Bolsa de Valores: as oportunidades e os riscos das Small Caps

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Momentos de crise abrem boas oportunidades para investir em ações de pequenas empresas.
Grande parte das pessoas só conhece as grandes empresas da Bolsa, mas momentos de crise como o atual abrem boas oportunidades para investir em ações de pequenas empresas, também conhecidas como Small Caps (empresas menos negociadas em bolsa, cujo valor de mercado é inferior a R$ 5 bilhões).
No entanto, mesmo aparecendo como alternativa, as Small Caps são investimentos arriscados e não são indicadas para investidores iniciantes e avessos a riscos.
Leitura recomendada: 10 principais erros do investidor iniciante em ações (e como evitá-los)
Segundo os analistas da corretora Rico.com.vc, existem boas opções para quem olhar com mais cuidado para empresas menores. Para identificar essas oportunidades, Roberto Indech afirma que a necessidade de pesquisa, de trabalho e de empenho também é proporcional a relação risco-retorno nestes casos.
Ele explica que muitas empresas consideradas Small Caps ou até micro caps sequer possuem sites de relações com investidores, o que diminui a transparência e o acesso às informações. “É interessante olhar ações fora das mais famosas, mas também não sair das 100 mais negociadas, que estão no Índice Brasil, o Ibrx”, recomenda Leandro Martins.
Alguns fatores tornam estas ações mais arriscadas: por serem papéis que têm menor procura, mesmo valorizados, podem chegar a passar dias sem ser negociados; e como possuem baixo valor (alguns papéis não custam mais que R$ 1,00), são muito instáveis e suscetíveis a movimentos especulativos.
Ao comprar um grande volume de ações, um único investidor pode gerar uma valorização de 50% do papel em apenas um dia, e o inverso também pode ocorrer, gerando uma forte queda repentina.

Como diferenciar as Small Caps supostamente promissoras dos “micos”?

Um dos primeiros critérios a ser avaliado para não cair numa armadilha é a liquidez das ações. Muitas vezes, há um incremento nas negociações dos papéis de determinada empresa, sem qualquer justificativa para que tal fato ocorra, o que pode se tornar um risco para o investidor menos atento.
Vale lembrar o polêmico caso com as ações da fabricante de alicates Mundial, que chegou a acumular alta de 1.594% em 2011, alcançando o maior patamar da história dos papéis. Dias depois de atingir o topo, as ações despencaram sem motivo aparente, se tratando de uma fraude que fez muitos investidores desprevenidos terem prejuízos.
Na opinião de César Caselani, professor da Fundação Getulio Vargas, é preciso estudar atentamente as características dos setores aos quais as empresas pertencem e ter uma visão de longo prazo. “Além disso, ficar alterando a carteira de ações a todo momento aumenta as chances de perder dinheiro”, aconselha.
 

Blue Chips X Small Caps: Qual a melhor alternativa em tempos de instabilidade?

As Blue Chips, empresas de grande porte que compõe o Ibovespa, costumam estar mais expostas às questões externas, como ações do governo e cotações internacionais. Isso porque muitas delas são produtoras de commodities, como é o caso da Vale e da Petrobras.
Além disso, muitas também atuam em setores cruciais da economia e acabam sendo alvos de novas regulamentações ou mudanças nas regras. Itaú e Bradesco, por exemplo, tiveram as cotações derrubadas quando o Governo Federal pressionou os bancos pela queda dos juros, no primeiro semestre de 2012. Quando essas empresas são controladas pelo governo, o risco da ingerência é maior.
Roberto Indech, da corretora Rico, avalia que em tempos de maior instabilidade ter Blue Chips na carteira pode trazer mais segurança, em função da liquidez dos ativos. “Como as Small Caps possuem liquidez reduzida de negociação, com poucos negócios os ativos podem ser drasticamente depreciados”, afirma.
“Blue Chips são mais defensivas em tempo de crise e possuem possibilidade de lançar opções. Apresentam pouco spread – diferença entre melhor preço de compra e de venda, e menor risco de abrir com quedas fortes já na abertura (gaps)”, completa Leandro Martins.
Por isso, a importância de os investidores mesclarem, na carteira, ações de Blue Chips, para estabilizar com o Ibovespa, com Small Caps, em busca de oportunidades.
 

Boas oportunidades

Leandro Martins, da Rico, recomenda 5 Small Caps que devem ser vistas com mais atenção:

  • BRKM5. A petroquímica Braskem chamou a atenção do mercado e obteve ganhos de mais de 30% no último mês, diante de uma melhora no cenário para a empresa. A queda nos preços do petróleo, que gera um elevado spread para os preços da nafta, e a valorização do dólar (a companhia possui praticamente toda sua receita em moeda americana) devem favorecer a ação;
  • CSAN3. O setor de açúcar e etanol é visto com otimismo por causa da recente alta dos preços. O aumento do preço do combustível pela Petrobras deu novo impulso à demanda pelo etanol como alternativa mais barata, o que dá ânimo aos investidores da Cosan, a maior produtora de etanol do Brasil. Segundo dados do centro de pesquisa CEPEA, os preços do etanol deram um salto de 13,5% no mês de outubro e a demanda pelo biocombustível deve continuar subindo;
  • NATU3. Apesar de impactada com a deterioração da demanda brasileira, com aumento de desemprego e queda da confiança do consumidor, a fabricante de higiene e beleza Natura continua sendo uma aposta de analistas. A companhia mantém bom desempenho nas operações em outros países, contribuindo nas receitas e no fluxo de caixa. O crescimento da base de consultoras no Brasil também é um fator positivo;
  • BRML3. As ações da BR Malls estão chamando a atenção do mercado após recentes rumores de que a companhia de shoppings centers sonda investidores para injeção de caixa. Só no mês de novembro, o papel já obteve alta de mais de 17%;
  • RENT3. Apesar de a crise econômica doméstica traze preocupações em relação à demanda por serviços de aluguel de carros, a empresa Localizatem obtido sucesso nesse ambiente. Mesmo em momentos de retração, a companhia conseguiu manter seus resultados e até crescer, através de utilização de tarifas promocionais para viagens de lazer e estímulos a fidelização corporativa.

Fonte: Dinheirama
 

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