Carros 'made in China' quebram tabu e entram na Europa e nos EUA

Os smartphones, as peças de aviões e outros bens tecnológicos fabricados na China já conquistaram o Ocidente e os veículos vão, pouco a pouco, pelo mesmo caminho.
Considerando-se as estatísticas para 2015, não parece, porém, que isso acontecerá rápido: exportou-se apenas 3% da produção chinesa, o equivalente a 755.500 veículos, em especial para países emergentes.
O que antes era um tabu está caindo por terra. A gigante americana General Motors (GM) deu o passo: vários carros Cadillac e Buick fabricados na China acabarão, em curto prazo, em concessionárias dos Estados Unidos.
Este ano, a GM e seu sócio chinês SAIC inauguraram uma fábrica Cadillac na região de Xangai, com investimento de US$ 1,2 bilhão. No local, será fabricado o sedã CT6 híbrido recarregável, destinado à China e aos Estados Unidos.
A General Motors também anunciou que importará este ano da China o SUV Buick Envision, o que gerou mal-estar entre os sindicatos dos trabalhadores do setor do automóvel americano (UAW).
O envolvimento da GM, que aposta na venda anual de 30 mil a 40 mil Envision nos Estados Unidos, pode convencer os clientes mais reticentes em relação à qualidade dos produtos fabricados na China, destaca a especialista Namrita Chow, da IHS Automotive.
“O ‘made in China’ não é um obstáculo em si. A questão é saber quem produz”, disse Chow.
O presidente da GM para a China, Matt Tsien, garante que a fábrica de Xangai não deixa nada a desejar às instaladas nos Estados Unidos e dispõe de “algumas das tecnologias mais avançadas no setor automobilístico atual”.
Fabricar na China permite aproveitar o custo mais baixo de mão de obra do que no Ocidente, mas a taxa de câmbio e as barreiras tarifárias podem reduzir os benefícios.
“Isso pode ser feito, enquanto os custos intermediários vinculados ao transporte dos veículos continuarem sob controle”, afirma o diretor do observatório Cetelem do Automóvel, Flavien Neuvy.
Táxis elétricos
O cálculo parece vantajoso, no caso de veículos híbridos, ou elétricos, em pleno desenvolvimento na China, destaca Tsien.
“Os fabricantes chineses querem vender, fervorosamente, para o exterior”, afirma o especialista Paul Gao, da empresa McKinsey, em Hong Kong.
Esbarram, porém, nas normas de homologação. Além disso, adverte Laurent Petizon, da AlixPartners, “os mercados europeus e americanos são os mais disputados do mundo” e, por enquanto, os resultados foram “simbólicos”.
A BYD conseguiu colocar algumas dezenas de sedãs elétricos para equipar táxis em Londres, Bruxelas e Chicago.
Os fabricantes chineses também se interessam por outros mercados de mais fácil acesso, como Turquia e Rússia.
A companhia pública Guangzhou vende seus carros no Oriente Médio e quer fabricar na Rússia e no Irã, segundo a imprensa especializada, enquanto a Chery lançou uma linha de montagem no Egito.
A ideia consiste em vender carros na África, “um mercado com um potencial enorme”, segundo He Xiaoqing, dirigente de esta empresa.
O grupo PSA não vende “made in China” na França, mas já exportou carros fabricados por suas co-empresas chinesas para mercados emergentes, como Egito, ou Irã, mais recentemente.
O grupo francês fornece para países vizinhos da China a partir de sua fábrica de Wuhan e exporta peças para serem montadas na Tailândia, ou na Malásia, explica o diretor-geral da Peugeot, Maxime Picat, no Salão do Automóvel realizado em Pequim.
Da France Presse;
Foto: STR/AFP.

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