O Brasil em 2030: Velocidade chinesa no transporte

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O Brasil de 2030 tem o dobro da frota de automóveis de 2014. São 90 milhões de carros, quase um para cada dois habitantes, tantos quanto no Japão e na Alemanha. O trânsito nas cidades, porém, melhorou. O brasileiro compra carro porque gosta e pode. Não porque precisa. O transporte público entrou num ciclo virtuoso. A maioria usa porque funciona, e funciona porque a maioria usa. O país não se tornou monocultura dos carros de passeio a álcool, dos corredores de ônibus ou das bicicletas. Adaptou a vasta gama de soluções de acordo com as diferentes condições de topografia, custo e demanda das cidades.
Maior capital do país, mais populosa que a maioria dos países da Europa, São Paulo adotou o transporte subterrâneo. A participação do metrô na locomoção diária passou de cerca de 20% para aproximadamente 80% – como em Hong Kong, referência mundial em mobilidade urbana. Estações de metrô suntuosas, como a Butantã, sobrevivem como lembrança de um tempo em que eram uma raridade festejada por políticos e moradores. As novas estações são entradas discretas, como tantas de Paris ou Londres, mas o paulistano de 2030 não tem dificuldade de encontrá-las. Na região central da cidade, há uma estação a cada 2 quilômetros.
Ao transferir o transporte expresso para debaixo da terra, São Paulo aliviou o trânsito de carros – e pôde transformar ruas em passarelas. Para tornar a caminhada agradável, nas íngremes ladeiras, São Paulo adotou uma solução da Hong Kong dos anos 1990: esteiras e escadas rolantes ao ar livre. São o meio de transporte ideal. Embarque e desembarque imediato, operação silenciosa, grande capacidade de passageiros e operação segura. Ao caminhar diariamente, os brasileiros ganham qualidade de vida e saúde.
Segunda maior cidade do país, o Rio de Janeiro torna-se a capital mundial das bicicletas. A malha de ciclovias quadruplicou em 15 anos. Com 800 quilômetros, deixou para trás Amsterdã. Na capital holandesa, 40% da população pedala para ir à escola ou ao trabalho. O Rio não chega a tanto, por ser maior. Combina bicicletas com corredores de ônibus e trens de superfície – exemplo adotado por outras capitais de clima ameno e topografia plana, como Curitiba e Brasília. Em grandes distâncias da Zona Oeste do Rio, a bicicleta viaja no bagageiro dos ônibus, como em Los Angeles, nos Estados Unidos. O vaivém das bicicletas nas pistas fechadas aos carros no Aterro do Flamengo e na Avenida Atlântica, cena antes reservada aos domingos e feriados, incorpora-se ao cotidiano. Em 2030, o Rio de Janeiro continua lindo.
Fonte: Revista Época

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