Estudo do Rio Como Vamos revela que imprudência torna trânsito da cidade mais violento

Quase duas pessoas morrem por dia na cidade do Rio, vítimas de acidentes de trânsito. Indicadores do Rio Como Vamos (RCV), com base nos dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), mostram que houve aproximadamente 600 óbitos por ano, de 2009 a 2013. No mesmo período, o número de registros de feridos também cresceu: saltou de 18.924 para 23.284. São números de uma guerra. O RCV alerta para um padrão de comportamento que se alastra perigosamente: os motoristas estão dirigindo de maneira cada vez mais imprudente, não respeitando os limites de velocidade e o sinal vermelho, colocando em risco suas vidas e as de terceiros.
SITUAÇÃO ALARMANTE
Na comparação dos dados do primeiro semestre de 2013 com o de 2014, as mortes no trânsito aumentaram de 258 para 321 (24,4%). Uma situação alarmante. As regiões mais afetadas no primeiro semestre deste ano foram Botafogo (de sete para 15 óbitos), Campo Grande (de 21 para 27) e Jacarepaguá (de nove para 20). Já a região do Méier registrou queda de 15 para sete óbitos no mesmo período.
Os acidentes com feridos também preocupam. Confrontando o período estudado, percebe-se que os casos aumentaram de 10.386 para 11.338 (9,2%). No primeiro semestre de 2014, o RCV chama atenção para as regiões da Barra da Tijuca (de 648 para 920 registros), Jacarepaguá (de 710 para 892) e Santa Cruz (de 370 para 516). Reduções importantes ocorreram em Campo Grande (de 982 para 868 feridos) e Méier (de 682 para 625).
De acordo com o Corpo de Bombeiros, em 2013 houve 25.403 acidentes de trânsito com mortos e feridos, sendo que no comparativo do período houve um aumento de quase 7% (de 11.617 para 12.401). Colisão foi o acidente que teve mais destaque, com crescimento de 12%, e corresponde a 54% do total de ocorrências registradas em 2013. Em seguida vem atropelamento (23%) e queda de moto (19%).
Segundo o Rio Como Vamos — com base nos indicadores da Secretaria municipal de Transportes/Iplan —, as infrações subiram de dois milhões, em 2008, para 2,7 milhões, em 2013. E a tendência é que 2014 feche com um total acima de 2013, pois de janeiro a julho já foram contabilizadas 1,5 milhão de multas.
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As infrações por excesso de velocidade passaram de 937 mil, em 2009, para 1,5 milhão em 2013. E só de janeiro a julho deste ano, 891 mil pessoas foram multadas por dirigir acima da velocidade permitida: nada menos que 57% do total do ano passado. No caso das infrações por avanço de sinal, apesar de os números apresentarem queda entre 2009 e 2013 (de 585 mil para 117 mil), de janeiro a julho de 2014 o volume de multas já chegou a 171 mil.
Pesquisa quantitativa de mobilidade urbana, realizada pelo RCV em junho de 2013, revela que 34% dos 1.500 entrevistados disseram que os motoristas têm responsabilidade nos acidentes, por impaciência no trânsito e desrespeito à sinalização, e 25% apontam a falta de fiscalização e de punição aos infratores. Outro dado é que, para 47% deles, investir em ciclovias e implementar medidas de segurança para os ciclistas são ações que poderiam incentivar os moradores a adotarem a bicicleta como principal meio de transporte.
LEI SECA: 90% APROVAM
O tenente-coronel Marco Andrade, que há cinco anos e meio coordena a Operação Lei Seca no estado, afirmou que a questão do trânsito é um problema de saúde pública, além de envolver mobilidade urbana e segurança. Em vez de apontar a falta de recursos financeiros, humanos ou de equipamentos como fatores que dificultam seu trabalho, destaca que o maior desafio é o comportamento dos motoristas:
— Não se muda uma cultura da noite para o dia. Nosso trabalho é de fiscalização, mas, acima de tudo, de prevenção. E isso depende da conscientização de cada um. Para o trânsito melhorar, é necessário promover uma mudança de hábitos.
A última pesquisa de percepção do RCV apontou que 90% dos moradores da cidade aprovam a Lei Seca e 56% acham que os pontos de fiscalização deveriam ser ampliados.
Até junho deste ano, a Lei Seca abordou 165.362 motoristas só no Rio, enquanto que em 2013 foram 274.027. Nesse período, 30.396 foram multados, 6.631 veículos rebocados e 8.238 motoristas tiveram a CNH recolhida. Os agentes realizaram 147.733 testes com o bafômetro.
MOVIMENTO MONITORA DEZ ÁREAS
O Rio Como Vamos (RCV) avalia a qualidade de vida do carioca em dez áreas: saúde; transportes; educação; segurança pública; pobreza e desigualdade social; meio ambiente; lazer e esporte; saneamento básico; inclusão digital; e trabalho, emprego e renda. Os dados são divulgados pelo GLOBO e no site do movimento.
O RCV tem o apoio de: Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Fecomércio, Associação Comercial, Observatório de Favelas, CDI, Cedaps, Idac, Ethos, Light, Instituto do Trabalho e Sociedade, Santander, Grupo Libra, Fundação Avina, Metrô Rio, UTE Norte Fluminense, KPMG, OnBus Digital, Instituto Invepar, The Climate Works e Vale.
Do O Globo.

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