Volkswagen pede perdão aos americanos por fraude ambiental

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“2015 foi desafiador e 2016 também será em virtude da questão dos motores a diesel”, disse Horn, presidente nos EUA (Foto: Daniel Acker/Bloomberg)
Salões do automóvel são eventos em que as montadoras pagam caro para divulgar lançamentos, apontar tendências e, quando possível, celebrar bons resultados. A Volkswagen, porém, usou ontem a maior parte da apresentação à imprensa no salão de Detroit para pedir desculpas aos americanos pela fraude nos testes de emissões de automóveis movidos a diesel.
Diretores da montadora alemã dedicaram 15 dos 25 minutos que tinham disponíveis para lamentar e prometer soluções, no curto prazo, aos carros que, graças a um dispositivo capaz de adulterar testes, poluem mais nas ruas do que quando têm níveis de emissões medidos em laboratórios. Em boa parte desse tempo, falaram em construir uma “nova Volkswagen”, repetiram que a empresa vai fazer de tudo para recuperar a confiança e, até mesmo, reconquistar o “amor” dos americanos pela marca.
Como parte dos esforços para diminuir a mancha em sua reputação deixada pelo caso, descoberto nos Estados Unidos, o grupo anunciou ainda que vai desembolsar US$ 900 milhões adicionais na produção de umnovo utilitário esportivo na fábrica do Tennessee, criando com isso mais 2 mil empregos no país.
Contudo, mais do que novos investimentos, os executivos da multinacional alemã reforçaram que o maior objetivo neste ano será restaurar a credibilidade.
No país, a Volkswagen terá que corrigir o software num recall, a ser realizado no primeiro trimestre
Coube ao presidente da Volks nos Estados Unidos, Michael Horn, abrir a apresentação com a promessa de aplicar os “remédios” aos carros afetados pela fraude. No total, são cerca de 11 milhões de veículos em todo mundo equipados com o dispositivo manipulador de testes.
“O ano de 2015 foi desafiador para nós e 2016 também será em virtude da questão dos motores a diesel”, reconheceu Horn.
Matthias Müller, presidente global da Volkswagen, acompanhou os discursos da plateia. Porém, diferentemente do que era feito na época de Martin Winterkorn, o antecessor de Müller, os organizadores dessa vez mudaram o cerimonial no qual o principal executivo da empresa no mundo era anunciado. Müller não subiu ao palco e, após a apresentação, atendeu brevemente a jornalistas numa entrevista em que admitiu que a marca poderá abandonar o slogan “Das Auto” – ou “O Carro” em alemão -, que passou a ser visto como excessivamente pretencioso após a revelação do “Dieselgate”, como ficou conhecido o maior escândalo da história da Volkswagen.
Pouco antes de apresentar a estrela da Volks no salão americano, um protótipo de motorização híbrida do utilitário esportivo Tiguan, Herbert Diess, presidente do conselho de administração da divisão de carros de passeio, afirmou que a prioridade máxima do grupo será solucionar a “questão das emissões”. “Essa é nossa promessa para os americanos”, afirmou. “Pedimos profundas desculpas pelo que aconteceu. Estamos desapontados”.
No Brasil, o dispositivo de adulteração de testes foi instalado em 17 mil unidades da picape Amarok, que é importada da Argentina, com motores fabricados na Alemanha. Como a legislação brasileira proíbe sistemas capazes de reconhecer procedimentos de laboratório para reduzir a poluição emitida durante os testes, a Volkswagen terá que corrigir o software num recall, a ser realizado no primeiro trimestre, e foi multada em R$ 50 milhões pelo Ibama. Outros R$ 8,3 milhões foram aplicados em multa pelo Procon.
Apesar disso, a Volks afirma que investigações internas constataram que o dispositivo não prejudica o cumprimento dos limites de emissões previstos pela legislação brasileira, menos rigorosa do que a americana.
O repórter viajou a convite da Ford
Fonte: Valor Econômico

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