Supercarros: salão do automóvel a céu aberto nas ruas de Minas Gerais

Maserati_GranTurismo
É tarde de sábado em Itaúna, a 85 quilômetros de Belo Horizonte, e a Lamborghini Gallardo LP-560-4 Bicolore estacionada em uma das principais avenidas da cidade é o centro das atenções de quem passa. Ver de perto o bólido italiano, uma Ferrari 458 Italia ou um Porsche 911 Carrera – figurinhas carimbadas em países do Primeiro Mundo – tornou-se cena corriqueira em Minas Gerais. Na contramão da queda nas vendas de 23,9% estimada pela Federação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Fenabrave) para 2015, o estado se mantém fortalecido como celeiro de modelos de marcas de alto luxo em circulação. Demonstração de riqueza que torna as ruas de algumas cidades vitrines dignas de um salão do automóvel.
Belo Horizonte lidera o ranking de registros de supercarros – 374 com valores acima de R$ 250 mil, segundo o Detran-MG –, seguida de Uberlândia (47 carrões, incluindo quatro Audis R8 e quatro Porsches Macan), Nova Lima (25) e Juiz de Fora (14). Quando o assunto é IPVA (veja quadros abaixo), Nova Lima sai na frente, com uma média de R$ 689,44 desembolsados por veículo. São justamente as cidades de médio e pequeno porte como Itaúna que chamam a atenção pela diversidade de modelos: no município, de cerca de 90 mil habitantes, pode-se ver desde o novo Chevrolet Corvette C7 Stingray a uma Ferrari F12 Berlinetta, passando pelo Lamborghini Huracán LP610-4 – os dois últimos unidades únicas em terras mineiras.
SUPERCARROS DE ITAÚNA
Bentley Continental GT
Chevrolet Corvette C6 GrandSport e C7 Stingray
Dodge Challenger SRT8
Dodge Charger R/T
Ferrari 458 Italia e Spider
Ferrari 599 GTO
Ferrari F12 Berlinetta
Ford F150 SVT Raptor
Jaguar XKR
Lamborghini Gallardo LP-560-4 Bicolore
Lamborghini Huracán LP610-4
Land Rover Range Rover Voge Autobiography
Maserati GranTurismo S MC SportLine
Mercedes Benz E63 AMG
Mercedes Benz SL63 AMG
Porsche Cayenne Turbo
Porsche Macan S e Turbo
Porsche 911 Carrera e 911 Carrera 4S
Shelby GT500 Conversível
Gerente da AvantGarde Motors, agência de Belo Horizonte especializada no mercado de alto luxo, Fernando Duran explica que, além das realidades econômicas locais, o perfil de quem compra esse tipo de carro é o de profissional bem-sucedido que procura um veículo de luxo, mas não abre mão de discrição. Parte da clientela se sente atraída por um carro de determinada marca por considerá-lo uma obra de arte, admirar o design ou a história. Outros desembolsam milhares de reais simplesmente pelo gosto de desfilar pelas ruas. “São grandes empresários, industriais, advogados, médicos e atletas. Cada cliente prioriza algo em relação ao carro. Buscam segurança, desempenho, design, luxo, conforto, mas em sua grande maioria a compra está diretamente relacionada à busca de uma satisfação pessoal permitida pelo sucesso profissional”, aponta. Entre os supercarros à venda na loja, estão um Rolls Royce Ghost e uma McLaren MP4-12C. Na visão de Duran, cidades como Itaúna são um caso à parte na diversidade de modelos graças à economia (no caso, com forte dependência do minério de ferro). O gerente de Vendas reconhece, por outro lado, que a crise econômica chegou a impactar as vendas, ainda que por um “curto período”. “Tivemos uma pequena desaceleração do mercado de altíssimo luxo imediatamente após as eleições de 2014, mas já normalizado a partir de março de 2015”, diz Duran, que no ano passado comercializou cerca de 600 unidades.
O empresário Telmo Fagundes é dono de dois carros nessa faixa de preço: um Maserati GranTurismo 2012 e um Jaguar XKR 2014. Para ele, a elevação de commodities como minério e grãos no estado na última década fortaleceu o poder aquisitivo e, consequentemente, a demonstração de paixão pelos veículos. “Foi um efeito muito rápido. Minas Gerais é uma região fortemente mineradora. Uberlândia, por exemplo, produz muitos grãos, além de contar com empresários atuantes em diversos segmentos. Com o dólar em alta, a compra desse tipo de carro esfriou. Manutenção e impostos têm custos altos”, ressalta.
HOBBY Há cerca de cinco anos, o auxiliar administrativo Igor Herculano fotografa os bólidos de Itaúna por hobby e compartilha as imagens nas redes sociais Facebook e Instagram. O hábito, popularmente chamado de spotter (traduzindo, detetive particular), não incomoda os proprietários. Pelo contrário. “Os que eu conheço acham bem legal”, conta o jovem, que também dialoga com spotters de outras cidades do Brasil, a maioria capitais – entre elas, São Paulo e Curitiba. Para ele, a crise fez com que os donos dos carrões deixassem de trocá-los por outros mais novos. A Lamborghini LP700-4 Aventador que dava as caras por lá, por exemplo, está à venda na loja da Lamborghini de São Paulo pela bagatela de R$ 2,6 milhões. Quem tem, porém, não abre mão de manter os bólidos. Itaúna também chegou a ter pelo menos três Audis R8 (um V8 e outros dois V10) e um Nissan 370Z Nismo, todos já vendidos. Na visão do auxiliar, os supercarros já fazem parte da cultura da cidade. E, por que não, de Minas Gerais.
TOP 10
» Arrecadações médias de IPVA em MG*
Nova Lima R$ 689,44
Belo Horizonte R$ 594,87
Matias Barbosa R$ 564,58
Simão Pereira R$ 542,87
Pirajuba R$ 536,15
Juiz de Fora R$ 535,52
Ijaci R$ 507,98
Contagem R$ 496,70
Betim R$ 492,07
Sarzedo R$ 490,08
Uberlândia R$ 476,47
Itaúna R$ 438,38
» Onde mais se arrecada o imposto
1. Belo Horizonte
2. Uberlândia
3. Contagem
4. Juiz de Fora
5. Uberaba
6. Betim
7. Montes Claros
8. Ipatinga
9. Divinópolis
10. Governador Valadares
» Onde há mais carros
emplacados acima de R$ 250 mil
1. Belo Horizonte 374
2. Uberlândia 47
3. Nova Lima 25
4. Juiz de Fora 14
5. Contagem 13
6. Itaúna 9
7. Uberaba 7
8. Barbacena 6
9. Sete Lagoas 6
10. Divinópolis 6
11. Betim 6
*Médias calculadas a partir do IPVA lançado pela base de dados do Detran
Fontes: Armazém de Veículos do Detran e Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais
Por Bruno Freitas, do Jornal Estado de Minas;
Foto: Igor Herculano.

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