Comércio e turismo contratarão pelo menos 6,5 mil trabalhadores em Minas para a Copa

Quase 50 mil brasileiros vão ser escalados entre abril e junho deste ano para atender aos torcedores estrangeiros e brasileiros que irão invadir as arquibancadas para torcer pelas 32 seleções durante os jogos da Copa do Mundo. Eles são profissionais da indústria do turismo e serão chamados para trabalhar em estabelecimentos como restaurantes, empresas de transportes de passageiros e hotelaria, impulsionando as contratações do setor em 60% entre junho e julho. O volume é 60% maior do que o registrado em igual período do ano passado. Por trás da criação das vagas está um batalhão de 3,6 milhões de turistas. Para atendê-los, será necessária a convocação de 47,9 mil trabalhadores, sendo 6.527 em Minas Gerais.
O salário médio a ser pago no Brasil é de R$ 1.167, mas os escalados para atuar nos bastidores do Mundial de futebol em Minas receberão, em média, R$ 1.003, ocupando a 8ª posição no ranking das melhores remunerações entre os 12 estados brasileiros pesquisados. Os números foram estimados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviço e Turismo (CNC). A ampliação da oferta de oportunidades se dará, principalmente, em pequenos estabalecimentos comerciais e de serviços instalados nos estados que abrigam as cidades-sede do campeonato mundial de futebol.
Na fábrica de cervejas Krug Bier a expectativa é investir R$ 100 mil para receber os turistas. De acordo com Herwig Gangl, sócio-gerente da cervejaria, as agências de turismo receptivo criaram a demanda por visitas para os horários e dias em que não houver jogo em Belo Horizonte. “As obras serão iniciadas hoje. Haverá uma área de degustação e de venda de cervejas e acessórios, além de um caminho bem estruturado para que os turistas façam a visitação sem atrapalhar a produção”, explica. A expectativa, segundo ele, é contratar dois guias. Já na chopperia da marca serão contratadas cerca de 10 pessoas. A maioria deverá atuar no atendimento aos clientes. “Estimamos um aumento de 30% nesse período”, explica o empresário.
De acordo com o levantamento da CNC, dos 39 mil estabalecimentos de turismo existentes em Minas, 23 mil são bares e restaurantes. Além de ser o maior segmento dentro da indústria do turismo, esse também é o setor que mais emprega. “São 312 mil empregados, dos quais 135 mil trabalham no ramo de alimentação, bares e restaurantes”, explica Fábio Bentes, economista da CNC. De acordo com ele, mais de metade dos estabelecimentos (54%) empregam de um a quatro trabalhadores. “As oportunidades estarão nos pequenos negócios”, observa. Ainda de acordo com ele, os 3,6 milhões de turistas que vão circular pelo país vão incrementar o movimento dos aeroportos brasileiros em 25% em junho e em 15% em julho . A intensificação da visitação vale também para Minas.
O número de vagas a serem criadas para a Copa do Mundo, equivale, de acordo com a pesquisa da CNC, a 38,1% das 125,8 mil vagas criadas no Brasil em todo o ano de 2013 e a 35,2% daquelas esperadas para 2014. As unidades da Federação que sediarão o Mundial criaram 29,5 mil postos de trabalho celetistas no turismo no segundo trimestre de 2013. Além da projeção da Embratur, a pesquisa considerou o fluxo de passageiros nos principais aeroportos do País e dados do Ministério do Trabalho e Emprego (Caged).
Nas mesas
Segundo Paulo Solmucci, presidente nacional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), a expectativa é que 300 mil bares estejam funcionando no país durante a Copa do Mundo, abrindo 250 mil novas vagas. Em Minas, dos 30 mil estabelecimentos existentes, 10 mil deverão contratar colaboradores para o período. “Serão abertas 23 mil vagas. Cerca de 20 mil delas serão na área de atendimento e 3 mil para copa e cozinha”, estima. Em Belo Horizonte, 3 mil bares pretendem contratar, abrindo 7 mil vagas.
Ronaldo Costa, gerente operacional do restaurante Xapuri, explica que a Copa das Confederações, no ano passado, serviu como um “laboratório” para a Copa do Mundo de 2014. O Xapuri já fechou com agências de turismo receptivo de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, e, além disso, espera um grande fluxo de clientes nos meses de junho e julho. “A expectativa é de um aumento de 60% no movimento entre 12 de junho e 08 de julho”, calcula. Para atender à demanda, serão contratados 11 funcionários, isso sem contar os que ficarão na lista de espera para caso de necessidade. “Isso representa uma elevação de 12% no número de funcionários da casa”, observa.
Expectativa positiva
Além dos setor de turismo, de abril a junho, de acordo com a ManpowerGroup, empresa especializada em recrutamento de pessoal, a expectativa líquida de criação de emprego no país é de 13%. As intenções de contratação aumentaram 8 pontos percentuais quando comparadas ao trimestre anterior, mas estão 12 pontos percentuais menores na comparação de ano para ano. Em Minas, as empresas esperam ampliar o número de vagas em comparação com os meses de janeiro, fevereiro e março em 11%.
As expectativas de contratação no estado estão 2 pontos percentuais acima da comparação entre o segundo trimestre e o primeiro trimestre deste ano, mas diminuem 11 pontos percentuais na comparação entre abril, maio e junho de 2014 com igual intervalo do ano passado. De acordo com o levantamento, no setor de Serviços a expectativa líquida de emprego é de 24%.
De acordo com a pesquisa da Manpower, os empregadores do comércio atacadista e varejista preveem um clima favorável de contratação no próximo trimestre, com uma expectativa líquida de emprego de 16%. As intenções de contratação aumentaram 2 pontos percentuais de trimestre para trimestre, mas diminuíram 9 pontos percentuais de ano para ano. Já a indústria espera elevar a contratação em 5% no segundo trimestre de 2014 na comparação com os três primeiros meses do ano. Essa, no entanto, é a menor expecativa da pesquisa desde que o levantamento foi iniciado, no 4º trimestre de 2009.
Segundo a Manpower, o levantamento da expectativa de criação de empregos no segundo trimestre de 2014 é baseado em entrevistas com mais de 65 mil empregadores em 42 países e territórios. No Brasil foram entrevistados 851 empregadores. De acordo com o trabalho, o país é o 15º entre as 20 maiores expectativas de criação de emprego no mundo, atrás de Índia, Taiwan, Nova Zelândia, Turquia, Costa Rica Colômbia, Peru, Japão, México, Cingapura, China Panamá e Bulgária.
Por Zulmira Furbino, do Jornal Estado de Minas.

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