Fenabrave espera queda superior a 3% em 2014

Já não há mais esperança de que as vendas de veículos atinjam este ano nível semelhante ao anotado em 2013, pelo menos para a Fenabrave, federação que reúne os distribuidores no Brasil. Em reunião com a imprensa na terça-feira, 3, após analisar o desempenho do mercado nos primeiros cinco meses, a entidade admitiu que o ano está sendo mais difícil do que o esperado e que a retração nas vendas deverá ser superior a 3%.
“A hipótese positiva de manter os resultados de 2013 já foi descartada. Estamos bastante preocupados”, declarou Flávio Meneghetti, presidente da Fenabrave. Segundo o executivo, os estoques nas concessionárias já acumulam mais de 50 dias de vendas. Além de alta inflação (principalmente de alimentos, o que limita o consumo), a população enfrenta dificuldades para acesso ao crédito.
“Não falta crédito, mas há sérias dificuldades para obtê-lo. Os bancos que tiveram prejuízos nos últimos anos não querem assumir (novos) riscos”, aponta. O executivo diz que a Fenabrave tem trabalhado com o governo para criar instrumentos de retomada das liberações. “Isso é fundamental”, comentou. Uma das propostas, segundo o executivo, seria a criação de legislação mais rígida para retomar os veículos em caso de inadimplência, como já é feito no setor imobiliário.
A Fenabrave está certa de que o IPI reduzido não será mantido no segundo semestre do ano. “O governo não tem condições de conceder mais nenhum incentivo para o setor. Diante de um PIB abaixo das expectativas e de queda nos investimentos no País (leia aqui), o governo não consegue manter o benefício. Está precisando de dinheiro para fechar as contas. Portanto, em 1º de julho, o IPI voltará ao patamar normal (passa de 3% para 7% no caso de modelos 1.0 e de 7% para 11% no caso dos equipados com motores flex de 1.1 a 2.0)”, aponta. “E isso acontecerá em um mercado com dificuldades para trabalhar preços e que teve aumento de despesas por causa inclusão de equipamentos de segurança, como airbag e ABS.”
Na avaliação de Meneghetti, a manutenção do IPI reduzido não geraria grande impacto. “O brasileiro não dá mais tanta importância para estas medidas como deu em 2012, quando conseguimos recuperar o mercado. O IPI já não surte tanto efeito. A dificuldade está no consumo em si”, ponderou. O executivo lembrou que o nível crescente de desemprego também preocupa.
Até mesmo as promoções realizadas pelas concessionárias não têm tido força suficiente para conter a retração. “Já passamos do limite do possível. As concessionárias e montadoras estão trabalhando com margens apertadas. Fazer mais do que tem sido feito é dar o carro de graça, o que é impossível.”
Por enquanto, a entidade prefere não cravar números para 2014. Mantém a expectativa de queda de 3,2%, para algo em torno de 3,6 milhões de veículos. Mas depois da Copa do Mundo já poderá definir uma nova estimativa. “Vamos aguardar uma condição menos volátil, mas já sabemos que o viés é de baixa mais profunda. Não só para o nosso setor, mas para toda a economia.”
JANEIRO A MAIO
Segundo números do Registro Nacional de Veículos (Renavam) apresentados pela Fenabrave, as vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus ultrapassaram 1,39 milhão de unidades de janeiro a maio deste ano, o que representa queda de 5,4% em comparação com igual intervalo do ano passado.
Dentre os segmentos, o de caminhões foi o que apresentou a retração mais acentuada no acumulado do ano, de 10,9%, para 54,5 mil emplacamentos. Meneghetti explicou que, mesmo com o acesso ao Finame simplificado desde abril, o desempenho no primeiro semestre segue prejudicado.
“Não conseguimos minimizar o forte impacto exercido em janeiro por causa da demora da regulamentação do Finame do BNDES. Depois tivemos que esperar por mais alguns meses para ter acesso ao financiamento simplificado. Tudo isso prejudicou as vendas.”
No segmento de ônibus a retração de janeiro a maio também foi alta, de 10,1%, para pouco mais de 12 mil unidades licenciadas.
Considerando apenas automóveis e comerciais leves, 1,33 milhão de veículos foram entregues nos cinco meses, volume 5,1% menor do que o observado em igual período do ano passado, que fechou com 1,4 milhão de unidades.
Somente em maio, os emplacamentos de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus somaram 293,3 mil unidades, o que representa alta quase que imperceptível de 0,05% sobre abril último e queda de 7,2% sobre maio de 2013.
Foram licenciados no mês de maio 277,9 mil automóveis e comerciais leves, em queda de 0,65% sobre abril e de 7,54% contra maio do ano passado. Os caminhões, por sua vez, somaram 12,9 mil unidades no mês, com alta de 17% sobre abril e de 1,5% sobre maio de 2013. Os ônibus tiveram 2,5 mil emplacamentos, em retração de 11,8% na comparação anual.
A Fenabrave chamou atenção para a redução do movimento diário de emplacamentos. Na comparação entre os dois últimos meses, houve queda de 5,3% para automóveis e comerciais leves, com 13,2 mil licenciamentos por dia útil nos 21 dias úteis de maio, enquanto abril teve 14 mil/dia em 20 dias úteis. A entidade espera por retração ainda maior em junho para o segmento, com o início da Copa do Mundo e cerca de 10 dias de paralisação nas vendas.
Por Camila Franco, do AutomotiveBusiness.

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