Vendas de concessionárias e autopeças despencam com a crise

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Pesquisa realizada pela Fecomércio PR revela que os ramos de concessionárias de veículos e autopeças estão entre os que mais sofreram com a crise econômica e política instalada no país. As concessionárias de veículos estão no topo da recessão, com queda de 23,87% nas vendas, seguidas pelo ramo de autopeças, que viu seu faturamento cair 13,82% no primeiro semestre do ano.
As variáveis macroeconômicas, tais como a inflação e a alta dos juros, acompanhando a taxa Selic, praticada em cerca de 14,5%, a mais alta dos últimos tempos, forçaram o aumento do preço dos automóveis. O crédito continua sendo fornecido, mas o grande problema é a redução do poder de compra e da intenção de consumo por parte dos consumidores. “Houve uma queda em torno de 30% nas vendas desde o início de 2015 até o fechamento do primeiro semestre. A crise afeta diretamente nosso negócio. No ano passado tínhamos incentivos fiscais, IPI reduzido. Enquanto este ano, além de não contarmos com nenhum tipo de facilidade, a economia está desfavorável”, aponta o consultor de vendas corporativas da Volkswagen Serviços Financeiros, Eduardo Nunes.
Ele conta que as montadoras tiveram de conceder férias coletivas por conta da queda da produção, reflexo do comércio, mas que não chegou às demissões. Ainda sem previsões para 2016, o consultor avalia que empresas locadoras de automóveis estão mais preparadas para suportar os efeitos da atual recessão econômica, após sofrerem a crise passageira de 2009 a 2010.
Por outro lado, a venda de veículos usados teve um impulso desde o começo do ano. Segundo a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), que reúne 48 mil revendedores de usados do país, o primeiro semestre deste ano teve crescimento de 4,8% nas vendas de usados sobre o mesmo período do ano passado. E entre os usados, aqueles com até três anos de uso tiveram um expressivo crescimento de 38,2%, demonstrando a migração do comprador do veículo novo para o seminovo.
Esse aspecto é positivo para as locadoras de veículos que estão desativando frota e encontrando boa receptividade no mercado para seus ativos. O grande problema para as locadoras tem sido repassar os aumentos dos preços dos veículos para os valores da locação. Nos contratos de terceirização em que é necessária a substituição da frota está ainda mais complicado, pois os reajustes previstos em contrato normalmente são os índices oficiais de inflação, enquanto os veículos novos tiveram aumentos substancialmente maiores. No caso dos utilitários, especificamente, o aumento em dois anos, até julho, foi de até 27% em alguns modelos, enquanto o IPCA variou 16% e o IGP-M 12%.
Fonte: Sindloc – PR

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