Anfavea revisa projeções em 2015

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De Automotive Business

O volume de licenciamentos de veículos novos em 2015 sofrerá queda de 27,4% sobre o resultado de 2014, passando de 3,14 milhões para 2,41 milhões, entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, de acordo com a nova revisão das projeções de vendas da Anfavea – a terceira do ano – divulgadas na terça-feira, 6. Em sua estimativa anterior, apresentada em junho, a associação das fabricantes previa retração de 20,6% das vendas totais, para algo como 2,77 milhões de unidades. Se confirmado, este novo volume fará com que o mercado interno retorne a um patamar ainda mais baixo que o de 2007, quando as vendas fecharam na casa dos 2,46 milhões de veículos novos.
Durante a apresentação dos novos números, Luiz Moan, presidente da entidade, indica que as fabricantes utilizaram o índice da média diária de vendas do terceiro trimestre (de julho a setembro) para projetar o desempenho para o último trimestre do ano. “Consideramos cinco diferentes cenários ao revisar as projeções e em todos eles os números convergiram para dados muito próximos dessa previsão que apresentamos hoje. Posso dizer também que as vendas ficarão estáveis nos próximos três meses com relação aos três últimos meses imediatamente anteriores”, afirma durante seu encontro mensal com a imprensa realizado em São Paulo.
O resultado do acumulado entre janeiro e setembro dão o tom do ano: as vendas recuaram 22,7% no comparativo anual, para 2,52 milhões de unidades, voltando ao patamar de vendas de 2007. Isolando o mês de setembro, os licenciamentos ficaram 3,5% abaixo dos de agosto, com 200,1 mil unidades, fazendo de setembro o segundo pior mês do ano em volume de vendas, perdendo apenas para fevereiro, quando há feriado de carnaval, além de ser o pior setembro desde 2006. Contra igual mês de 2014, a queda é de 32,5%, o pior índice de retração do ano em comparativos mensais.
“A queda ainda é consequência da crise política que influencia diretamente na economia”, disse Moan. Ele acrescenta que o desempenho esperado para o ano dentro das novas projeções da Anfavea também são influenciadas pelo que ele denominou efeito duplo: a corrida às concessionárias para aproveitar o último trimestre de 2014, quando ainda havia redução da alíquota do IPI, aliada ao aumento de preço no início de 2015 devido à volta do patamar normal da tributação.
“Para cada ponto porcentual de aumento na carga tributária [IPI] há uma incidência de queda nas vendas de 2,5% a 3%. O contrário também é verdadeiro, quando há redução de impostos: para cada 1 ponto porcentual a menos no tributo, o preço do carro cai 1,02% e toda redução foi e sempre será repassada para o consumidor”, informa o executivo. Ele estima que o IPI subiu três pontos porcentuais em média neste ano, respondendo por 8% a 9% da queda do mercado.
Segundo Moan, nos cenários estudados pelas fabricantes durante a revisão das previsões não houve consideração de queda do imposto, uma vez que não há qualquer sinalização a este respeito por parte do governo, reflexo da política de ajuste fiscal em curso no País. “Enquanto caímos 27% em vendas, a arrecadação do setor automotivo em PIS, Cofins, ICMS e IPVA cai na mesma proporção, de 27%, para algo entre R$ 13 bilhões a R$ 15 bilhões”, ressaltou.
O baixo volume de negócios esperado para o ano será mais impactante para o segmento de comerciais pesados, cuja queda é esperada em 45,4%, para 90 mil unidades contra projeção anterior de retração de 41%, para 97 mil unidades. Em 2014, o setor emplacou 165 mil caminhões e ônibus novos. Já para leves, a nova estimativa aponta para recuo de 26,5% e 2,45 milhões, entre automóveis e comerciais leves. A última previsão indicava queda de 19,5%, para 2,68 milhões de unidades.
Por fim, Moan se declara “o último dos moicanos” ao reforçar sua crença no potencial de crescimento do País e do mercado automotivo. Ele argumenta que, sem necessariamente reduzir impostos, há convergência de estimativas sobre o mercado para alguma retomada em 2016, o que ele acredita que se dará daqui a um ano.
“O Boletim Focus do Banco Central prevê queda menor do PIB em 2016 com relação a 2015, o que indica que em algum momento do ano que vem haverá uma retomada da economia. Acredito que deva acontecer no fim do terceiro trimestre, quando poderemos ter uma retomada mais autônoma das vendas.”
Fonte: ABLA

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