Com ‘ressaca’ pós-Copa, turismo cai a 140º em ranking global

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A indústria de turismo do Brasil vive uma “ressaca” pós-Copa do Mundo, avalia o Conselho Mundial de Viagens eTurismo (WTTC, na sigla em inglês). A contribuição do setor ao Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) deve chegar a R$ 492,4 bilhões em 2015, alta de 1,9% sobre 2014. A projeção equivale a menos de um quinto da alta registrada no ano passado, de 11%.
A desaceleração seria consequência do intervalo entre o crescimento trazido pela Copa do Mundo em 2014 e as expectativas para as Olimpíadas do Rio em 2016. Neste quadro, pesa ainda o cenário econômico. As estimativas do WTTC para a indústria brasileira de turismo em 2015 derrubaram o país do 69º para o 140º lugar em perspectiva de crescimento num ranking global com 184 países. Quando o foco está em previsão de incremento em dez anos, o Brasil desceu da 124ª para a 162ª posição.
A contribuição da indústria de viagens e turismo para o PIB mundial deve subir 3,7% em 2015, com geração de 284 milhões de postos de trabalho, ou um em cada 11.
O presidente do Conselho, David Scowsill, destaca que o Brasil precisa trabalhar para que as oportunidades trazidas pelos megaeventos sejam aproveitadas. O setor tem “potencial de contribuir com 10,3 milhões de postos de trabalho e 10,2% do PIB para a economia brasileira até 2025. Mas este crescimento não vai acontecer por si só. Ele precisa de políticas governamentais nas áreas de infraestrutura, conectividade e de marketing para garantir que o Brasil ultrapasse o seu potencial”, disse.
Em 2014, a contribuição dessa indústria para o PIB chegou a 9,6% do total. Representou ainda 8,8 milhões de postos de trabalho na economia do país. O freio nos resultados em 2015 fica claro com a estimativa de 1,9% de aumento na contribuição em valor e de 2,8% em empregos, ante 4% em 2014.
Está na geração de empregos um dos fatores de preocupação apontados pelo relatório do WTTC. A entidade alerta que quase 500 mil postos de trabalho estarão em risco, num horizonte de dez anos, caso governo e empresas não invistam em qualificação de mão de obra para a indústria. Esse corte de vagas equivaleria a menos R$ 44,6 bilhões em contribuição à economia em uma década.
FOCO EM INFRAESTRUTURA
Scowsill chama a atenção ainda para a crescente necessidade de o país investir em infraestrutura, sobretudo pela taxa de câmbio fraca estar beneficiando aqueles que visitam o Brasil, “para garantir que a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos de 2016 levem a anos e não a meses de sucesso”.
Três ações, de acordo com o WTTC, deveriam ser prioridade do governo: ampliar a capacidade e a qualidade dos aeroportos; melhorar a conectividade aérea com os principais mercados emissores de viajantes no mundo; e atrair mais visitantes internacionais.
Para o ministro do Turismo, Vinicius Lages, “ressaca” seria um termo forte para descrever o movimento doturismo em 2015:
— Este não é um ano trivial, com a economia em ajuste e o dólar em alta. É uma espécie de entressafra. Há um cenário mais restritivo, mas sabendo investir, vamos crescer.
O ministério, por meio da Embratur, prepara campanha que será lançada entre abril e maio para promover o país no exterior. Lages, porém, sabe que isso não basta para elevar a visitação de estrangeiros ao país, estacionada em seis milhões de turistas:
— É preciso um conjunto de iniciativas. Estudamos facilitar o visto para quem vem à Rio 2016. Negociamos com as aéreas um passe para o estrangeiro viajar mais no país.
Jeanine Pires, ex-presidente da Embratur, lembra ainda a velocidade de recuperação do setor em tempos de crise:
— Além de crescer duas ou três vezes mais que o PIB, o turismo gera emprego e tem recuperação rápida.
 
Fonte: O Globo

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