Se fio cair sobre carro, não desça, recomendam especialistas

Se for surpreendido por uma forte chuva enquanto estiver dirigindo, o ideal é procurar se abrigar em garagens e sob viadutos, por exemplo, ou ficar dentro do carro, caso tenha de permanecer na rua, recomendam especialistas. Um temporal nesta quarta-feira (25), em São Paulo, causou alagamentos, derrubou árvores e resultou na morte de um motorista, que foi eletrocutado por um cabo de energia que se soltou na rua.
De acordo com os bombeiros, o homem foi atingido diretamente pelos fios após estacionar o carro e descer do veículo. O engenheiro Francisco Satkunas, conselheiro da SAE Brasil, alerta que, no caso de um cabo de energia se soltar e atingir um veículo, há pouco risco para quem estiver dentro dele, mas, se tentar sair do carro e colocar o pé no chão, ela poderá receber a descarga elétrica.
“A pessoa servirá como um fio terra”, compara Anderson Jacomini, professor de física do Cursinho da Poli.
“Assim, não saia do carro enquanto alguém, um bombeiro, não tirar o fio de cima dele. Ou, se estive fora do carro, não toque nele, não tente entrar”, recomenda Satkunas.
“É uma situação que não dá nem para a gente prever qual o tipo de comportamento que as pessoas devem ter. Se puderem esperar, e não tiver uma situação de incêndio provocado pela própria fiação elétrica, seria a menor opção, mas é uma situação muito complicada, de extremo perigo”, explicou Marcos Palumbo, capitão do Corpo de Bombeiros de São Paulo, em entrevista à GloboNews.
Carro é ‘gaiola’
O professor do Instituto de Física da USP, Antonio Martins Figueiredo Neto, explica que o carro, por sua estrutura de aço, funciona como uma “gaiola metálica”, em relação ao cabo de energia, mantendo essa energia em seu exterior, isolando quem está dentro do veículo. “Não há corrente elétrica”, afirma.
Jacomini conta que isso foi demonstrado pelo físico e químico inglês Michael Faraday, na experiência chamada “gaiola de Faraday”. Figueiredo Neto lembra experiências que ainda hoje são realizadas nas universidades. “Nós colocamos um estudante sobre uma plataforma de madeira, ele segura uma bola metálica e ela é carregada eletricamente. Os cabelos ficam em pé, mas ele não sente nada porque está isolado.”
“A (corrente) só passa a existir se tiver um diferencial, que é o caso de a pessoa pisar no chão, porque a terra está a um potencial diferente do carro e, assim, fecha o circuito, gerando a descarga elétrica”, esclarece o professor.
Não toque em partes metálicas
No entanto, não há risco zero para quem está em um carro atingido por um cabo de energia, adverte o professor. “Pode ocorrer de uma corrente elétrica passar pelo carro se os pneus entrarem em contato com água com sal (íons) ou metais”, diz. Por isso, a recomendação é, mesmo dentro do carro, não tocar em nenhuma parte metálica do veículo.
Veja outras dicas dos especialistas para o caso de estar no carro em meio a um temporal:
RAIOS
Da mesma forma que isola o interior do veículo da energia do cabo rompido, o carro também o protege dos raios.
“A energia se distribui pelo carro porque a resistência elétrica é o metal é menor que a do corpo humano”, explica Figueiredo Neto, da USP.
LUGARES MAIS E MENOS SEGUROS
Evite locais descampados e parar o carro sob árvores: além de funcionar como para-raios, elas ou seus galhos podem ser derrubados pelo vento e arrancar também os cabos de energia.
Os locais mais seguros para se abrigar, segundo Satkunas e Figueiredo Neto, são sob viadutos – no acostamento e com o pisca-alerta ligado – e em garagens. “Os shoppings, por exemplo, costumam ter para-raios”, lembra o professor.
CHUVA DE GRANIZO
No caso de chuva de granizo, a primeira atitude é se acalmar, diz Satkunas. “A pessoa costuma ficar apavorada porque o barulho é muito forte, principalmente em carro popular, com baixa proteção acústica no teto, a pessoa não escuta mais nada.”
O ideal é se abrigar no local mais próximo, porque o granizo, associado à pista molhada, prejudica sobretudo a frenagem, destaca o engenheiro.
ALAGAMENTOS
“Na hora que tem chuva, se tiver que passar (por um alagamento), use uma marcha bem reduzida. Se o carro for automático, deixa em primeira”, aconselha Satknuas. “Não saia à toda velocidade, mantenha 2.500, 3.000 giros, para evitar que a água entre pelo escapamento.”
Cuidado com a altura da água: se ela ultrapassar a metade da roda do carro da frente, não tente passar pela área alagada. E, se houver uma pane no motor, não tente dar a partida novamente. Confira, nos vídeos abaixo, do Guia Prático, mais dicas para enfrentar alagamentos com carro e com moto.
Por Luciana de Oliveira, do G1;
Foto: Paulo Toledo Piza/G1.

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