Quando o carro zero é um tormento para consumidores

Consumidores optam por comprar um carro zero para evitar dores de cabeça com a manutenção. Porém, o fato do carro ser novo não significa que ele não dará problema. Em maio do ano passado, a gerente comercial Isabelle Cristine Costa Fraga, 30, comprou um Fox, da marca Volkswagen, na concessionária Garra, na capital mineira. “Eu precisava do carro para trabalhar e resolvi investir para garantir o meu conforto”, afirma. Porém, um problema no painel – a luz do airbag sempre acesa – foi identificado nas primeiras horas depois de tirar o carro da concessionária. “Não reclamei na hora porque não entendi que era um problema”, explica. Quando ela resolveu tirar a dúvida, a concessionária informou que iria consertar o carro. “Desde então, todos os meses, eu tenho que levar o carro para consertar. Eles arrumam e depois o problema retorna. A última vez foi agora em maio. Eles ficaram mais de dez dias com ele na mecânica”, lamenta Isabelle.
Por nota, a concessionária informou que “o defeito alegado pela cliente foi reparado através da garantia concedida pela fabricante Volkswagen, bem como ressalta que atendeu a cliente em todas as vezes que foi acionada”.
Segundo o coordenador do Procon da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Marcelo Barbosa, quando um carro zero apresenta problema nos primeiros dias, o consumidor deve levá-lo à concessionária e, se o problema não for resolvido em 30 dias, o dinheiro deve ser devolvido ou um novo carro entregue. “Porém, a legislação é desrespeitada. As concessionárias fazem de tudo para não pagar ou entregar um carro novo”, diz. Ele explica que o prazo de 30 dias pode ser ampliado para 180 dias, mas só quando o cliente concorda. Barbosa ainda ressalta que o cliente tem o direito de pedir indenização do tempo que ficou sem o carro e dos prejuízos que a situação pode ter causado.
A coordenadora de qualidade Raíssa Reis, 24, também percebeu na hora de sair da concessionária um problema na marcha do veículo que adquiriu, um HB20 da marca Hyundai, porém, acreditou que poderia ser uma questão de adaptação. “Uma semana depois levei à concessionária e eles confirmaram que era um defeito”, explica Raíssa. Ela adquiriu o carro na concessionária Jac Motors, em fevereiro.
“Eles demoraram 28 dias para entregar o carro, porém, quando devolveram ele estava arranhado. Encaminhamos o veículo novamente para a concessionária que o entregou com um arranhado novo. O carro está na oficina pela quarta vez e não tem nem 1.000 Km rodados”, reclama Raíssa.
A publicidade negativa é uma arma que o consumidor deve utilizar nos casos de carro zero com defeitos, segundo o coordenador do Procon da Assembleia Legislativa, Marcelo Barbosa. “Ajuda quando o cliente reclama nas redes sociais, já que a legislação não é respeitada”, diz.
Para o coordenador, muitas vezes a solução do problema está nas mãos do próprio consumidor. “Fica na mão do cliente aceitar os diversos consertos, a falta de retorno das empresas, ou entrar na Justiça. Mas esta solução costuma demorar. O consumidor pode esquecer o carro, já que o prazo mínimo para resolver no Judiciário é de dois anos”, diz.
“O Ministério Público sabe, o Conselho Nacional de Defesa do Consumidor sabe que a lei não é respeitada nestes casos, mas o consumidor continua lesado”, conclui.
Ação na Justiça leva dois anos
A publicidade negativa é uma arma que o consumidor deve utilizar nos casos de carro zero com defeitos, segundo o coordenador do Procon da Assembleia Legislativa, Marcelo Barbosa. “Ajuda quando o cliente reclama nas redes sociais, já que a legislação não é respeitada”, diz.
Para o coordenador, muitas vezes a solução do problema está nas mãos do próprio consumidor. “Fica na mão do cliente aceitar os diversos consertos, a falta de retorno das empresas, ou entrar na Justiça. Mas esta solução costuma demorar. O consumidor pode esquecer o carro, já que o prazo mínimo para resolver no Judiciário é de dois anos”, diz.
“O Ministério Público sabe, o Conselho Nacional de Defesa do Consumidor sabe que a lei não é respeitada nestes casos, mas o consumidor continua lesado”, conclui.
Por Ludmila Pizarro, do O Tempo.

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