassaralla, afirma que o anúncio para a 381 ainda está muito confuso. Segundo ele, o trecho indicado pode ser inclusive o referente ao lote 6 (até Nova Era), que já está em andamento. “O ideal é licitar, fazer a obra e depois fazer a concessão. Ou então fazer a concessão antes de licitar”, destaca o sócio do Câmara, Vieira e Raslan Sociedade de Advogados, Charles Vieira.
Confusões à parte, a concessão da BR–262, de João Monlevade até a divisa do Espírito Santo, está garantida. O edital para os estudos foi lançado ontem. Junto com a parte da 381 até a 262, essa concessão tem investimento de R$ 1,9 bilhão para 305 km. O custo médio por quilômetro seria de R$ 6,22 milhões. “Eu acho que o valor está abaixo do ideal, para ser atrativo, deveria custar cerca de R$ 10 milhões”, avalia Nassaralla.
Edital
Chamamento. O Ministério dos Transportes já publicou os editais para os estudos de viabilidade das 11 rodovias a serem concedidas. O prazo para entrega dos requerimentos vai até 10 de julho.
Por Queila Ariadne, do Jornal O Tempo.

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