Carrões em tempos de crise

(Jan 2015) Detroit, MI. North American International Auto Show
(Jan 2015) Detroit, MI. North American International Auto Show

Detroit (EUA) — Carrões são os sonhos de consumo de muita gente. Com crise econômica, ou não, os amantes do design e dos motores enfrentam temperaturas abaixo de zero, frio e neve para conhecer as novidades do primeiro salão da indústria automobilística deste ano, em todo o planeta. O salão de Detroit, aberto até o dia 24, porém, não desperta mais o interesse de grandes marcas, como Ferrari e Lamborghini, expostas em estandes da famosa Brembo e da revista Robb Report, respectivamente. Bentley, Rolls-Royce, Bugatti, Land Rover, Jaguar e até a Tesla ficaram de fora. Na verdade, a aproximação com o Los Angeles Auto Show, que antecede o evento, em novembro, ofusca um pouco o brilho da exposição. Mesmo sem o brilho de marcas, o North American International Auto Show (#Naias2016) imprimiu o ritmo dos anos anteriores, pós 2008, sem excessos, sem luxo, com objetividade e apresentação de produtos. Tudo como manda o figurino dos tempos de crise.
Mesmo com o mercado norte-americano crescendo, as apresentações são modestas. Os japoneses e os quatro alemães Audi, BMW, Mercedes-Benz e Porsche conseguem disputar, com mais relevância, o interesse do público. As novidades chegarão ao Brasil até novembro, quando ocorre a bienal do automóvel em São Paulo.
A estilosa Chrysler Pacifica, van de até oito lugares, sucessora no mundo da Town & Country, é uma das atrações do tipo família. O norte-americano curte esse tipo de veículo e o brasileiro que viaja para Miami e Orlando com a família dificilmente escolhe outra minivan. O modelo utiliza um 3.6 V6 de 291cv, está 131kg mais magro em relação ao seu antecessor e vem com câmbio automático de nove marchas com botão giratório seletor. A tela do painel é de boa definição e entretenimento a bordo é fato garantido, som de alto nível da Harman Kardon, telas individuais para acoplar um PS4, por exemplo, oito pessoas e espaço para quatro malas.
Na Ford, ponto para o facelift do Fusion, que ganhou a versão V6 Sport. Carro de estilo mais refinado na frente e traseira inspirada no Aston Martin, chegará em setembro às lojas. O Mercedes-Benz Classe E, recheado de tecnologia, desembarca também no país como a aposta de luxo para os endinheirados fãs da marca da estrela. O GLA, que será fabricado no Brasil, aparece com mudanças nos faróis e lanternas.
A Volvo tem o sedã mais elegante, o S90. Impressiona, assim como no SUV XC90, o nível de construção e design do veículo. É um sedã do tipo “obra de arte”. A Honda mostra o Civic com duas portas, coupé e marca para setembro o lançamento da nova geração no Brasil. O carro terá a opção do atual 2.0 e do 1.5 turbo de 174 cv.
O Cruze hatch acompanhará a versão sedã. A Chevrolet soltou a perua para cima do Malibu, dizendo que existe possibilidade de levar de volta o sedã de grande porte, mas é preciso aguardar a concretização do projeto. Para os próximos meses, os brasileiros conhecerão a geração turbinada dos 911. A Porsche aproveita o evento para lançar o 911 Turbo e o Turbo S. Na BMW, destaque para o M2 coupé.
A Lexus dá um show de participação, está completa e, com o esportivo LC500, expõe sua competitividade entre os automóveis da mesma categoria.
CRUZE
Nova geração do Cruze, nas carrocerias hatch e sedã, fez sua estreia em Detroit. Em relação ao antigo, o médio cresceu e ganhou motor 1.4 turbo, que no Brasil será flex. A primeira aparição no Brasil está marcada para o Salão de São Paulo, em outubro. Enquanto o sedã chega por aqui no fim do ano, o hatch será lançado apenas em 2017. Para o mercado brasileiro, modelo virá da Argentina.
CIVIC
Lançado no fim de 2015 nos Estados Unidos, o Honda Civic faturou o prêmio de Carro do Ano na mostra de Detroit. Com design esportivo, maior e opção de motor 1.5 turbo com injeção direta de combustível, previsão de o modelo chegar ao Brasil é ainda neste primeiro semestre.
S90
A Volvo fez a estreia mundial do sedã de luxo S90. Uma das opções de motor é um híbrido plug-in com 410cv de potência. O modo de condução semiautônomo é inovador — usa as faixas de demarcação como referência para guiar o veículos, até os 130 km/h, controlando freios, acelerador e direção. O S90 chega ao mercado americano no meio do ano, e, no Brasil, só em 2017.
FUSION
Reestilizado, o Fusion recebeu mudanças nos elementos do para-choque e nos faróis. Nos EUA, será lançado no segundo trimestre e deve chegar aqui apenas em 2017. Com 329cv de potência e 48,4kgfm de torque, a versão V6 Sport, equipada com motor 2.7 biturbo, deu o que falar.
CLASSE E
Um carro inteligente, é assim que a Mercedes-Benz define a nova geração do Classe E. O sedã de luxo da marca alemã não deve demorar a desembarcar por aqui.
RIDGELINE
Aparentemente delicada demais para o mercado americano de picapes, a Honda tenta a sorte de novo com o relançamento da Ridgeline. Mas o modelo não é tão frágil como aparenta, trazendo sob o capô um V6 de 3.5 litros.
AVISTA
Outro belo automóvel exposto em Detroit é o Buick Avista, conceito que usa a plataforma do Chevrolet Camaro. O bom trabalho feito nesse cupê revela que estamos muito próximos de sua versão definitiva (de produção). O motor é um V6 3.0 biturbo de 400cv.
TELLURIDE
O conceito Telluride revela a visão da Kia para um SUV de sete lugares de um ponto de vista realista. O veículo apresenta ao mesmo tempo linhas retas e musculosas, arrematadas pelos faróis e grade com desenho bastante original.
Rumo à Lua
Não é o tipo de veículo que se espera ver em um Salão de Automóveis, mas a Audi levou um androide desenvolvido para uma missão à Lua, no âmbito da competição Lunar Xprize Google. O protótipo tem quatro motores elétricos e pode alcançar 3,6km/h, sendo totalmente autônomo.
Além de carregar duas câmeras para orientação e uma científica (uma delas transmite imagens em 3D) para suportar as altas temperaturas no solo lunar, o Audi Lunar Quattro tem componentes feitos de alumínio de alta resistência. Seu peso é de 35kg, mas haverá redução e ficará maior. Um painel giratório capta luz solar e a transforma em eletricidade armazenada em bateria de íons de lítio, que alimentam quatro motores elétricos posicionados em cada roda. Todas as quatro rodas podem girar 360 graus.
Essa competição de viagem espacial foi organizada para engenheiros e empresas em todo o mundo, e oferece aproximadamente US$ 30 milhões em prêmios. Para vencer, a equipe — que deve ter no mínimo 90% de financiamento privado — precisa transportar um veículo autônomo para a Lua. Além disso, o veículo deverá andar por, no mínimo, 1,5km no satélite natural e transmitir imagens de alta resolução e vídeos à Terra.
Fonte: Correio Braziliense – Impresso

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