Até 2020, mercado de inovação social movimentará US$ 2 trilhões

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Fórum realizado pelo Valor na Bahia para debater inovação social (Foto: Edson Ruiz/Valor)

Até 2020, a inovação social deve representar oportunidades de mercado de US$ 2 trilhões para as empresas, em todo o mundo, segundo estudo da Frost & Sullivan. O segmento, definido pela consultoria como lançador de tecnologias e modelos de negócios que trazem mudanças positivas para a sociedade, foi tema central do “Fórum Inovação Social, Tecnologia e Infraestrutura para Eficiência Empresarial”, realizado pelo Valor, na quarta-feira, em Salvador (BA). Com 200 inscritos, o evento reuniu os principais executivos de companhias que atuam no setor, como Hitachi, Braskem, Ford e Renova Energia.
“A inovação social é o nosso futuro”, afirma Kazuhiro Ikebe, presidente da Hitachi para a América do Sul. Fundada em 1910, a multinacional, com sede em Tóquio, é considerada pela Frost & Sullivan uma das líderes do segmento. “Nichos como energia, água, transporte e logística podem promover mais inovação e trazer desenvolvimento para o país”, diz.
Do total de negócios da empresa, que movimenta no mundo US$ 81,3 bilhões por ano, 19% vêm de sistemas de informação e telecomunicações, antes de infraestrutura social (15%) e componentes de alta complexidade (14%). Mas a fatia que representa os contratos ligados a infraestrutura deve engordar nos próximos anos.
“O fato de um fórum de inovação social acontecer na Bahia mostra que o Estado é uma das principais entradas para novos investimentos no Nordeste, região que apresenta os maiores índices de crescimento do país”, diz. “Com investimento de R$ 1,1 bilhão em obras na primeira metade de 2015, o Estado tem sol e vento com potencial para a exploração de mais fontes de energia renováveis.”
O americano Art Robbins, presidente da Frost & Sullivan Américas e um dos convidados do evento, concorda com a análise do executivo da Hitachi e acrescenta que a demanda mundial por eletricidade deverá crescer mais de 2,2% ao ano, até 2020. Outra aposta do especialista para alavancar inovações sociais em série é a construção de cidades inteligentes, que usam sistemas integrados para monitorar fluxo de transportes e fornecimento de água e energia. “Será necessário US$ 1,5 trilhão para deixar os centros urbanos mais modernos, nos próximos cinco anos”, diz. “A tendência é que movimentos inovadores juntem áreas consideradas distantes, como saúde e transportes.”
Quem já conseguiu celebrar esse casamento foi a Ford, que tem linha de produção na cidade de Camaçari, a 50 quilômetros de Salvador. A montadora criou um recurso que ajuda o motorista a ligar para serviços de emergência, em caso de acidente, diz Gustavo Fiod Schiavotelo, gerente de desenvolvimento de produto da marca. A novidade foi implantada em mais de 40 mercados globais. No Brasil, estreou no modelo Ka 2015, lançado no ano passado. Para funcionar, é preciso que um celular esteja sintonizado com o sistema de comando de voz do veículo.
Na Braskem, que mantém 312 técnicos voltados para inovação no Brasil, uma das principais bandeiras na área é o polietileno verde, um plástico produzido a partir do etanol de cana-de-açúcar. Para fornecer o produto a empresa inaugurou em 2010 uma fábrica avaliada em US$ 290 milhões, com capacidade para entregar 200 mil toneladas ao ano. Cem por cento reciclável, o material pode ser usado em brinquedos, tanques de combustível de veículos e recipientes para alimentos e cosméticos.
A iniciativa “verde” faz parte de um projeto mais amplo de gestão da inovação da Braskem, que combina a manutenção de um banco de ideias a um rápido processo de execução de projetos, diz o diretor de inovação e tecnologia da companhia, Patrick Teyssonneyre. Nos últimos três anos, a marca apresentou 46 novos produtos.
Este ano, criou em parceria com a ONG Endeavor o Braskem Labs, um programa para acelerar startups que desenvolvem produtos ligados à cadeia do plástico. Das 159 propostas inscritas na ação, 19 foram selecionadas para receber 45 dias de mentoria de 57 especialistas. Do total, duas empresas continuarão a receber apoio da petroquímica: a ColOff, que desenhou um assento sanitário para a coleta de material biológico; e a B-Rap, de caixas de plásticos para armazenamento de águas pluviais. As unidades podem substituir as estruturas de concreto na construção civil. “Também mantemos parcerias com 15 universidades e institutos de pesquisas no Brasil e no mundo para deslanchar novas ideias.”
O exemplo de inovação aberta da Braskem, que investe no desenvolvimento de produtos com a ajuda de parceiros, é considerado o “melhor dos mundos” no segmento, mas está longe de ser um padrão no Brasil, segundo Manoel Gomes de Mendonça Neto, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia. “No cenário nacional, cada ator da cadeia de inovação faz sua parte, mas sem integração”, analisa. “É preciso foco e planejamento para montar um ecossistema único, amparado com mais profissionais de produção de conhecimento.”
A Renova Energia, companhia de geração de energia eólica que mantém 14 parques com mais de 180 aerogeradores no sudoeste da Bahia, conseguiu inovar nas montagens das torres. As estruturas têm 60 metros de altura e pás com 50 metros de comprimento. “Criamos uma metodologia de trabalho mais eficiente, que diminuiu em 25% a área de construção e de supressão vegetal do entorno”, garante o diretor Alexandre Nogueira Machado. “Nem toda inovação precisa ser disruptiva. É possível aperfeiçoar rotinas de operação já existentes.”
Fonte: Valor Econômico

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