Receita das montadoras cai R$ 6 bi

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O aprofundamento da crise atravessada pela indústria automobilística nacional derrubou em pouco mais de R$ 6 bilhões o faturamento das montadoras com a venda de carros no Brasil. Segundo levantamento da Oikonomia, consultoria especializada no setor, a receita obtida no mercado doméstico pelas 15 marcas de automóveis mais populares do país caiu para R$ 155,3 bilhões em 2014, 3,8% menos do que os R$ 161,4 bilhões do ano anterior.
O impacto só não foi maior porque os brasileiros, embora comprem menos, estão, na média, gastando cerca de R$ 2 mil a mais na compra do carro novo. Em 2014, ainda conforme as estimativas da Oikonomia, o valor médio de cada carro vendido no país subiu 4,5%, chegando a R$ 48 mil como resultado da evolução no padrão de consumo para veículos maiores, mais potentes e mais equipados. Soma-se a isso o aumento nos preços dos automóveis com a obrigatoriedade de novos dispositivos de segurança (airbags e freios ABS) e a retirada – parcial no ano passado – de descontos no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
“Percebemos uma alta do consumo de produtos de maior valor agregado. Apesar da queda do mercado total, muitos carros sofisticados, incluindo modelos de luxo, continuaram crescendo no ano passado, enquanto os veículos populares foram mais atingidos pela restrição de crédito”, diz Raphael Galante, analista da Oikonomia.
Números da Fenabrave, a entidade das concessionárias de veículos, mostram que, a despeito da crise, houve durante 2014 avanço na demanda por utilitários esportivos e sedãs de porte médio, como o Corolla, da Toyota. Por outro lado, a aposentadoria do Uno Mille e do Gol G4, dois dos modelos que estavam entre os mais baratos do país, jogou para baixo o desempenho geral no mercado de entrada.
Concomitantemente, as montadoras dão sinais de que não estão dispostas a sacrificar muito mais suas margens de rentabilidade em prol de volumes. Sinal disso foi o aumento médio de 2,3% no preço do carro zero medido no ano passado pela Autoinforme, agência que monitora o que está sendo cobrado nas concessionárias.
Em 2013, a disposição dos brasileiros em adquirir veículos mais caros – fruto da ascensão de renda – permitiu à indústria automobilística manter o faturamento em alta mesmo com o início do ciclo de baixa nas vendas. Apesar do recuo de 1,5% dos emplacamentos, o montante apurado na venda de carros de passeio e utilitários leves no mercado brasileiro subiu R$ 3,3 bilhões naquele ano.
Em 2014, porém, as montadoras não conseguiram repetir o feito porque a queda dos volumes, de 6,9%, foi muito pior. A Volkswagen e a General Motors (GM), que vende automóveis da marca Chevrolet, foram as que mais perderam receita. Em números absolutos, o faturamento da montadora alemã decresceu R$ 3,79 bilhões no ano passado, enquanto o da marca americana cedeu R$ 2,1 bilhões.
Os números, estimados pela Oikonomia, levam em conta apenas os resultados no mercado interno de automóveis e veículos comerciais leves. Não são considerados, portanto, os montantes obtidos com as exportações ou as vendas no Brasil de caminhões e ônibus.
A Peugeot Citroën, na soma das duas marcas, também está entre as maiores quedas: faturou R$ 1,64 bilhão menos do que em 2013, segundo os dados da consultoria. Na direção oposta, a Hyundai e a Toyota – as duas marcas que mais cresceram no Brasil em 2014 -, junto com a Renault, a Mitsubishi e a chinesa Chery, estão entre as poucas montadoras que conseguiram melhorar o faturamento no país (veja no gráfico acima).
A perda de receita da maior parte dos fabricantes foi, porém, bem menor do que a dos volumes, mostrando que o aumento no preço médio pago pelos carros, o chamado tíquete médio, tem ajudado a minimizar os efeitos da crise.
Como reflexo da sofisticação do padrão de consumo brasileiro, a Toyota, embora seja a sétima do ranking em volume, superou a Ford e agora é a quarta montadora que mais fatura com vendas de carros no Brasil. Apesar de ter vendido 112,7 mil carros a menos do que a Ford, o preço médio dos veículos vendidos pela Toyota é bem maior: R$ 78,4 mil contra R$ 47,3 mil. Além de ganhar escala com a investida no segmento mais popular do mercado após o lançamento do compacto Etios, a Toyota aumentou em 17% as vendas do sedã Corolla, cujo preço atualmente parte de R$ 69,7 mil. Também viu um avanço de 1,6% da picape Hilux, que parte de R$ 95,9 mil.
A diferença de tíquete médio também explica por que a Hyundai faturou R$ 1,2 bilhão a mais do que a Renault, embora as duas tenham praticamente se igualado em volumes vendidos no ano.
 
 
Fonte: Valor Econômico

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