Aumento de impostos no país em 2015 é dado como certo

Para chegar a um equilíbrio das contas públicas em 2015, o governo federal poderá aumentar os tributos para fazer frente ao aumento dos gastos, dizem economistas, que dão como certa essa possibilidade. Outra opção seria deixar crescer ainda mais a dívida pública no próximo ano, que promete não ser fácil para a economia do país. “A inflação tende a ficar controlada em 2015, já que não saiu do horizonte do governo federal. A política econômica deverá ser contracionista e, com o quadro fiscal apertado, o governo pode adotar medidas impopulares. A tendência é que os gastos públicos aumentem, assim como a carga tributária”, analisa o especialista em finanças públicas da Tendências Consultoria Integrada Felipe Salto.
Para o professor do curso de ciências econômicas da Newton Paiva Cleyton Izidoro, há grandes chances de aumento dos impostos no ano que vem. “O que não é bom, já que a carga tributária já é elevada. A fiscalização também tende a aumentar”, diz. Ele defende a redução dos gastos do governo. “Não adianta mudar o cálculo, isso é maquiar. O fato é que a máquina pública está inchada e é ineficiente”, observa.
O professor do Ibmec/MG e mestre em finanças internacionais Ricardo Couto afirma que a dificuldade para fechar as contas do governo já vinha “acenando” para o déficit em vez do superávit. “O governo tem que aprender a gastar menos do que arrecada”, diz. Ele afirma que, diante do atual cenário, a discussão que volta à tona é mesmo o aumento de tributos, que pode contemplar a volta de algum imposto, como a famigerada Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, a CPFM, que também ficou conhecida como “imposto do cheque”.
Orçamento de 2015. Estudo elaborado pelos consultores Ingo Antonio Luger e Márcia Rodrigues de Moura, da Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados, mostra entraves para 2015 no que se refere à proposta do orçamento federal para o próximo ano, em análise no Congresso Nacional. Voltam a se repetir os mesmos problemas que levaram ao descumprimento da meta fiscal nas contas públicas, de 2014: receitas superestimadas e despesas artificialmente comportadas.
Se o cenário do governo no projeto do Orçamento se confirmar, as contas públicas do próximo ano fecharão com um saldo positivo (superávit primário) equivalente a 2% do Produto Interno Bruto (PIB). Do contrário, será preciso promover um duro ajuste nos gastos para chegar a esse resultado. De tal forma que a política fiscal passaria a ser contracionista (retiraria recursos da economia), depois de dois anos na direção contrária.
Por Juliana Gontijo, de O Tempo.
 

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