Uma nova era para Pernambuco

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Das terras onde secularmente brotava cana-de-açúcar agora saem veículos no estado da arte da tecnologia automotiva. Numa região de baixa tradição industrial e sem histórico na fabricação de automóveis nasce a planta mais moderna do grupo Fiat Chrysler Automobiles (FCA) no mundo. O empreendimento de R$ 7 bilhões coloca Goiana (município da Zona da Mata Norte de Pernambuco) no mapa de um dos setores mais cobiçados do globo. Inaugurado hoje pelo presidente mundial da FCA, Sergio Marchionne, e pela presidente Dilma Rousseff, o Polo Automotivo Jeep – como foi batizado – vai azeitar a engrenagem econômica do Estado.
O projeto chega carregado de simbolismo. É a primeira montadora inaugurada após a criação da FCA (fusão da italiana Fiat com a norte-americana Chrysler, no ano passado). Inaugura um cluster integrado por fábrica e um parque de 16 fornecedores. Reforça a entrada do grupo no mercado de SUVs compactos, com a fabricação do Renegade. Incorpora as 15 mil melhores práticas do setor trazidas no DNA das duas companhias. É a concretização de um sonho de Pernambuco, que se concretizou graças a incentivos fiscais oferecidos pelo governo federal, financiamento do Bando do Nordeste e BNDES e o empenho do ex-governador Eduardo Campos, que ofereceu um pacote de infraestrutura de R$ 700 milhões.
“Esse foi o projeto mais complexo já feito na história da companhia. Precisamos construir não só a planta, mas também um parque de sistemistas. Tivemos que lidar com governos, 200 fornecedores e 250 companhias integradas. A região não tinha tradição automotiva, o que demandou qualificação de pessoal e de empresas”, detalha o vice-presidente mundial de Manufatura da FCA, Stefan Ketter. Mesmo com todos os desafios, o executivo comemora a produção do primeiro carro pernambucano, em fevereiro, com apenas três dias de diferença em relação ao cronograma original.
Com capacidade para produzir 250 mil veículos por ano e gerar 9 mil empregos quando estiver em plena operação, o Polo Jeep nasce num momento de crise do setor, que registrou queda de 7,1% nas vendas em 2014 e espera fechar o ano com redução de 13% nos emplacamentos. “A fábrica demonstra que as empresas continuam investindo, mesmo num cenário adverso, porque é preciso pensar a atividade a médio e longo prazo”, diz o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan. Segundo ele, a projeção de investimentos entre 2012 e 2018 é de R$ 75 bilhões.
montadora da FCA é a 65ª do País e incrementa o polo do Nordeste, com fábricas na Bahia (Ford) e no Ceará (Troller). “Uma das características do setor é espraiar o desenvolvimento. A região vai se beneficiar de um empreendimento moderno como este. A atividade congrega uma longa cadeia produtiva e muitas oportunidades”, reforça Moan, lembrando que o setor automotivo responde por 5% do PIB brasileiro e por 23% do PIB industrial. Em Pernambuco, a projeção é que o PIB avance 6,5% até 2020, turbinado pela fábrica de Goiana.
O Polo Automotivo Jeep é um dos trunfos da FCA para viabilizar seu plano estratégico de negócios 2014-2018. A companhia se impôs a meta de quase dobrar as vendas, passando de 1 milhão de unidades para 1,9 milhão em 2018.
A fábrica da FCA também é um valioso ativo de transformação social. O impacto mais direto é na geração de empregos. “Nem nos meus melhores sonhos imaginei que Goiana pudesse ter uma montadora de veículos. Nasci na cultura da cana vendo meu pai trabalhar e depois também entrei no corte. Hoje sou retoquista e revisionista da área de pintura da fábrica”, comemora Ednaldo Gonçalves.
Fonte: Jornal do Commercio – PE – Impresso – Flip

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