Tesla abre guerra com montadoras por vendas sem concessionárias

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A ausência dos carros elétricos da Tesla, uma das empresas mais badaladas nos Estados Unidos na atualidade, no Salão de Detroit –o mais importante do país– é mais um capítulo de uma “guerra” que a fabricante vem travando por defender a prática de venda direta de seus carros.
Em alguns estados americanos, as montadoras são obrigadas por lei a distribuírem seus carros por meio de concessionárias.
Um deles é o de Michigan, terra da General Motors, da Ford e da Chrysler. Por isso a Tesla boicotou o Salão de Detroit, que termina neste domingo (24).
A empresa só realiza vendas de seus dois modelos, o esportivo Model S e o SUV Model X, o com lojas próprias e pela internet.
Na última terça (19), ela deu explicações à Câmara do Comércio americana sobre por que prefere esse sistema de vendas. E aproveitou para fazer críticas a montadoras tradicionais, como a General Motors, e ao sistema imposto por lei.
“Com todo respeito à General Motors, a posição deles é esta: porque eles voluntariamente escolheram, há várias gerações, usar um certo tipo de modelo de negócio, (a empresa) acha que todos que vieram depois deveriam ser obrigados por lei a usar esse mesmo modelo”, disse Todd Maron, representante da Tesla. “É um código para dizer que ‘a Tesla pode vender seus carros aos consumidores por um preço mais baixo que nós conseguimos por meio das franquias’. Não achamos que eles deveriam pensar assim.”
Disputa pelo elétrico ‘popular’
Além da “briga” sobre a lei, Tesla e GM agora guerreiam pelo carro elétrico “popular”. A primeira anunciou que terá um modelo mais acessível até 2017. A GM apresentou, no salão, a versão final do Chevrolet Bolt, que promete colocar nas lojas ainda neste ano, com preço a partir de US$ 30 mil (cerca de R$ 123 mil, na cotação desta quarta, 20). A questão da distribuição deve pesar nessa “guerra”.
Maron lembrou uma frase da presidente-executiva da GM, Mary Barra: “Diferentemente do que acontece com alguns clientes de carros elétricos, os do Bolt não terão que se preocupar em viajar para outros estados para comprar ou conseguir um serviço para o carro.”
Para Maron, a frase demonstra que a GM tem capacidade de impedir a Tesla de vender carros diretamente aos consumidores.
Loja menor e nada de estoque
Diante da Câmara de Comércio, a Tesla explicou os motivos pelos quais prefere a venda direta e por que seu modelo de negócio é conflitante com os de concessionárias.
A marca lembrou que grandes concessionárias, geralmente, são montadas em grandes terrenos distantes dos centros urbanos. As lojas da Tesla, ao contrário, estão em locais onde muita gente circula a pé, como galerias e shoppings.
A marca também acredita que é benéfico que essas lojas sejam menores e mais intimistas. Isso vai ao encontro do fato de que o cliente precisa aprender tanto sobre a Tesla, ainda considerada uma empresa nova perto das tradicionais montadoras, quando sobre carros elétricos. É uma estratégia parecida com a que foi usada pela Apple.
Outra razão apontada pela Tesla para sustentar a venda direta é que permite que seus clientes customizem os carros, escolhendo cor de pintura da carroceria e acessórios, fazendo com que a empresa demore meses para entregar o veículo, já que a produção é de 50 mil unidades ao ano. Isso tornaria inviável a formação de um estoque, uma das bases do sistema de concessionárias.
Uma terceira razão é o fato de que carros elétricos requerem menos serviços do que os comuns: eles dispensam a troca de óleo, por exemplo. E concessionárias costumam lucrar mais com os serviços oferecidos e a venda de acessórios do que com a venda do carro em si.
Além disso, a Tesla realiza vendas online dos carros, sem o ágio que concessionários costumam cobrar sobre os preços sugeridos dos veículos. Defensores do modelo com distribuidores dizem que a concorrência entre eles é que permite preços menores.
Outro motivo seria o conflito por conta do combustível: a maioria das concessionárias vende carros a combustão. Na visão da empresa, seria difícil que esses vendedores se tornassem bons defensores dos carros elétricos.
Do G1.

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