Apesar da crise, montadoras aumentam preços de carros

A venda de carros novos no país despencou e levou algumas montadoras a reduzirem a produção e demitir funcionários. Mas a crise não diminuiu os preços cobrados pelos veículos. Pelo contrário: desde dezembro do ano passado até este mês, os preços dos carros zero-quilômetro subiram.
Alguns modelos chegaram a registrar reajustes de mais 8% no período, de acordo com levantamento feito pela consultoria automotiva Jato Dynamics, a pedido de EXAME.com.
A pesquisa mostra a variação dos preços dos dez carros mais vendidos do Brasil, segundo o ranking de abril da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Para realizar o levantamento, a Jato escolheu as versões de cada modelo com maiores volumes de vendas. Os preços foram coletados pela consultoria em catálogos divulgados pelas montadoras.
O Renault Sandero (versão 1.0 16V Hi-Flex Expression) foi o modelo que registrou a maior alta de preço nos últimos seis meses. No período, o valor do veículo passou de 36,8 mil reais para 40 mil reais, um aumento de 8,65%, acima da inflação de 5,26% registrada no período, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Veja a seguir a comparação realizada pela Jato Dynamics entre os preços dos dez carros mais vendidos do país em dezembro de 2014 e em maio deste ano:
Alguns carros que registraram aumento de preço abaixo da inflação desde dezembro tiveram reajustes de preços maiores nos últimos doze meses, diz Marcus Bellis, gerente de incentivos da Jato Dynamics. É o caso do Chevrolet Ônix (versão 1.0 SPE/4LT), que era vendido por 39,1 mil reais e passou a custar 44,3 mil reais nos últimos doze meses, uma variação de 13,43%.
De acordo com Bellis, o aumento dos juros básicos, que encarecem o crédito, e a pressão da inflação, que deixa os orçamentos das famílias mais apertados, provocaram uma diminuição no volume de vendas e na produção das montadoras e resultaram na redução de suas margens de lucro.
Para equilibrar a operação, as empresas repassaram parte dos custos para os preços dos veículos. “No entanto, esses reajustes têm limite. Se as concessionárias não conseguirem vender os veículos pelos preços de tabela, compram menos carros para diminuir prejuízos. Como consequência, os estoques das montadoras aumentam.”
Bellis aponta, contudo, que o consumidor não deve esperar uma redução de preços generalizada, mas, sim, descontos e reajustes de preços pontuais. “Não há espaço para grandes quedas de preços no atual cenário econômico. As montadoras devem continuar a realizar promoções e a oferecer financiamentos com taxas mais atrativas”.
Por Marília Almeida, da Exame.

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