Renault vê mais três anos difíceis no país, mas traça a meta de ter 8% do mercado

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Ghosn, chefe global da montadora: consumo de carros pode crescer 2% no mundo, mas vai cair pelo menos 6% no Brasil

O mercado automotivo brasileiro continuará enfrentando dificuldades nos próximos dois ou três anos, estima Carlos Ghosn, presidente mundial da Renault. “Não penso que 2017 será muito melhor no Brasil do que 2016. Não há nenhuma razão para achar isso”, disse Ghosn durante a apresentação, na sexta-feira, dos resultados financeiros do grupo em sua sede nos arredores de Paris.
Segundo ele, “nada permite pensar” que pode haver crescimento a curto prazo no Brasil. A Renault prevê queda de 6% do mercado brasileiro em 2016, uma previsão que é mais otimista do que a da maioria de seus concorrentes. “Espero estarmos certos”, disse o CEO, sugerindo que os números podem ser bem piores.
O grupo já estuda rever para baixo a previsão, feita no final do ano passado, antes do anúncio do recuo de quase 39% nas vendas em janeiro na comparação anual. “Já estamos trabalhando com outros cenários”, afirmou Olivier Murguet, diretor das operações da região Américas.
Entretanto, mesmo num contexto adverso, o objetivo é atingir 8% de participação de mercado até 2017, saindo dos 7,3% de 2015.
A Renault, conforme Ghosn, vem adaptando constantemente suas estratégias – em termos de investimentos e mão de obra – para enfrentar a crise no Brasil, seu segundo maior mercado mundial, atrás apenas da França, país-sede da marca. A estratégia prevê novos produtos no mercado brasileiro.
“Não estamos em posição defensiva, que nos levaria a parar todas as iniciativas. Vamos continuar a investir e a fazer lançamentos no país nos próximos anos”, declarou o presidente. “Não duvidamos do potencial do mercado brasileiro, mas nos seguramos para não sermos pegos de surpresa no curto e médio prazos”, acrescentou.
Entre os dez lançamentos previstos neste ano, nenhum, no entanto, será realizado no Brasil. Novidades estão previstas a partir de 2017, diz Murguet, sem dar detalhes. A Renault começará a produzir na Argentina no próximo ano uma picape concorrente da Amarok (Volkswagen) com capacidade de carregar até uma tonelada de carga. O modelo será vendido inicialmente em países da América Latina, mas não no Brasil, onde a marca abriu, em outubro, um novo segmento com o lançamento da picape média Oroch. A partir deste mês, os franceses terão a concorrência da Fiat na categoria.
Ghosn disse “não ter dúvidas” de que haverá retomada do crescimento no Brasil. “A única questão é quanto tempo isso vai levar”, ressaltou. Ele preferiu não dizer se a Renault teria sofrido prejuízo no país em 2015, como já havia ocorrido no ano anterior, quando as perdas somaram R$ 270 milhões.
“A América do Sul é positiva. O Brasil, bem menos”, disse, acrescentando que a situação hoje se inverteu: a região passou a ser bem mais lucrativa do que o Brasil.
A Rússia, outro país-chave para a Renault, até então seu terceiro maior mercado, sofreu queda superior a 35% nas vendas no ano passado. Apesar da má performance em algumas economias emergentes, a receita global em 2015 foi recorde, de € 45,3 bilhões, com crescimento de 10,4%, graças principalmente à dinâmica do mercado europeu e aos novos modelos. O Kwid lançado em setembro na Índia, por exemplo, já vendeu 100 mil unidades. O lucro líquido cresceu quase 50%, atingindo € 2,96 bilhões.
O grupo estima que o mercado mundial deverá crescer entre 1% e 2% neste ano. “Devemos conseguir crescer ou ao menos manter nossas posições de vendas em todas as regiões”, disse Ghosn.
Para isso, ele conta principalmente com a China, maior mercado do mundo, e a Índia, que devem crescer, respectivamente, 4% e 8%.
Durante a apresentação do balanço, Ghosn também negou, em tom irritado, que o grupo tenha fraudado testes antipoluição de veículos e citou os altos investimentos da companhia nos carros elétricos para ilustrar o engajamento nesse campo. “Nossos carros não têm softwares fraudulentos. Isso foi verificado por uma comissão independente nomeada pelo governo francês.” O CEO ressaltou que os testes de emissões nem sempre correspondem às condições de uso real, que variam em função das temperaturas e do número de passageiros.
Fonte: Valor Econômico

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