Baixa demanda pode fazer cair preços das diárias de hotéis em BH

Assim como as passagens aéreas vão ficar mais baratas durante a Copa, a tendência é de que os valores das diárias de hotéis também recuem no período do Mundial. Faltando 42 dias para a competição, Belo Horizonte ainda está com 40% dos 11 mil leitos disponíveis, segundo informações da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais (Abih-MG). A expectativa é de que a oferta de cerca de 4,4 mil apartamentos somadas a uma demanda baixa pressione os preços. Mas os empreendimentos que tiveram aumento recente de 25% na capacidade, no entanto, ainda não confirmam a desaceleração.
Segundo levantamento do Estado de Minas, feito no site de reservas Trivago, para o dia 28 de junho, data do jogo das oitavas de final na capital mineira, a maior diária encontrada para um quarto duplo foi de R$ 1.596, e a menor de R$ 297. No Hotel Savassi também foi registrada elevação durante os dias de jogos. No período, o empreendimento cobrará R$ 378 mais taxas de quem se hospedar em quarto individual e R$ 420 em quarto duplo. A diária dá direito a café, garagem e internet. Nos dias normais, sem jogos, as diárias custam R$ 199 (individual) e R$ 220 (duplo), segundo o setor de reservas.
Os primeiros sinais de recuo nos preços começam a aparecer em grandes redes hoteleiras. Em e-mail enviado a clientes na última semana, a rede de hotéis Accor – que reúne as bandeiras Mercure, Ibis Hotel, Ibis Budget, Adagio e Novotel – anuncia valores de baixa temporada. “Não perca essa festa. Nós preparamos uma série de ofertas especiais para você”, promete a publicidade. As diárias, válidas de 1º de junho a 31 de julho, foram anunciadas por valor de R$ 99 a R$ 199. Por meio de um programa de fidelidade, a rede promete, ainda, descontos em ingressos.
Um dos motivos para o aumento no número de apartamentos disponíveis, que garantem os preços promocionais, teria sido o desbloqueio de parte das reservas feitas anteriormente pela Match Services (operadora ligada à Fifa). Ainda entre as causas para o desempenho aquém do esperado na venda de reservas, a presidente da ABIH MG, Patrícia Coutinho, destaca a realização de poucos eventos relativos a negócios em Belo Horizonte no período da Copa. Hoje eles são responsáveis pela maior fatia do faturamento do setor.
NOVO ESTÍMULO
O consultor na área de hotelaria da JR & MvF Consultores José Aparecido Ribeiro afirma que o setor poderá alcançar recuperação ao se aproveitar de uma nova demanda gerada pelo público local, que não estava planejando viajar durante a Copa. “Temos que esperar para ver se as passagens vão estimular o deslocamento dos brasileiros”, diz. Ainda segundo Ribeiro, embora os preços sigam altos, podem se desacelerar até a véspera dos jogos. “Os hotéis que estiverem vazios vão jogar as tarifas no chão para garantir os seus custos operacionais. Mas ainda é cedo para dizer o quanto devem ficar mais baratas.”
Na rede de hotéis Arco, que deve inaugurar até a Copa dois novos empreendimentos em BH, sendo um na Pampulha e outro no Bairro Palmares, a aposta é manter as diárias durante a copa em patamares mais altos que nos períodos normais. Nos dias de jogos e nos que antecedem as partidas, o valor médio varia de R$ 500 a R$ 900 nos apartamentos single ou duplo. Normalmente, o valor médio fica entre R$ 300 e R$ 500. Segundo o superintendente da rede, Rui Barbosa de Araújo, os valores são justificados pelos picos de ocupação, seguidos de períodos vagos. “Tínhamos contrato com a Fifa onde não poderíamos vender tarifas menores que as negociadas com ela”, lembra.
Embora a Fifa tenha bloqueado 70% da disponibilidade total e devolvido cerca de 40% do total contratado com a rede, a expectativa é de recuperação dos resultados e ocupação máxima até o campeonato. Ainda de acordo com Araújo, isso será possível porque a Fifa abriu mão de reservas em determinados espaços, para reservar em outros empreendimentos. “Na minha opinião, a oferta de hotéis cresceu muito nos últimos anos e isso favoreceu novas contratações. Ou seja, fala-se da devolução, mas há também novas contratações. Um dos nossos hotéis registrou, por exemplo, aumento do bloqueio anterior”, afirma ele, que estima incremento de 20% a 25% durante a Copa.
Do Jornal Estado de Minas.

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